SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 21 Junho 2021, 23:02

Bem-haja Senhora D. Jacinta Trincão

Iniciámos a redacção dos parágrafos de hoje no Dia da Acção de Graças (Thanksgiving). No Canadá, cai na primeira segunda-feira de outubro. Nos Estados Unidos, celebra-se na quarta quinta-feira de novembro. É um feriado associado à família e aos amigos, quando se come peru e “pumpkin pie” (tarte de abóbora). Mais importante é o sentimento de gratidão pelo que de bom aconteceu durante o ano. Os agricultores agradecem as colheitas e os religiosos reconhecem as dádivas do Criador.

Para aproveitar uns momentos livres antes da chegada dos convidados, fomos dar uma vista de olhos a “O Almonda”, onde, logo na primeira página, tivemos o prazer de ler o seguinte cabeçalho: “Banda de Lapas promoveu homenagem pública a Luís António Trincão”. Vinha mesmo a propósito.

Já em 1998, tínhamos publicado neste semanário (N° 4177, p. 4) um apontamento com o Título: “Recordando o Sr. Luís António”. Nele, expressávamos a tristeza que então sentimos com o falecimento do amigo que muito admirávamos. Comentávamos que, com o passamento deste cidadão honesto e respeitado, a freguesia ficava mais pobre. Perdia um homem-bom que, de forma discreta, nunca negou ajuda a quem precisasse.

Passados catorze anos, com o país no estado em que está, onde manipuladores políticos enriquecem de um momento para o outro, passam a vida a empolar valores que não têm e raramente dão à colectividade o que quer que seja, é saudável descobrir que ainda existem cidadãos que, sem demagogias, se sentem orientados pela solidariedade. Revelam visão ao traduzirem em actos a nobreza de sentimentos que os guia. Crêem na cultura, aposta essa que devia constituir uma prioridade para as autoridades locais.

Pessoas imbuídas de um elevado espírito de altruísmo, fazem mais pelo bem-estar da comunidade do que os discursos balofos de quem põe o carreirismo pessoal acima de tudo.

Sabe-se como a sociedade portuguesa atravessa tempos difíceis. Quiçá por uma enorme percentagem da classe dirigente não estar à altura dos cargos que ocupa. Está no poder só para dele se servir e beneficiar a classe política a que pertence.

Com efeito, bastantes políticos deixaram de se esmerar no que fazem. Um ou outro ainda sente orgulho no trabalho bem executado, contudo, tal como os animais raros, encontram-se numa situação de pré-extinção. Temos pena, mas não podemos evitar que muitas espécies se extingam.

Éramos jovens quando aprendemos a respeitar um torrejano que foi um batalhador em prol dos seus conterrâneos. Durante décadas, foi o mecenas do concelho. Claro que estamos a pensar no Visconde de São Gião. E, agora, acrescentamos o nome desta Senhora a esse quadro de honra.

E olhamos para os residentes de Lapas, que, em equipa, procuraram uma solução positiva para o engrandecimento da terra. A SMUT necessitava de uma sede para a banda que mimoseia a povoação com tanta alegria e satisfação. Como referia este jornal, “uma ligação entre o passado e as necessidades do presente”, a pensar no futuro. E a Senhora D. Jacinta Amália Valente Rato Vieira Trincão que já tinha estabelecido a “Avó e Netos” respondeu à chamada, vindo ao encontro desse desejo.

Pois bem, um grande louvor para esta lapense. É uma notícia feliz para todos quantos prezam o trabalho das associações culturais e recreativas das nossas aldeias. Não deve ser apenas o público urbano a ter acesso à cultura, por vezes elitista e custosa para o erário público. Fora da cidade, não faltam nem lealdades locais nem competências que são menosprezadas por quem se orienta pelo compadrio e pela partidocracia.

Torna-se evidente que a Senhora D. Jacinta é uma pessoa que compreende os anseios e as dificuldades da sua comunidade. Trabalha em equipa. E por isso, em nosso entender, estão de parabéns tanto esta Grande Senhora como a população e os líderes da freguesia.

Para além da estima e do apreço, Lapas e Torres Novas têm igualmente para com a Viúva do Sr. Luís António mais uma dívida de gratidão por esta doação da família Trincão.

Também nós nos juntamos à merecida homenagem e desejamos à ilustre torrejana as maiores venturas pessoais. Bem-haja!

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