SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 21 Junho 2021, 23:29

Olímpicos e Paraolímpicos

Da crónica dominical que Alberto Gonçalves publica no “DN”, retivemos a sua opinião sobre a participação portuguesa nos jogos de Londres: “É difícil distinguir se a ‘nossa’ participação nas Olimpíadas é sincera ou uma paródia. No mínimo trata-se de uma paródia sincera: há atletas que desaparecem, atletas que perdem com os últimos do respectivo ranking, atletas que aproveitam para fazer os seus piores tempos dos últimos tempos, atletas que celebram oitavos lugares e, em geral, atletas que concentram todo o esforço no acto de esclarecer a populaça que não estão ali para ganhar coisa nenhuma. A delegação nacional só é óptima nos preliminares, desde a escolha das roupas até ao desfile na cerimónia inaugural. O resto, leia-se as provas de facto, é uma mera formalidade que os campeões lusitanos cumprem, se cumprem, com enfado” (5.08.2012).

E, no dia seguinte, lemos uma carta endereçada à directora do “Público”. Nela, um leitor de Penafiel indignava-se nos seguintes termos: “É premente uma entidade qualificada, exterior, competente, que faça o estudo, o levantamento, sobre o que fazem, em que é que são úteis os excessivos membros da embaixada numerosa que acompanha os atletas nobres, e se tamanha comitiva se justifica tão alargada, tal como a despesa que acarreta e de retorno mais do que duvidoso” (6.08.2012, p. 44).

Tencionávamos opinar sobre o mesmo assunto, mas chegámos à conclusão que não tem interesse acrescentar seja o que for. Ficou tudo dito.

Por sorte, achámos um amontoado de anotações a propósito dos últimos Jogos Paraolímpicos. Foram redigidas há quatro anos. Tínhamos ficado felizes por o nadador João Martins ter conquistado a medalha de bronze nos 50 metros costas. Até conservámos um recorte d’O Almonda a informar que “em ano de expectativas goradas nas Olimpíadas, nos Paralímpicos, os atletas portugueses conquistaram já seis medalhas” (19.09.2008, p. 20).

Acreditamos que merecem mais destaque as distinções obtidas por compatriotas nossos, sem gastos disparatados. Damos um exemplo recente: os meios de comunicação social “esqueceram-se” de dar a devida importância à equipa das quinas que se consagrou campeã do mundo de atletismo de cidadãos com síndrome de Down (trissomia 21).

É pena, porque estes desportistas com tremendos desafios físicos honram Portugal e inspiram-nos para que também nós nos possamos bater pela realização do nosso potencial humano. Assim fosse toda a nação.

Os próximos Jogos Paraolímpicos começam a 29 de agosto. Iremos ter a alegria de ver os concorrentes do nosso país a subirem ao pódio. Ouvirão o hino mais vezes do que as “vedetas” que, com raríssimas excepções, em nada dignificam o estandarte verde-rubro.

Vem a talhe de foice mencionar que a evolução dos Paraolímpicos tem sido meteórica. Em 1948, a primeira competição limitou-se à modalidade de tiro ao arco entre paraplégicos e coincidiu com a XIV Olimpíada, igualmente em Londres. Em 2012, o número de participantes já ultrapassa quatro mil em representação de 150 países.

Sessenta e quatro anos mais tarde, a capital britânica serve de palco tanto aos Jogos Olímpicos como aos Paraolímpicos. Numa deliberação inteligente, o “International Olympic Committee” determinou que ambos se efectuassem uns após os outros, na cidade anfitriã.

No meio dos facilitismos lusofónicos, onde imperam ineptos e mentecaptos governados por imbecis, é grato constatar que ainda há quem saiba competir e ganhar medalhas a sério. Um grande louvor para os nossos representantes nas “Outras Olimpíadas”.

Como diria o Barão Pierre de Coubertin:  «Citius, Altius, Fortius» (mais rápido, mais alto, mais forte).  Ainda bem!

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