SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 21 Junho 2021, 22:44

Um Torrejano Fotógrafo Oficial da Corte Portuguesa (2)

No “Boletim Photographico” existem algumas fotos do ilustre torrejano ligadas ao concelho, principalmente à aldeia das Lapas. Uma delas, a imagem das “Lavandeiras” no Almonda, foi capa da revista do “Boletim Photographico”, nº 4, de Abril de 1900. Reproduzida, novamente no seu interior, na página 57. Com a indicação das condições e meios utilizados por Cipriano Trincão.

Trata-se de uma belíssima imagem campestre onde conseguimos percepcionar a sua aura. Ausente na maior parte das actuais fotografias. Além disso, atente-se no enquadramento conseguido na foto: ao olharmos para ela, o passado da imagem reactualiza-se – somos levados para o momento único e irrepetível em que a câmara do fotógrafo captou a atenção das personagens que integram este harmonioso cenário.

Outras fotografias do ilustre torrejano constam na especializada revista: a foto “Bois” aparece no “Boletim Photographico”, nº 4, de Abril de 1900, pág. 61; a fotografia “Pastando”, no nº28, de Abril de 1902. Duas fotos de “ No Almonda” surgem no Boletim nº 44,Agosto de 1903, págs. 122 e 128; a fotografia “Estrada Fora”, no nº 70, do Boletim, publicado em Outubro de 1905, pág. 160…

O nosso ilustre torrejano também chegou a participar em diversos concursos de fotografia. Um deles foi no segundo concurso da revista “Serões”. A conhecida publicação promoveu vários concursos de fotografia destinados a amadores. No segundo, alusivo ao tema “ Crianças ou grupo de crianças diversas”, alargou a sua participação aos profissionais do ramo. O que, posteriormente, originou uma acalorada controvérsia. Culminando na desclassificação dos concorrentes profissionais.

A Cipriano Trincão foi-lhe atribuída, pela sua foto no concurso, uma menção honrosa (“ Serões”, nº 12, Junho de 1906, pág. 515). No número seguinte são publicadas as fotografias dos participantes a quem foi dada a referida menção (“Serões, nº 13, Julho de 1906). A primeira foto da menção honrosa (que por norma de atribuição devia ser a de Cipriano Trincão) aparece como seu autor, Nemo (op. cit. pág. 13).

Temos pelo trabalho desenvolvido pelo ilustre torrejano uma enorme admiração. Não nos esqueçamos que no seu tempo a fotografia dispunha de limitados recursos técnicos. Que não foram entraves para a conseguir “criar” imagens povoadas por uma rara beleza e profunda sensibilidade estética.

Esta procura da essência da fotografia, por parte de Cipriano Trincão, terminou aos vinte dias do mês de Julho do ano de 1933 (o texto do Arquivo Municipal refere o dia 17 de Junho, contrariando o registo de óbito do ilustre torrejano), pelas nove horas. Nesse fatídico dia morre, com a idade de 58 anos (e não aos 59), Cipriano Antunes dos Santos Trincão. Vitimado por escarlatina (mais uma vez o apontamento existente no Arquivo Municipal e no citado jornal “O Almonda”, contradizem a informação que consta no óbito. Apontam como causa da morte a difteria).

Se a nossa vizinha a Golegã pode orgulhar-se de ser a terra de nascimento de um dos maiores fotógrafos da nossa História. Também Torres Novas não se pode esquecer que, no seu seio, veio ao mundo um dos mais conceituados fotógrafos da primeira metade do séc. XX. Que dedicou grande parte da sua vida (como Carlos Relvas) ao amor pela nova arte emergente.

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