SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 21:49

Continuidade e Permanência

Com o Natal ao virar da esquina, começámos a lista das prendas que gostaríamos de receber. E, no topo, não hesitamos em pedir mais integridade da parte dos políticos que levaram Portugal à bancarrota. Nada mais, nada menos: que deixem de nos vigarizar. Não será exagero afirmar que ultrapassaram os limites de toda a conveniência nas relações com o resto da população. Estamos fartos dessa fauna.

Foi Abraham Lincoln, o presidente do partido republicano que libertou os escravos americanos, quem disse que “pode-se enganar toda a gente durante um certo tempo, pode-se mesmo enganar algumas pessoas todo o tempo, contudo é impossível enganar toda a gente em todo o tempo”. Aplica-se integralmente aos novos-escravos portugueses que estão a pagar pela incompetência e pelo enriquecimento pessoal de tantos políticos.

Como sabemos, ninguém dá nada a troco de nada. Devia ser maior o número de conterrâneos “sinceros”. Palavra que vem de “sine cera” (sem cera) e que em latim designava o mel puro, logo sem mistura com cera. Pois bem, não “encerem” os figurões que vos defraudam a torto e a direito.

Após terem sacudido a água do capote, andam por aí à solta muitos destes figurões. Estão convencidos que monopolizam a razão. E também é triste constatar que nem no tempo da “outra senhora” houve tantos mudos por conformidade. Será por medo da prepotência dos valentões de capoeira? Sim é verdade que, apesar de terem tido uma breve presença num qualquer 5 de Outubro, crêem ter o rei na barriga.

Não podemos esquecer que reinos e impérios passam à história. Caem umas ditaduras e surgem outras. Tsunamis políticos acontecem com certa frequência, até numa mesma geração. “Planta-se hoje trigo nos terrenos onde outrora existia a cidade de Tróia”. Ovídio dixit.

Estes trapaceiros são peritos na arte de convidar a imprensa para o anúncio de uma obra, mais tarde convidam-na de novo para a assinatura do contrato, depois para o lançamento da primeira pedra, e, como não podia deixar de ser, idem para a inauguração. Por vezes, apenas para apregoar a chegada de uns tostões vindos do respectivo partido, mesmo que este roube milhões. O objectivo é ver os nomes nos jornais. Fingir que não param. De preferência com fotografias ao lado de alguém que se veja todos os dias nos telejornais.

Conhecemos alguns destes espertalhões que demonstraram aptidão para a conquista do poder, porém agora damo-nos conta que estão a cometer, pelo menos, dois erros de envergadura. O primeiro é que, por muito que falem dos “camaradas” estão a retornar às ideologias dos partidos a que estiveram antes ligados. Em segundo lugar, não entendem que nem todos os cidadãos têm uma memória curta ou assobiam para o lado. Sobretudo no que toca a promessas efectuadas em períodos eleitorais. E não só.

Os panegíricos que fizeram a corruptos e ladrões não desapareceram dos arquivos de jornais e do Youtube. O cenário mudou e a viragem é uma realidade. Só a dívida é que não vai ser liquidada. Mas as obras ficam, dizem eles. Umas úteis, é verdade. Outras não eram prioritárias. Quanto a gastos desnecessários…é melhor não falar.

Impõe-se um pouco mais de humildade. Como diria Medina Carreira, “Somos um país de mendigos com carros dignos da Arábia Saudita”. Quem tem visões megalómanas terá de fazer-se curar por um oculista. Ou se o problema não estiver na vista, então a solução é consultar o psiquiatra.

A primeira vez que nos enganaram, foram eles os culpados. À segunda vez, a falta é nossa.

Não esqueçamos que todos os demónios foram previamente anjos. São anjos rebeldes que se fixaram no mal, no entanto quem vive hoje num autêntico inferno são os anjinhos que votaram neles. Ainda há uns pequenitotes de espírito que teimam em olhá-los com veneração e estima.

Os seres humanos são deveras complicados. Comportam-se de maneira diferente em casa, em público, no trabalho ou na cena política. Afirmaram ontem ao Zé, o que negam agora ao Manel. É que a arte de agradar encobre com frequência a arte de enganar.

Este fim de Dezembro vai ser triste para a maioria dos portugueses. Apesar da crise, e como é hábito, nada acontecerá na “casta dos protegidos”. Para eles e para as respectivas famílias, continuará tudo na mesma.

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