SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 03:19

Os Soldados Torrejanos mortos na Grande Guerra (2)

Dando continuidade à homenagem aos nossos conterrâneos mortos na Grande Guerra, evoquemos o nome do 1º cabo, Angelino Lopes Laranjeiro (na lápide, aparece erroneamente com o apelido Laranjeira), solteiro, nascido a 8 de Junho de 1893, na aldeia dos Vargos, freguesia do Paço. Embarcou no dia 26 de Maio de 1917, integrado no Quartel-General da 1ª Divisão, Companhia de Telegrafistas de Praça. Foi morto em combate no dia 12 de Setembro de 1918. Encontra-se sepultado no Cemitério de Richebourg L’Avoué, Talhão C, Fila 11, Coval 2.

Outro militar torrejano que pereceu em França, José Antunes Rato, solteiro, era natural da Meia Via, nascido a 11 de Setembro de 1895. Ao serviço da 6ª Brigada de Infantaria, Regimento de Infantaria nº5, embarcou para França a 25 de Julho de 1917. A morte sobreveio no dia 7 de Outubro de 1918. Os restos mortais do soldado José Rato jazem no Cemitério de Richebourg L’Avoué, Talhão D, Fila 16, Coval 26.

Como referimos na primeira parte do artigo, ignora-se onde esteja sepultado Manuel dos Santos Sardela (e não Sartela, como aparece no documento do Arquivo Militar),casado, nascido no lugar de Assentis, a 14 de Novembro de 1893. Embarcou para França no dia 17 de Junho de 1917, na função de soldado do Depósito de Infantaria, Regimento de Infantaria nº16. Os registos dão conta que morreu a 7 de Outubro de 1918.

O soldado José Faria, solteiro, nasceu na aldeia de Alcorochel, no dia 15 de Novembro de 1895. Fazendo parte do 1º Depósito de Infantaria, Regimento de Infantaria nº 16, embarcou para França no dia 17 de Novembro de 1917. Morreu a 11 de Novembro de 1918, data em que foi assinado o armistício, que pôs fim ao sangrento conflito. Jaz numa campa do Cemitério de Richebourg L’Avoué, Talhão D, Fila 15, Coval 24.

Dois militares torrejanos morreram já depois de terem acabado as hostilidades. Aconteceu, de uma maneira geral, com muitos dos prisioneiros de guerra que se encontravam nos campos alemães. Ou no hospital, por doença ou devido aos graves ferimentos sofridos em combate.

O soldado servente, José Ferreira, solteiro, nascido a 11 de Agosto de 1893 em Torres Novas. Embarcou para França a 10 de Outubro de 1917, integrado na C.A.L.P., 2º Batalhão de Artilharia de Costa. Faleceu no dia 7 de Fevereiro de 1919. Encontra-se sepultado no Cemitério de Richebourg L’Avoué, Talhão B, Fila 14, Coval 16.

Agostinho Conde foi o segundo militar que pereceu após o final da guerra. Casado, era natural de Assentis, lugar onde nasceu a 15 de Março de 1894. Na função de soldado da 6ª Brigada de Infantaria, Regimento de Infantaria nº 16, embarcou no dia 17 de Novembro de 1917. A morte levou-o a 20 de Março de 1919. Jaz no Cemitério de Richebourg L’Avoué, Talhão D, Fila 21, Coval 10.

Mas a participação portuguesa na guerra não se limitou ao espaço europeu. A entrada do país no conflito aconteceu muito antes da declaração de Guerra de Portugal à Alemanha (Março de 1916). As primeiras expedições para Angola e Moçambique aconteceram a 11 de Setembro de 1914, combatendo logo, em Angola, no mês de Outubro contra uma força alemã.

Nas nossas maiores ex-colónias, os militares portugueses envolveram-se numa encarniçada e desleal luta, num meio inóspito e perante um exército estrangeiro bem equipado. Mal preparados e com deficientes serviços sanitários, a selva africana e os combatentes inimigos provocaram enormes baixas no contingente português. A par da sede e da fome, as inevitáveis doenças tropicais foram um autêntico flagelo para as hostes nacionais. Basta folhearmos o livro de Carlos Selvagem (“Tropa D’Africa”, Lisboa, 1919) para nos apercebermos da dura realidade e abandono vividos pelos militares portugueses nestas distantes paragens. Revelando contornos mais trágicos e desumanos do que aqueles que assolaram Flandres (págs. 367-385).

Alguns combatentes torrejanos soçobraram neste território ultramarino “ a quatro mil léguas de distância” do rio e dos campos que os viram nascer. Como foi o caso do soldado, Leonel Pereira Marujo, natural de Torres Novas, freguesia de São Pedro. Integrado no Regimento de Infantaria nº 16, com o número de identificação 118, morreu vitimado por doença. As febres palustres apagaram a vida deste nosso ilustre combatente em Angola, no dia 6 de Junho de 1915. Os seus restos mortais jazem ignorados nestas longínquas paragens. Por falta de informação este valoroso torrejano não foi referenciado por Artur Gonçalves, no capítulo XVI (a propósito da Grande Guerra) da sua obra “Memórias de Torres Novas”.

Nesta antiga colónia portuguesa também perdeu a vida o soldado servente José Tomé, natural dos Riachos. Fazia parte dos quadros do Batalhão de Artilharia de Guarnição, com o nº de identificação 304. A morte surpreendeu-o a 30 de Outubro de 1916. Artur Gonçalves, no referido livro “Memórias de Torres Novas”, Companhia Editora do Minho, Barcelos, 1937, pág. 206, dá como morto em Indegiva (Angola), no ano de 1915.

O soldado José dos Santos, foi outro dos militares torrejanos que morreram nas lides africanas. Era natural de Monsanto. Na altura em que nasceu, esta localidade vizinha, estava integrada no concelho de Torres Novas (passou para o de Alcanena em 1914, no ano da formação do município).

Partiu para Angola ao serviço do Regimento de Infantaria nº 20, com o número de identificação 239.No dia 9 de Maio de 1915, morre vitimado por uma blenorragia. Os seus restos mortais jazem em Luanda. O nome deste herói torrejano, também não se encontra nas páginas da citada monografia do ilustre historiador Artur Gonçalves.

(continua)

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