SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 13 Junho 2021, 16:04

Duas Páginas Esquecidas do Torres Novas Foot-Ball Club (2)

Já o segundo encontro, entre “ Os Leões” de Santarém e o Torres Novas  F. C. , não aparece nas várias monografias  sobre o futebol torrejano. A partida amigável entre os dois rivais decorreu no Stadium de São Lázaro, em Santarém, no mês de Maio de 1930 (“A Renascença”, nº 34, 11 de Maio de 1930, pág. 2; e “ A Mocidade”, 11/05/1930, pág. 5)

Nesse jogo o Torres Novas F. C. foi a primeira equipa a marcar, através do inevitável avançado Carlos Torres (o categorizado jogador torrejano representou o S. L. Benfica, de 1933 a 1937. Tornando-se no primeiro futebolista torrejano a integrar um grande clube nacional). Aos vinte e sete minutos, o eterno goleador torrejano elevou a contagem para 2- 0.

Apesar da desvantagem, “ Os Leões” de Santarém não se deram por vencidos: decorriam os trinta e dois minutos, quando conseguem marcar o seu primeiro golo. Até ao intervalo a partida não registou qualquer alteração no marcador.

Ao iniciar-se a segunda parte, o guarda-redes torrejano sofre um frango. Nessa tarde, Fernando Alva esteve bastante desastrado. Valeu-lhe, em alguns lances, o defesa da sua equipa Franco.

Entusiasmados com o empate, os escalabitanos conseguem dar a volta ao resultado. Acabando por marcar dois golos o avançado de “Os Leões”, Figueiredo.

O jogo termina com a vitória da equipa da casa por 4 a 2.

O articulista do jornal “ A Renascença” fez o seguinte comentário, a propósito da prestação dos elementos torrejanos: “ Jogadores – TNFC merecem destaque somente Franco que foi o salvador do seu Club e J. Ribeiro que nunca esmoreceu, procurou sempre jogar.

Os restantes jogadores não mostraram entusiasmo algum, pareciam não se importarem com o resultado final do jogo.

[Fernando] Alva teve grandes erros e grande culpa desta derrota, pois que quase todas as bolas defenderia se para isso mostrasse vontade” (“ A Renascença”, nº 34, 11 /05/1930, pág. 2).

Na publicação “ A Mocidade” estão escritas palavras semelhantes para caracterizar o fraco desempenho dos jogadores torrejanos. Acrescentando, também, duas notícias de enorme importância para o clube: as novas instalações do Torres Novas F. C., “ situadas no prédio do Sr. Manoel Ferreira, junto ao Almonda Parque”. E o novo treinador do clube, Filipe Santos, antigo jogador da equipa torrejana (“ A Mocidade”, 11/05/1930, pág. 5).

O jornal “ A Renascença” faz, na mesma página, uma breve referência a um novo encontro entre os dois clubes. Agendado para o dia 11 de Maio. Agora no Almonda Parque, em Torres Novas. Só que, devido aos encontros disputados pela selecção de Santarém (em que participaram três jogadores da equipa torrejana: Francisco Torres, o capitão José Campos e Carlos Torres), a partida fora adiada para mais tarde.

No último jogo (também ausente das monografias), disputado em Junho, a vitória sorriu à equipa do Torres Novas Foot – Ball Club. Pelas dezassete horas e cinco minutos, entrou no campo do Almonda Parque a formação de “Os Leões” de Santarém, logo seguido pelo grupo torrejano. Segundo as palavras do cronista “ A boa educação manda[va] dar sempre a primazia aos visitantes, e em Torres Novas sempre assim sucede[u]” ( A Renascença, Junho de 1930,pág. 2).

Aos sete minutos de jogo, o clube escalabitano “abre o activo, com um forte remate de Manuel Silva II. Neste encontro o guarda-redes  Fernando Alva esteve melhor do que na partida anterior. Não tendo culpa no golo sofrido.

A partida prolongou-se até ao intervalo em bom ritmo. Com ataques à baliza, umas vezes, por parte de “Os Leões”; outras, através dos avançados torrejanos, José Campos e Carlos Torres. O primeiro tempo acaba, com o domínio de jogo da equipa visitante (“ A Mocidade”, 8/06/1930, pág. 4).

Logo a abrir a segunda parte, a formação escalabitana aumenta a vantagem no marcador através do seu avançado João Nunes. Numa altura em que o Torres Novas F. C. jogava apenas com nove elementos. Devido ao injustificado atraso de dois dos seus jogadores. Pouco cumpridores dos horários que regulamentam os intervalos no jogo de futebol.

Mas nos minutos seguintes, os espectadores do Parque do Almonda iriam assistir a uma excelente reacção da equipa torrejana. Aos quatro minutos do segundo tempo, o grande goleador torrejano Carlos Torres marca o primeiro golo dos “vermelhos”.

Motivados pelos seus adeptos, o Torres Novas F. C. empata a partida, através do suspeito do costume: Carlos Torres. O delírio apossa-se da multidão que enche o velho Almonda Parque. Crentes na vitória da sua equipa perante um dos mais decididos rivais do clube torrejano no distrito.

Coube mais uma vez ao excelente avançado Carlos Torres marcar o terceiro golo, que colocava a equipa torrejana na frente do marcador. Estava consumada a reviravolta, apesar do enorme brio com que lutaram os jogadores escalabitanos. Em defesa do pergaminho de campeão do distrito.

Antes de terminar o encontro, o Torre Novas F. C. marcaria mais um golo (vitória por 4-2), através de António Antunes a um passe de Carlos Torres. O goleador da equipa torrejana sairia antes do final do jogo “bastante molestado”. Após um choque violento com o defesa, de “Os Leões” de Santarém, Luiz de Melo.

Esta temporada desportiva (1929/30) veio a mostrar a superioridade do Torres Novas F. C. nos confrontos com a formação escalabitana. Facto que quisemos partilhar com os leitores, por se encontrar omisso nas diversas monografias desportivas torrejanas.

O Torres Novas F. C. ainda participaria nas competições oficiais até ao ano de 1934. Altura em que o “Almonda Parque” é alugado pela Escola Prática de Cavalaria. A partir desta data, as partidas realizadas pelos “ vermelhos” passam a ter uma ocorrência intermitente e, por vezes, jogadas em campo emprestado.

A inconveniente medida, privaria os torrejanos de uma das suas mais importantes distracções domingueiras. Situação referenciada pelo poeta José Lopes dos Santos (um adepto fervoroso do desporto rei) no seu discurso, proferido numa reunião preparatória do grupo torrejano. Do qual transcrevemos em seguida partes significativas:

“ (…) Podemos portanto concluir que o futebol é um jogo simpático, comunicativo, dinâmico, e um bom passatempo, nas tardes que seriam aborrecidas sem o «pratinho» do futebol.

Falta-nos um campo bom.

O campo onde os jogos se têm realizado já não serve, dado o desenvolvimento que este género de desporto atingiu em toda a parte.

Além disso, esse mesmo campo, sem as condições devidas foi interditado, não sei porque razões.

Desde que tal aconteceu, o futebol desapareceu do número das nossas distracções, resultando a tristeza da nossa rapaziada, que anda por aí aborrecida, neurasténica.

Que diabo! Torres Novas não é uma terra tão miserável, tão falha de recursos que não possa organizar um bom campo de jogos.

É preciso que todos se mexam e junto da Câmara Municipal saibam defender a vantagem de um campo de futebol na nossa terra.

O futebol já tem dado lugar a muitas homenagens a Torres Novas e à sua gente (…).

29/08/1934”.

(Continua)

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