SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Junho 2021, 21:16

Gastos inúteis, emagrecimento necessário

É penoso seguir as notícias sobre o que está ocorrendo em Portugal. Esgotou-se a paciência. Se as contas não batem certo a falta é dos sucessivos governos que, em Lisboa e nas autarquias, administraram o país como se não houvesse amanhã. Nunca aprendem. A tróica ameaça. Toda a gente se indigna.

Os portugueses andam à nora para liquidar um montão de impostos, contribuições, taxas, emolumentos e coimas; pagar o gás, electricidade e água; e ainda há autarcas que se olvidam das dificuldades dos munícipes. Não desistem de desperdiçar dinheiro público, como se já não tivessem endividado as respectivas câmaras por muitas e longas décadas.

É neste cenário de dissipação de impostos que felicitamos o deputado da CDU por ter defendido os bolsos dos contribuintes. Segundo se lê na primeira página do “Jornal Torrejano” (5.Abril.2013), “Rodrigues quer município a pagar ‘livro de propaganda do regime’”. Este semanário informa que o “presidente da câmara de Torres Novas anunciou na reunião do executivo da passada terça-feira a sua intenção de mandar editar um livro de luxo às custas do município retratando os vinte anos de obras municipais da sua gestão. Carlos Tomé diz que se trata de uma acção de propaganda a seis meses de eleições, um livro de fotografias cujo custo ascende a mais de 12 mil euros”. Opinião partilhada pelo vereador do PSD, João Sarmento, que também merece um louvor. Pensa igualmente que a edição do livro é um acto de marketing político.

Um excelente lembrete. Não é a primeira vez, nem será por certo a última. Foi assim com a publicação da tese e agora com o álbum para a posteridade. Personnalité oblige! No tempo das vacas gordas, haveria quem fingisse que não via. Hoje, cai mal. Bastante mal.

Eis uma pessoa de algum mérito que acabou por nos desiludir. A princípio, fomos no conto da carochinha. Passados anos, confirmámos hipóteses e desvendámos incógnitas. Quiçá sem razão para surpresas, visto que o percurso está cheio de interrogações. Com ziguezagues à mistura.

Numerosos são os eleitores que, mais cedo ou mais tarde, terão de se confrontar com uma realidade terrível. A percepção que têm de certas personagens é pura ficção. A memória de um período supostamente decente, não devia fixar-se no tempo. Ela devia ser dinâmica, construindo-se em função do abismo entre promessas e verdades. Só deste modo se pode fazer o balanço de uma época.

Que pior pode acontecer a quem possui um ego de tal dimensão? Ora bem, ser censurado ou incompreendido. Existem situações em que as astúcias se revelam. E isso desgasta. Sobretudo alguém que se tenha habituado a ser elogiado a pretexto de tudo e de nada.

De facto, virá o momento em que até os devotos se interrogarão. É uma questão de tempo. A imagem não é lisa nem regular. O idiota do Relvas diz que a história o julgará, neste caso é o presente inventado que tarda a chegar.

Lemos algures que Colbert, ministro de Luís XIV, defendia que a arte da tributação residia em depenar o ganso, conseguindo o maior número de penas com o mínimo de bicadas. Ora bem, aproxima-se a ocasião dos gansos começarem a dar mais do que bicadas.

Quando o calote é grande e os bombons minguam, o milagreiro transforma-se num qualquer pirata de perna de pau. Embora sem olho de vidro, parece que anda mesmo com cara de mau.

Quando quem governa perde o decoro, os que cumprem perdem o respeito. Isto é puro Kafka, legítimo e verdadeiro.

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