SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 11:51

Miúdos de barba e bigode

Alguns destes meninos perderam o cabelo, outros deixaram crescer a barba. É um facto. Um sinal do amadurecimento destes “malteses”, que participaram nos mesmos sonhos e aventuras da escola primária. Também prova uma abundância de vivências incríveis. Hoje, encaram a vida com serenidade e mantêm um diálogo aberto. Foram companheiros de numerosas e variadas batalhas, com espadas de madeira e bolas de trapos à mistura. Olham agora pelo retrovisor e nunca se cansam de contar histórias, rindo deles e dos outros.

Acerca-se a próxima reunião da garotada. Estas confraternizações, iniciadas há quase um quarto de século, são uma oportunidade para celebrar o passado, com os pés firmes no presente.

É sempre com satisfação que antecipamos os encontros da “malta”. Num estado de alma comparável à antevisão das prendas de Natal. Na verdade, é um privilégio reviver os tempos da infância, partilhar a taça da amizade e elogiar as qualidades de um vinho local ou um prato bem preparado. Além do mais, temos “irmãos de loja” que se metamorfoseiam em canários e nos deliciam com cantigas de outrora. Celebra-se deste modo o companheirismo, a inspiração e a convivialidade. E como se trata de gente esclarecida, sabem separar o trigo do joio. Distinguem sem hesitar, uma mijoca qualquer de uma pomada de três estalos.

Continuamos a acreditar que o lema destes almoços podia ser: “comer, contar, partilhar”. Estes verbos resumem à perfeição os nossos objectivos. Identificam virtudes destes rapazes que ainda distribuem sorrisos. Fingem acreditar em fadas e duendes.

Não esqueçamos que teria sido lá pelo ano mil novecentos e cinquenta e picos que a maioria ficou à guarda dos mestres Silva Paiva e Oliveira. Sir Edmund Hillary acabava de conquistar o Monte Everest, Isabel II era coroada soberana do Commonwealth e as ondas do Mar do Norte rebentavam os diques da Holanda. No velho Virgínia, delirávamos com os filmes do Peter Pan e, na rádio, ouvíamos que o presidente da América se chamava Eisenhower e que Churchill era o primeiro-ministro britânico. O mauzão era o Khrushchev.

Todo este palavreado para comunicar aos ex-alunos dos professores Silva Paiva e Oliveira, que o próximo conclave se realizará no dia 5 de Maio, um domingo. Como vai sendo hábito, lá estaremos na Praça 5 de Outubro, pelo meio-dia. Se o sol estiver quente, podem sentar-se à sombra das árvores. Se chover, venham acompanhados de um guarda-chuva.

O Convívio, cujo programa está a ser preparado, centrar-se-á na camaradagem. Um companheiro será galardoado com a Ratoeira d’Ouro que já caçou bastantes mamíferos roedores. Contudo, fomos informados que haverá surpresas.

No ano passado, foram capturados dois ratinhos de cozinha: o Diamantino Rosa e o Jerónimo. Em 2011, foi o Bacalhau (António Cardoso Maia) que levou o apetecido troféu para a Alemanha. Segundo consta nos mentideiros do Largo da Botica, a Frau Merkel ficou roída de inveja e, desde então, ameaça fechar a torneira das patacas. Que feche, pois o comité central deste grémio não abre mão dos princípios que o regem e jamais a nomeariam chanceler da Ordem dos Ratos.

O comando-geral desta operação está a cargo dos generais Mourão (249826214 – 96 7624854), Zé Augusto Pedro (249824410 – 966207207), João Cordeiro (249826102 – 96 6025666), Damásio, Diamantino Rosa, Jerónimo, Luciano Neves Correia e Ribeiro (249823532 – 96 8638475). Como é fácil constatar, a nata das forças desarmadas indígenas deliberou promover todos os combatentes à patente máxima. O chefe de estado-maior será o Damásio que, assim, obterá o bastão do marechalato.

O local eleito foi a quinta dos irmãos Correia, que já serviu de palco para outras edições destas jornadas. Há espaço suficiente para receber todos os comensais e podem reservar lugares ao sol ou à sombra. O sítio é o mesmo onde esta fotografia foi tirada. Há precisamente dezanove anos. Uma diferença: com a excepção do José Augusto Mourão, poucos ostentavam moleirinha coberta de neve.

Para que o Carnaval destes pândegos continue, é preciso fazer muita ginástica. Dantes,” iam cantando e rindo // levados, levados, sim // pela voz de som tremendo // das tubas, clamor sem fim”. Com a idade, veio o cabelo branco e ficam-se agora pelo dó-ré-mi.

O convite está feito. Façam o favor de marcar a agenda e compareçam. Espera-vos um abraço à moda antiga e uma tarde entre amigos.

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