SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 21 Junho 2021, 23:37

A Proclamação da República em Torres Novas (1)

Nos cinquenta anos do 5 de Outubro de 1910, o reconhecido jornal “República” brindava os seus leitores com uma inestimável edição sobre a Implantação da República. Dando voz, nas várias regiões do país, “às figuras mais representativas e mais directamente ligadas ao movimento republicano” (“República”, nº 10.692, 4 de Outubro de 1960, pág. 3).

Esta iniciativa veio a concretizar um projecto, anteriormente levado a cabo pelo jornal, na passagem das bodas de prata, em 1935. Em que foram registados os depoimentos de destacados republicanos espalhados pelo país.

Os importantes testemunhos tiveram que esperar vinte e cinco anos para chegarem ao conhecimento do público-leitor. Facto ocorrido aquando as comemorações do cinquentenário da Proclamação da República (1960).

Torres Novas integra a plêiade de lugares imortalizados no número especial comemorativo do diário “República”. Através do depoimento do Dr. António Pinto de Magalhães e Almeida (1871-1940). Um dos mais lídimos e proeminentes republicanos torrejanos.

Nascido em Vila Real, a 2 de Março de 1871, António Pinto veio para a vila torrejana ainda na infância. O seu pai, Dr. Severino Almeida, exerceu, em Torres Novas, cargos de grande relevo. Destacando-se o exercício de presidente da Câmara Municipal em 1885 (o historiador torrejano, António Mário Lopes dos Santos, no seu artigo inserido na revista “Nova Augusta – Edição comemorativa dos 100 anos da República 1910-1920 “, 2016, pág. 62, aponta o exercício do cargo para 1886, e não 85) e 1900.

António Pinto assumiria idêntica função à do seu progenitor nos anos de 1899 (!?), 1902 e 1903 (GONÇALVES, Artur; “Memórias de Torres Novas”, Companhia Editor do Minho, Barcelos, 1937, pág. 143),

Durante um determinado período da sua vida, a actividade profissional de António Pinto (formou-se em Direito) obriga-o a estar longe de Torres Novas. Mas, mesmo assim, não cortou as suas ligações com a terra do Almonda. Mantendo-se a par dos acontecimentos da vila e também dando a sua prestigiada colaboração – sob o pseudónimo Camerlengo – no jornal “O Torrejano”. Semanário fundado por Artur Gonçalves em 1915.

O nome de António Pinto de Magalhães aparece associado a outros cargos e actividades na vila de Torres Novas. Nomeadamente, na presidência do Montepio de Nossa Senhora da Nazaré (1920-1940) e na Administração do Concelho. Cargo que tomou posse a 20 de Julho de 1922, mantendo-se até Novembro de 1923.

António Pinto fez parte de um conjunto de valorosos homens que se empenharam nas campanhas gloriosas da propaganda dos ideais republicanos. Tendo obtido “resultados verdadeiramente maravilhosos, tanto mais se tivermos em atenção que tiveram contra si a hostilidade de um meio onde inicialmente a reacção manobrava ao sabor dos seus desejos (“República”, nº 10.692, 4 de Outubro de 1960, pág. 12).

São do conhecimento do leitor torrejano, interessado pela nossa História Local, dois importantes testemunhos sobre os acontecimentos ocorridos no dia 5 de Outubro de 1910: o artigo sobre as manifestações republicanas, publicado no “Jornal Torrejano”, nº 1354, de 13 de Outubro de 1910, e o “Auto de Proclamação da República Portuguesa no Concelho de Torres Novas”.

Julgamos ser de enorme interesse a divulgação deste depoimento histórico sobre a Proclamação da República em Torres Novas. Uma vez que, nas diversas publicações torrejanas sobre o assunto, não há a mínima alusão ou referência às palavras de António Pinto. Tornando-se imprescindível a divulgação do relato (até para esclarecer alguns aspectos da sua actividade enquanto membro do Partido Republicano), pois o ilustre republicano assumiu-se como uma das vozes locais que possibilitaram o sucesso da mudança do regime. Através da sua empenhada acção antes e depois da implementação da República.

Neste despretensioso artigo, registamos novamente as eloquentes palavras proferidas por António Pinto a propósito do despertar da nova era: “ Antes do 5 de Outubro já aqui [Torres Novas] existia uma poderosa agremiação republicana, que reunia todos quantos se empenhavam na luta para a implantação do novo regime.

Era o Centro Republicano Guerra Junqueiro que contava cerca de duzentos sócios. Muitos, se atendermos à pequena extensão do nosso meio e se não esquecermos que a reacção desenvolvia poderosa acção no sentido de evitar o alastramento das novas ideias” (“República”, nº 10.692, 4 de Outubro de 1960, pág. 12).

(Continua)

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