SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 13 Junho 2021, 16:11

Torrejanos Ilustres do Século XIX à frente dos destinos da Nação (parte 3)

Sebastião de Sousa Dantas Baracho (1844 – 1921) é o último grande torrejano na vida política   portuguesa do século XIX, destacando-se também  nos anos-chave ligados à implantação e consolidação da República (primeiras décadas do séc.XX). Homem de alto nível moral, distinto pela sua frontalidade, rebeldia e independência, este servidor da Pátria foi aluno do Colégio Militar e assentou praça em Cavalaria, no ano de 1861, alcançando o posto de General de Brigada em 1900. Enquanto político, exerceu pela primeira vez o cargo de deputado, pelo círculo de Torres Novas, na legislatura de 1882-1884. Por várias ocasiões desempenhou esta função, revelando-se um excelente e respeitado orador. A sua actividade política cruzou-se com a de Andrade Corvo, pois este desempenhou as funções de vice-presidente da Câmara dos Dignos Pares, de 8 de Janeiro de 1883 a 29 de Dezembro de 1887. Sebastião Baracho nutria uma grande admiração por Andrade Corvo, pelo homem e pelo diplomata. Dedicou-lhe o folheto “ A Questão ibérica”.

De carácter fogoso, Sebastião Baracho, manteve com alguns dos seus detractores violentas polémicas arrasando-os através da força, coragem e subtileza dos seus argumentos. Numa dessas querelas, desafiou para um duelo o Presidente do Conselho, Wenceslau de Lima, e o Ministro da Guerra, Elvas Cordeiro. A afronta valeu-lhe, por parte do titular da guerra, a aplicação de um mês de inactividade na Praça de Elvas.

Sebastião Baracho ocupou os mais altos cargos públicos na monarquia, entre os quais, o de ajudante de campo honorário do rei D. Carlos I e de seu filho D. Manuel II, cargo que pediu a exoneração em 1909, depois de ter estado preso um mês no forte Elvas, por motivos políticos. A sua verticalidade moral levou-o, numa situação, a insurgir-se contra o facto de a Câmara dos Pares ouvir o discurso inaugural de Dom Carlos de pé, enquanto o monarca estava sentado. Resultado: castigo disciplinar.

Nos últimos tempos do regime monárquico, na Câmara dos Pares, fez críticas severas à vida política trilhada. Com a instauração da República, acolheu-a com simpatia, contribuindo para o êxito e fortalecimento da nova ordem política. Foi presidente da comissão encarregada de rever a legislação criminal militar e Presidente do Supremo Conselho de Justiça Militar.

Eleito deputado às constituintes, no Parlamento, ao discutir-se a Constituição da República, mostrou-se adversário da criação do Senado, reclamando o funcionamento de uma só Câmara Legislativa, que elegeria o governo.

O texto preambular da primeira Constituição da República tem a sua marca. É dele a emenda, verificada na apresentação inicial no debate sobre o projecto de Constituição (nº3)  “ A Assembleia Nacional Constituinte, tendo sancionado por unanimidade, na sessão de 19 de Junho de 1911, a Revolução de 5 de Outubro…”

Desiludido com os partidos, afastou-se da vida política, vindo a escrever, a título de memórias, a obra `Entre Duas Reacções´, em 5 volumes, onde perpassam algumas críticas aos desvios dos ideais republicanos preconizados pelos governantes.

Questionado por um jornalista, uns dias antes de morrer, sobre a realidade política do país respondeu: “Se não fossem os meus 77 anos, já teria chamado os republicanos honestos, os bem  intencionados e, apesar da nossa minoria, já teríamos imprimido à República uma orientação fecunda e pacífica”.

No seu exercício político, Dantas Baracho, não esqueceu a terra que o viu nascer: a criação da escola industrial Vitorino Damásio (1884) e a transferência para Torres Novas da Escola Prática da Cavalaria (1902) resultaram do reconhecido apreço que tinha pelos seus conterrâneos.

Tentámos, nesta pequena incursão, retratar a vida política destes três ilustres torrejanos do século XIX. As suas obras e feitos constituem-se como modelos a seguir para os homens de hoje e gerações vindouras. Parafraseando o poeta, podemos dizer que o século XIX foi palco da “Ínclita geração” de políticos torrejanos. Em nenhum outro século político, figuras da nossa terra iluminaram tão sabiamente e moralmente os caminhos da Nação Portuguesa.

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