SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 21 Junho 2021, 23:59

A Bola de Futebol oferecida por Madame “Evita” Perón (1)

No dia 3 de Fevereiro de 1951, o jornal desportivo “Record” noticiava, na página oito, os factos ocorridos no encontro entre o Grupo Desportivo de Torres Novas e o Alhandra Sporting Clube, a contar para o Campeonato Nacional da II Divisão.

Tratar-se-ia de mais um comentário a uma simples partida de futebol, a juntar a tantos outros, se à sua volta não ocorressem circunstâncias extraordinárias. Que tornaram o referido evento numa das mais calorosas e prestigiantes festas desportivas, alguma vez acontecidas no nosso País. Digna de figurar nos anais torrejanos. E, até mesmo, na História do Desporto Nacional.

O seu êxito deveu-se, fundamentalmente, à estreita e fraterna amizade existente entre duas povoações: Torres Novas e Alhandra.

Os laços de união das duas terras ribatejanas já vinham de longe. Remontavam à altura do extinto Torres Novas Foot-Ball Club. Importante equipa torrejana, criada em 1925.

Por diversas vezes, a imprensa local deu conta do clima festivo em que revestiam os encontros entre as formações das duas terras irmãs.

O Grupo Desportivo de Torres Novas, fundado em 1945, não fez mais que reatar essa longa amizade, através da proposta feita na Assembleia Geral. Em que foi indigitado, como sócio de mérito do novo clube torrejano, o “Alhandra Sporting Club”. Medida “aprovada de pé com uma prolongada salva de palmas (Acta nº 5, de 28 de Dezembro de 1946).

Todos os jogos que envolveram as agremiações desportivas das duas terras ribatejanas serviam, como pretexto, para a realização de retumbantes festas, que extravasavam o recinto de futebol e se prolongavam por várias horas em diversos locais da vila. Só terminando após a partida das largas centenas de alhandrenses que seguiam o clube, nas suas deslocações a Torres Novas.

Estas inigualáveis provas de verdadeira celebração desportiva despertaram a atenção de um dos principais órgãos de comunicação nacional, ligados à modalidade. No dia 28 de Janeiro, uma equipa do jornal “Record”, deslocou-se a Torres Novas, para testemunharem e viverem um dos momentos mais altos das suas carreiras de comentadores desportivos:

“Tudo quanto ali [Torres Novas] se desenrolou a nossos olhos constitui a prova mais eloquente de que o Desporto ainda serve para estreitar as relações de amizade entre os homens. As homenagens que os torrejanos prestaram aos seus adversários alhandrenses pareceram-nos únicas pela simplicidade, e ao mesmo tempo pela grandeza que se revestiram.

Todas as fases dos festejos, desde a recepção dos visitantes até à despedida, tiveram o cunho da gentileza e do cavalheirismo que transborda do coração da nobre gente ribatejana ” (“ Record” nº 63, 03/02/1951, pág. 8).

Um dia antes, o povo torrejano e as entidades representativas do burgo trabalharam sem descanso na preparação das diversas partes do programa de recepção aos alhandrenses. Vale a pena seguir as palavras do cronista do jornal “O Almonda” sobre a forma como foram recebidos os adeptos visitantes:

“ Às 13 horas algumas dezenas de automóveis aguardavam os Alhandrenses à saída do Entroncamento; feitos ali os cumprimentos, a caravana avançou sobre Torres Novas, chegando pelas 13,30 horas ao Rossio de S. Sebastião, onde uma multidão imensa se concentrava para os saudar.

Alguns vereadores do Município, em sua representação, o Orfeão Torrejano, a Banda Operária, o Montepio, Associações locais ali se encontravam, pondo-se logo em marcha o cortejo até ao Teatro Virgínia.

E era, em verdade, uma avalanche de gente, que enchia de lés-a-lés a estrada nacional, agitando bandeiras com as cores dos dois Grupos Desportivos, soltando vivas, trocando saudações.

Aqui e ali, largos dísticos atravessavam a rua dando as boas vindas.

Junto ao Teatro Virgínia foram os Alhandrenses recebidos pelo Sr. Presidente da Câmara de Torres Novas, Dr. Alves Vieira, Comandante da Escola Prática de Cavalaria, Tenente-Coronel Raúl Martinho e alguns vereadores (“ O Almonda”, nº 1649, 03/02/1951, págs. 1-2).

A cerimónia de boas-vindas, ocorrida no Teatro Virgínia, contou com a presença das mais importantes entidades locais e de membros sonantes da comitiva visitante, como o seu presidente, Dr. Gustavo de Matos Carinhas; de Francisco Filipe dos Reis, presidente da Assembleia Geral do Alhandra Sporting Clube; e do Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, José de Nazaré.

Além dos citados elementos, figurava na distinta comitiva o Sr. D. José Palmentiere, Delegado Obrero da Legação Argentina, em Lisboa. Que reservaria para a hora do encontro a entrega de uma preciosa lembrança. Oferta especial da primeira-dama da argentina: Eva Perón (1919-1952).

Personagem mítica da História Mundial do século XX.

(Continua)

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