SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 21:07

Histórias Paralelas de Insolvências Ocultas

Portugal transformou-se num palco de dramas legais e seria conveniente que o povo pensasse no exemplo de Licurgo, o legislador de Esparta a quem se atribui o seguinte princípio: “o importante das leis não é que sejam boas ou más, o importante é que sejam coerentes”.

A inspiração para as linhas de hoje veio da carta de intimidação recebida por um munícipe que quis saber como era gasto o dinheiro dos contribuintes, a que se juntou a leitura das notícias que vieram confirmar o se suspeitava sobre as construções escolares.

Segundo o “Diário Económico” (24.03.2012), “A Parque Escolar realizou despesas e pagamentos ilegais que ultrapassaram os 492 milhões de euros, a 43 contratos de empreitada e de aquisição e locação de bens e serviços, entre 2007 e 2009, ‘em virtude da não submissão a visto do Tribunal de Contas’, lê-se no relatório da auditoria. Para os contratos de empreitada a empresa fez uma despesa ilegal de 256 milhões de euros e na aquisição de bens e serviços a empresa pública gastou 236 milhões de euros ilegalmente”.

Onde tem estado o Tribunal de Contas? Só agora é que se vem pronunciar sobre esta irresponsabilidade financeira? Recordamos ter sido publicada, num semanário regional, que o mesmo tribunal divulgou que um autarca conhecido não cumpriu a lei sobre a declaração de rendimentos. Cumpre indagar se o seu advogado intimidou o Tribunal de Contas por ter revelado essa fraude?

Trata-se de um fenómeno que exprime de modo eloquente o espírito do tempo. Os interesses da maioria dos portugueses que tão mal representados estão nesta partidocracia deviam exigir a limitação dos privilégios da casta que os oprime. Ao esticarem o elástico para além do limite, a bomba ainda vai explodir-lhe nas mãos, visto que a população está a ficar irritada e é de temer o pior. Se tivessem energia, haveria outra revolução. Não como a do 25 de Abril, mas como a francesa de 1789 que começou pela revolta contra os impostos e continuou com a guilhotina a cortar as cabeças dos privilegiados.

Portugueses explorados e humilhados. Trabalham como escravos, porém, ao contrário da escravatura que foi abolida em 1878, os “donos” não os alojam, alimentam ou vestem. Levam-lhes tudo em contribuições, no entanto não cumprem a outra parte do contrato. Qual é a justificação para os impostos e taxas? Pense-se na saúde, na educação, na segurança, no futuro negro que espera o país. Perguntem onde se fazem tratar os membros da casta. Quais as escolas onde estudam os seus filhos?

Daqui se conclui que, para “eles”, a partidocracia nacional é uma das indústrias mais lucrativas destas paragens. Fazem crer que vivem em democracia, quando na verdade estão a vigarizar o Zé Pagante. Os exemplos são numerosos. É triste verificar como foi tão fácil lavar o cérebro de milhões de cidadãos.

De facto, andam por aí uns figurões que nem sequer coram ao dizer que Portugal é uma democracia. Esta gentalha fez leis que blindam os seus julgamentos, mas servem para amedrontar quem lhes descobre a careca. Como se monarcas fossem, ficam amuados e fazem birras. Foram eles que fizeram da corrupção um tabu. Confrontados com uma perguntita sobre o destino do dinheiro extorquido aos contribuintes cuja carga fiscal é das mais elevadas do planeta! então arreganham os dentes.

Nada funciona, porque tal é no interesse de quem beneficia do caos jurídico em que vive a nação. Fazem de propósito. É esta “elite” parasítica que se aproveita da “democracia”. Talvez seja mais adequado chamar-lhe partidocracia. Com efeito, qualquer pacóvio em lugar elegível na lista do partido tem assegurado o futuro à custa do erário público. Com ou sem mérito pessoal, nem idoneidade moral. É um fartar vilanagem.

Para muitos edis e outros governantes, o escândalo é a forma berlusconiana que utilizam para gerir conflitos de interesses. Ninguém consegue meter-lhes na cabeça que despesas pessoais e despesas públicas são realidades que têm de ser rigidamente e rigorosamente separadas. Que o culto desenfreado da personalidade é uma doença do foro psicológico. Quiçá um pecado para os que se dizem cristãos. Uma incoerência para os maçons.

Nesta alquimia onde se misturam espertezas saloias, grandes egos, ilusionismo e retórica popularucha, a palavra deles é como o vinho feito a martelo, cada vez leva menos sumo de uva. É tudo maquilhagem.

Gente a quem tem sido atribuído um valor exagerado, mais preocupada com pechisbeques ornamentais do que com o bom senso financeiro. Alguns foram abençoados com o maná bíblico: o popó é de uma entidade pública, a gasolina e as portagens são à nossa conta. Têm olho!

Será que a falta de decoro chegou ao ponto de atemorizar um cidadão que faz perguntas? Andaram a convencer o pagode que isso apenas acontecia no tempo do Doutor Salazar. Ora bem, aqui temos exemplos bem elucidativos a provarem que os pseudo-democratas e licenciados da mula ruça utilizam métodos idênticos. Se não nos acautelamos, este reviralho ainda vai bater aos pontos o regime pré-25 de Abril. E atenção, o exagero não é grande.

Loucos furiosos que não suportam opiniões diferentes, uma entorse de chumbo própria das “democracias” terceiro-mundistas. Uma epidemia com o vírus a contaminar tudo. Administraram os nossos impostos de forma ruinosa e, até ver, a inimputabilidade tem sido total. E não vai ninguém preso? Parece que a estupidificação também se enraizou.

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