SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 07:42

Bugalhos caseiros e alhos da China

Está na moda acusar toda a gente pela decadência de centenas de cidades, vilas e outros burgos de Portugal. Com efeito, há quem tenha favorecido a construção de “shopping centers” e a venda de produtos importados e agora verta lágrimas de crocodilo pelo óbito anunciado do comércio tradicional.

A culpa é sobretudo dos xiitas laicos que, se não tivessem prometido um rol de ilusões perfumadas com bedum partidário, não teriam passado à fase posterior do Princípio de Peter. As carecas estão a descoberto e sabemos como, sem terrorismo verbal, nunca teriam enriquecido. Talvez por milagre do Santo das Troca-Tintas. Bugalhos do nosso rosário de sofrimento.

Baptista da Silva consubstancia o espírito do embuste nacional. E não é só aquele que tem Artur por prenome, pois espécimes desta fauna proliferam nos partidos, nas câmaras, nas PPPs, nos jornais e nas universidades dos confrades. Evocam o Estado de Direito, mas são tortos. Cresceram torcidos e enviesados, com currículos de fazer corar. Percorreram geometrias irregulares. É impossível levar a sério estes videirinhos à la Relvas.

Sabemos de trampolinistas com saltos de partido para partido. Alguns aterraram em cheio no bando então no poder. Também conhecemos quem se diga socialista, mas sirva o grande capital. Não importa a cor do gato desde que apanhe ratos. Fazem lembrar a República Popular da China, pátria do capitalismo maoista. Ou do maoismo capitalista. Uma blasfémia de se lhe tirar o chapéu.

São raros os que não lamentam o desaparecimento do comércio tradicional e dos produtos nacionais. No entanto, por cima ou por baixo da mesa, enriqueceram com as transformações. Fizeram “obras”.

Quando há meses fomos às compras no “Jumbo” de Cascais, reparámos que havia poucas mercadorias portugueses. Já tínhamos reparado, algum tempo atrás, que até os passarinhos congelados vinham da China. Desta vez, foram os alhos. Com franqueza, não haverá por aí um agricultor que plante umas jeiras de alhos?

Ainda ontem, aprendemos que muitos campos agrícolas desse país são fertilizados com esterco de galinha. Até aqui, nenhuma surpresa. O que desconhecíamos é a utilização de excrementos humanos.

Pouco a pouco, tornámo-nos um detective alimentar. A América do Norte produz uma elevada percentagem do que come, mas mesmo assim achámos que um número crescente de produtos “packed in Canada” ou “prepared for…” vêm principalmente da China. Idem com o peixe da mesma origem ou da Índia, Filipinas e Vietnam. Todos de higiene duvidosa.

Sempre que podemos, compramos nos mercados locais. Sobretudo fruta, produtos hortícolas e trutas. O sabor é óptimo, para não mencionar o seu valor nutritivo. Lemos no diário “Montreal Gazette” uma informação do governo que descrevia um método usado pela aquacultura oriental para a engorda de alguns tipos de peixe. Nem mais nem menos do que a aproveitação industrial das fezes de galinhas, criadas em capoeiras penduradas por cima das represas de água. Mais um exemplo da introdução de imundícies na cadeia alimentar.

Cerca de 70% da população dos EU e do Canadá são a favor da anulação imediata dos benefícios aduaneiros atribuídos à China. Compreende-se a dependência destas importações. Existe, porém, uma maneira de as evitar. Ao ver algo “made in China” (ou “made in PRC”), passe ao largo. Ficará positivamente surpreendido ao constatar que pode viver sem tanta “chinesice”.

As decorações de Natal ou os ovos da Páscoa em plástico serão indispensáveis? Afinal quem decide? Façamos que a arrogância lhes custe cara. Haveria menos exploração de trabalho infantil e não acumulariam montanhas de euros para adquirir empresas portuguesas ao preço da chuva.

Voltando aos alhos, há anos que recusamos o consumo dos que são importados do Oriente. Não hesitamos em comunicar estas preocupações ao merceeiro. Preferimos os que são cultivados na região onde residimos. O custo é elevado, mas são mais saudáveis e sem comparação no paladar.

Embora não tenhamos o hábito fazer resoluções de ano novo, prometemos boicotar os produtos do gigante asiático. No Canadá ou em Portugal, participaremos na luta dos nossos agricultores pela sobrevivência. Apoiaremos a economia local e adiaremos o agravamento da sua previsível ruína!

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