SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 15:57

Vale da Serra no Cabo do Bacalhau

A crise, a austeridade, o desastre financeiro condicionou as opções de férias dos portugueses. Os entendidos nesta matéria, não hesitam em afirmar que não se recordam de um verão tão mau como este. Na melhor das hipóteses, houve quem apenas tivesse férias a preto e branco, tal como o cinema de outras décadas. Para os cinéfilos da nossa geração, talvez no estilo de Bergman ou Fellini.

Para manter uma tradição com mais de quinze anos, viajámos até ao “Cape”. Os habitantes da Nova Inglaterra, em particular os do Massachusetts, quando se referem ao Cabo do Bacalhau (Cape Cod, em inglês), célebre área de vigiliatura da Costa Atlântica, abreviam para “the Cape”. Assim, há quem diga que vive no “Cape” ou que aqui passa as férias. Tem um determinado sainete, dado que é onde vivem muitos membros da família Kennedy (em Hyannis) ou onde políticos (Bill Clinton, Baraka Obama, Barney Frank) e escritores (Arthur Miller, Norman Mailer) têm ou tiveram as suas residências estivais, sobretudo em Martha’s Vinyard e Provincetown.

É sempre difícil regressar aos locais preferidos, pois as referências do passado ficam por vezes obscurecidas, quase irreconhecíveis devido à ferrugem do tempo. Para nossa surpresa, isso não acontece com a vila de Falmouth, onde gostamos de vir durante o fim do verão. Talvez devido ao conservadorismo das gentes deste recanto da América do Norte. Recorde-se que foi aqui que a Inglaterra perdeu a colónia que viria a chamar-se Estados Unidos.

Constitui para nós um grande privilégio as amizades que aqui temos: umas dos tempos em que frequentámos a Universidade de Indiana, outras mais recentes. É esse o caso da D. Maria Cremilde Carvalho Butler, natural do Vale da Serra, e do Peter Butler, um torrejano por afinidade que conhece perfeitamente a nossa região.

É com agrado que revivemos com a D. Maria Cremilde os tempos do mercado semanal das segundas-feiras, na Torres Novas da década dos anos cinquenta e sessenta. É igualmente com prazer que aprendemos coisas novas com o marido, um engenheiro de informática. Além da sua capacidade técnica, também aprendeu português na Universidade do Massachusetts e ainda ontem lhe descobrimos outro talento. De facto, é um exímio saxofonista. Toca numa banda em companhia de reformados, estudantes, professores e crianças de tenra idade que nos deliciaram com um concerto de diversos tipos de música. Ao fresco da brisa do mar, a festa que se efectuou no auditório a céu aberto do porto de Falmouth terminou com marchas de John Philip Sousa!

Após um jantar de espadarte grelhado ainda a saber a mar, servido com uma bela salada de tomate, pimentos e cebola à portuguesa, tudo bem acompanhado por um “sauvignon blanc” neozelandês, gostámos de ouvir as opiniões deste “torrejano do Vale da Serra”. Desta vez, referir-nos-emos ao seu caderno de impressões sobre a urbe almondina.

Entre outras, citamos as seguintes: “foi na rede viária e nas infraestruturas de base que se verificaram os maiores progressos dos últimos anos. Se exceptuarmos o exagerado número de rotundas, circular em Portugal é muitíssimo mais fácil”. Outra interessante opinião tem a ver com as ruas estreitas das aldeiras, onde é bastante dificil conduzir, sublinhanho também que, nas estradas secundárias, as curvas e contra-curvas são uma constante que cansa quem não estiver habituado. O Peter realça que muitos automobilistas não respeitam os limites de velocidade e não é raro encontrar quem passe tudo e todos, acrescentando de imediato: “nunca vi ninguém a ser multado”.

A moradia do casal Butler é facilmente identificável. Como se pode ver na foto que ilustra o artigo de hoje, é com grande orgulho que hasteiam a bandeira das quinas ao lado da “stars and stripes” americana.

Por nos encontrarmos a desfrutar de uns dias de descanso à beira-mar, ficamos por aqui. É sempre com prazer que descobrimos torrejanos que honram a nossa terra. Um grande louvor para estes conterrâneos de Vale da Serra que também são assinantes deste semanário.

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