SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 15 Junho 2021, 17:13

Psicopatas e políticos

Psicopatas e políticos estão uns para os outros, como o Zigue está para o Zague nas aventuras do Tintin. Distinguem-se apenas por uma ligeira diferença no bigode.

Segundo Kevin Dutton, psicólogo de Oxford e autor do livro “The Wisdom of Psycopaths”, alguns traços de personalidade que caracterizam os psicopatas — auto-estima exagerada, dons de persuasão, poder de sedução, ausência de remorsos e manipulação dos outros — são compartilhados com os políticos (“Scientific American” Out. 2012: 76-79). Quem tem este temperamento acredita poder fazer tudo o que quer, sem pensar nas consequências morais ou legais dos seus actos. Noutros termos: são audazes, carismáticos, intransigentes, presunçosos e desconfiados. Peritos em trapaças, prometem mundos e fundos a quem lhes sirva de trampolim. Não serão estes alguns dos elementos que caracterizam um número de governantes nossos conhecidos?

Não nos compete responder, pois há cientistas que se dedicam a estas investigações. No entanto, acreditamos que, devido aos comportamentos desviantes de parlamentares, autarcas e membros do governo, talvez possamos etiquetá-los como tal.

Temos ao alcance da mão um manual de psicologia que descreve as falhas no carácter destes indivíduos. Menciona que são insensíveis, inconsequentes, impulsivos e incapazes de admitir a culpa do que quer que seja. Um dos pioneiros no estudo desta matéria já tinha descoberto que, à primeira vista, deixam uma excelente impressão. Falam bem e mostram inteligência. Porém, burlam de maneira compulsiva e jamais sentem vergonha. Encontram justificações para tudo.

Nesta linha de pensamento, recordamos um filme de Robert Mulligan, “The Great Imposter” (1961), em que Tony Curtis interpreta o papel principal e onde actuam Karl Malden e Edmond O’Brien. Conta a história de um famoso trapaceiro.

Bastante mais recente é “Catch me if you can” (Apanha-me se puderes) de Steven Spielberg (2002), com Leonardo DiCaprio e Tom Hanks. Uma quase biografia de outro intrujão, que também vem na lista da “Time” entre os dez maiores “atletas” nesta disciplina.

Se aparecesse em Portugal uma película sobre o Sócrates ou o Relvas, estamos convencidos que seria um sucesso de bilheteira. Um “best-seller” cinematográfico, mistura de comédia e tragédia.

De facto, está provado que é raro o interesse dos eleitos coincidir com o dos eleitores. Até ouçamos julgar que o diagnóstico será idêntico: impostores descarados.

Por outro lado, a nova versão do DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) inclui as pessoas com “preocupações crónicas”, classificados como desnorteados mentalmente e com necessidade de tratamento psiquiátrico. Houvesse dinheiro no país e esta especialidade médica ficaria riquíssima ao cuidar dos milhões de compatriotas que se sentem “preocupados, aflitos, atormentados”. Outra doença com enorme potencial é a GAD (generalized disorder). Assemelha-se à ansiedade e é um tipo de angústia generalizada.

Indagámos um pouco e descobrimos que, de acordo com a definição, esta maleita existe quando o paciente manifesta aflição desmesurada no que toca à vida familiar, saúde, finanças ou emprego. Bingo! Aplica-se a quase toda a população do sul da Europa.

E não é para menos, visto que é dominada por malfeitores, como é fácil comprovar. Eis um exemplo tirado da cena nacional.

Há dias, demos com os olhos na entrevista que Glória Araújo, deputada PS, deu ao diário “I” (04 Fev.2013). Como já aqui referimos (18.01.2013), foi apanhada a conduzir com uma taxa de 2,41 gramas de álcool por litro de sangue. Um CRIME, conforme as leis da República.

Então não é que a “D. Glória” continua a sentar-se na Assembleia Legislativa? A ser paga com o dinheiro dos contribuintes, beneficiando assim das mordomias principescas a que parece estar colada.

Qual será a explicação dada pela justiça? Porquê tanta protecção? Como vamos obedecer a leis ditadas por gente deste nível? Será que os eleitores não questionam semelhantes excessos de poder? A bota não joga com a perdigota.

São eles e elas os responsáveis pela crise financeira, mas também pela dos valores. Alguém devia recomendar-lhes que se demitam dos cargos e que bebam sumo de laranja. Sem gás, para não arrotarem.

É por estas e por outras que em Portugal, não precisamos de consultar o DSM-5. Está claro e sem lugar a dúvidas.

Se um vigia espreitar pelo periscópio, verá políticos e psicopatas a desprezarem a vontade do povo. Ora bem, altere-se o rumo da navegação para superar a tormenta. Haveria menos ansiedade sobre o futuro da nação.

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