SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 14:26

A Homenagem da Revista “Stadium” ao Torrejano Carlos Torres (1)

O nome do futebolista Carlos Torres (1908-1991) pouco dirá à maior parte dos actuais adeptos desportivos torrejanos. Alguns, através do seu último nome, ainda conseguirão associá-lo ao mítico avançado torrejano, José Torres (1938 -2010), que brilhou no Sport Lisboa e Benfica e pela selecção nacional, nos anos sessenta e setenta do século anterior.

Tal como o seu conhecido sobrinho, Carlos Torres vestiu, ao longo de várias temporadas, a camisola do clube encarnado. Chegando a alcançar o título de campeão na equipa das “águias” por três vezes: dois Campeonatos da Primeira Liga (1935/36 e 1936/1937) e um Campeonato Nacional de Portugal (1934/1935). Desta última conquista, apresentamos o célebre team encarnado, na rara separata gratuita, a cores, pertencente ao nº 178 da revista “Stadium”, de 10 de Julho de 1935. Carlos Torres encontra-se no primeiro plano da foto, sendo o terceiro a contar da direita.

Em relação aos títulos alcançados pelo torrejano, Carlos Torres, no Benfica, as obras que consultámos enfermam alguns erros. Assim, na deliciosa memória sobre figuras e factos do futebol torrejano, da autoria de Carlos António Ribeiro, o autor refere apenas dois títulos – “um título da primeira liga e um do Campeonato de Portugal (RIBEIRO, Carlos António, “Torres Novas- Outras Histórias à volta da Bola”, Gráfica Almondina, Torres Novas, 2005, pág. 19). O mesmo equívoco aparece no livro de João Carlos Lopes – onde tece alguns apontamentos sobre o antigo Clube torrejano – ao afirmar que Carlos Torres sagrou-se por duas vezes Campeão Nacional pelo Sport Lisboa e Benfica (LOPES, João Carlos, “ Clube Desportivo de Torres Novas – Uma História de 80 Anos”, Gráfica Almondina, Torres Novas, 2005, pág. 33). Já o desaparecido e distinto jornalista Carlos Arsénio enuncia correctamente os três campeonatos ganhos pelo torrejano Carlos Torres, no Benfica. Só que, comete um pequeno lapso, ao colocar 1936/37 como a data do título em que o clube das “águias” foi vencedor do Campeonato de Portugal. (ARSÉNIO, Carlos; “Ribatejo-Terra de Campeões”, Edições Cosmos, Chamusca, pág. 649).Deveria constar 1934/35.

Antes de ingressar no Sport Lisboa e Benfica, Carlos Torres fazia parte dos quadros da extinta formação torrejana do Torres Novas Futebol Clube. Sendo o seu mais temível avançado de centro. Onde, por vezes, jogava a interior ou a médio.

Carlos Torres destacava-se por ser um goleador nato, dotado de um fino apuro técnico e de uma enorme habilidade para o futebol. Qualidades muito apreciadas pelas diversas equipas do distrito que o convidavam a participar nos seus jogos. Tendo também alinhado várias vezes integrado na selecção de Futebol da Associação de Santarém.

A sua entrada no futebol – como refere na entrevista concedida à revista Stadium, a 15 de Novembro de 1933 (O jornalista Carlos Arsénio, no livro citado, coloca, por engano, o dia 1 de Novembro) – acontece, como a todas crianças da época, com “a célebre bola de trapos a servir de incentivo para ir mais adiante… [Juntando-se] a um grupo de rapazes para [jogarem] «grandes encontros». Nestes desafios [Carlos Torres] estava “encarregue de fazer as bolas” e de marcar os golos para a sua equipa” (“Stadium”,Ano II, nº 92, 15 de Novembro de 1933, Bertrand e Irmãos Lda., Lisboa, pág. 3).

Com a fundação do Torres Novas Futebol Clube, em 1922 (a formalização do clube só acontece no ano de 1925), Carlos Torres firma-se como o seu mais destacado jogador. Ainda, na época de 1927/28, vence pela saudosa equipa torrejana o Campeonato Distrital de Santarém. O feito conseguido proporcionou ao clube torrejano participar na primeira eliminatória do antigo Campeonato de Portugal, onde defrontou o Sporting Clube de Portugal, no dia 4 de Março de 1928. Jogo em que o Torres Novas Futebol Clube foi copiosamente cilindrado, no estádio do Campo Grande (e não no Lumiar, como aparece no livro de Carlos Ribeiro, pág. 15) por 18 a 0. A maior goleada ocorrida no Campeonato de Portugal.

Este jogo representou, para a antiga glória do futebol torrejano, uma das suas mais amargas recordações: “ Pouco tempo depois de tanta alegria [Campeão Distrital de Santarém] viemos jogar a Lisboa contra o Sporting para o Campeonato Nacional. Nunca mais se esquece. Foram 18-0… (“Stadium”,Ano II, nº 92, de 15 de Novembro de 1933, pág. 3).

(Continua)

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