SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 15:16

Apontamentos sobre um indevido “Torrejano Ilustre” (1)

Na plêiade das grandes obras editoriais sobre Torres Novas, destaca-se, entre outros importantes escritos, o livro de Artur Gonçalves “Torrejanos Ilustres”. O emérito historiador procurou encerrar nas páginas da sua hercúlea investigação os nomes dos nossos antepassados que se distinguiram nas “Letras, Ciências, Armas, Religião, etc”.

O ilustre torrejano tinha um duplo propósito com a sua reconhecida colectânea: dar a conhecer alguns dos grandes nomes da nossa terra (até então injustamente relegados ao esquecimento); e que os seus feitos servissem de lição e de guia para as gerações vindouras. Muitas vezes, iludidas e desorientadas do caminho dos verdadeiros valores, pela indigência nacional de figuras, de enorme rectidão e grandeza de carácter, que se prestem como modelos.

Na sua vasta e enriquecedora biografia dos “Torrejanos Ilustres”, há nomes que marcaram de forma indelével os destinos da Nação Portuguesa. Outros distinguiram-se nas ciências, nas artes, religião, etc., contribuindo para o engrandecimento e protagonismo do nosso pequeno espaço ribatejano e, até, nacional.

Mas, a apaixonante e rigorosa pesquisa efectuada pelo ilustre torrejano, não está isenta de erros. Como é frequente na difícil tarefa de qualquer reputado investigador da História Antiga de Portugal. Nem sempre as fontes existentes são fidedignas. O que acontece à medida que vamos recuando no tempo. Onde os documentos históricos tornam-se escassos. E, por vezes, os poucos que existem, são contraditórios.

Na obra citada de Artur Gonçalves, julgamos ter encontrado o caso de uma ilustre figura, ligada às ciências, que, infelizmente, não é natural de Torres Novas. Trata-se do médico e professor da Universidade de Coimbra, Dr. João Bravo Chamiço (GONÇALVES, Artur; “Ilustres Torrejanos”, Companhia Editora do Minho, Barcelos, 1934, págs. 391-392).

O pretenso erro, cometido pelo ilustre torrejano, aconteceu a partir da obra de João Batista de Castro, “Mapa de Portugal Antigo, e Moderno”, Tomo II (parte III e IV), págs. 358 e 359. Editada em Lisboa, pela Officina Patriarcal de Francisco Luiz Ameno, no ano de 1763. Seguindo o autor do livro, Artur Gonçalves atribui a Torres Novas o local de nascimento do distinto médico. Ressalvando, também, que Leiria poderia ser a outra hipótese da naturalidade do Dr. João Bravo Chamiço. Como é frisado por João Castro, numa curta nota acerca do reputado médico.

Ora, esta posição não é defendida por Diogo Barbosa Machado, na página 613, da sua monumental obra “Bibliotheca Lusitana”, tomo II, editada pela Officina de Ignacio Rodrigues, em 1747. Aponta que o reputado médico João Chamiço nasceu na localidade de Serpa. Pertencente à então Província de Transtagana. Hoje, designado por Alentejo.

Esta obra de referência não era desconhecida de Artur Gonçalves. Por diversas vezes, utilizou-a para elaborar os seus apontamentos, acerca de alguns dos nossos ilustres antepassados. Chegando, até, a contestar algumas das suas afirmações. Com base em testemunhos escritos da época que versam sobre o assunto em causa.

Mas, julgamos que, em relação ao ilustre médico João Bravo Chamiço, Artur Gonçalves não tem razão. Documentos, existentes na Universidade de Coimbra, comprovam a afirmação, de Diogo Barbosa, ao indicar a localidade de Serpa, como local de nascimento do brilhante doutor em Medicina.

(Continua)

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