SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 20 Junho 2021, 11:03

Abelhas, Agricultura e Comida Saudável

 

Vimos há dias o filme “Queen of the Sun” (Rainha do Sol). Como tantos documentários semelhantes, preconiza o regresso à terra e o respeito pela natureza.

 

De Taggart Siegel, já tínhamos visto “The Real Dirt on Farmer John” (A verdadeira sujeira do agricultor John). Desta vez, este cineasta trata de abelhas. O indispensável papel que desempenham na agricultura e o sua desaparição em diversas regiões do planeta.

 

Tece considerações sobre uma série de iniciativas no sentido de evitar que a situação não se agrave. O realizador obriga os espectadores a reflectirem sobre a mensagem. Afinal de contas, o que é que isto significa?

 

Os proponentes do movimento “Slow Food” insistem que devemos fugir dos McDonald’s, das Pizza Huts e das “comidas rápidas”, como o diabo foge da cruz. Defendem, do mesmo modo, que sem abelhas não há agricultura ecológica. Tampouco comida saudável.

 

Por muito complexos que sejam estes insectos, foi logo nos primórdios da evolução que os seres humanos tentaram compreendê-los. De facto, o estudo das abelhas e do mel é tão antigo como a existência do homem.

 

Há registo de que Alexandre o Grande foi enterrado num caixão cheio de mel e, embora com enormes erros, a apicultura ocupa algum espaço na “História dos Animais” de Aristóteles. A Bíblia e o Corão também lhe fazem numerosas referências e, como se sabe, a prometida Canaã dos hebreus é descrita como “a terra do leite e do mel”.

 

Em 1901, Maurice Maeterlinck publicou “A Vida da Abelha”, mas é com Karl von Frisch, Prémio Nobel de 1973, que este ramo da investigação científica se tornou importante. Tinha sido descoberta a “linguagem das abelhas”.

 

Se assim é no que toca a abelhas e mel, também não é raro encontrar artigos sobre os alimentos que protegem a saúde. Um dilúvio de informações na imprensa e nos blogues, quase sempre contraditórias.

 

À primeira leitura, ficamos com a impressão que se encontrou o remédio para as doenças em voga cancros, diabetes, hipertensão, Alzheimer, depressão. Quando seria mais útil acentuar que “a melhor solução para um problema é evitá-lo!”

 

Se nos dermos ao trabalho de pensar sobre esta matéria, forçoso é reconhecer que os nossos antepassados não tinham de se confrontar com alguns destes problemas. Teriam outros, por certo. Os tempos eram diferentes.

 

Ora vejamos alguns exemplos. O pão escuro e a broa de milho cederam o lugar ao pão alvo. As maçãs e as uvas são vistosas, mas chegam ao mercado sobrecarregadas de produtos químicos. Em substituição das proletárias sardinhas, tornou-se chique consumir camarões “cultivados” em países com condições de higiene deficientes. A maioria dos frangos de supermercado é produzida em “fábricas” onde não penetram os raios solares.

 

Com o comer, repete-se o que se passou com o vestir. Dantes ia-se ao alfaiate para confeccionar um fato, à modista para uma blusa. Esses profissionais tomavam as medidas do ou da cliente e faziam provas para verificar que a peça de roupa em questão assentava perfeitamente. Hoje, é o pronto-a-vestir. E à mesa é o pronto-a-morrer. Perdão, pronto-a-comer.

 

Para quem possui mais meios, a reacção não se fez tardar. Agora está na moda a agricultura biológica. Que grande “invenção”! Esqueceram-se, que até data recente, o cultivo dos campos em qualquer canto de Portugal e do mundo se fazia sem recurso a adubos ou pesticidas químicos. Utilizava-se o que havia de mais natural: esterco e composto orgânico.

 

O debate continua. Simultaneamente, somos todos iguais e todos diferentes. Há no entanto pessoas que são mais vulneráveis do que outras, visto que os genes, a hereditariedade, o ambiente (poluição) e os hábitos individuais (tabagismo, alcoolismo) entram na equação. E é impossível contradizer que a má nutrição é responsável por uma variedade de problemas de saúde: desde a obesidade até às doenças cardiovasculares.

 

Fomos na onda e consumimos com bastante frequência ómega 3, brócolos e chá verde. Há longos anos que aprendemos a ler os rótulos e as etiquetas. Quando a indústria agro-alimentar adiciona demasiados produtos sintéticos ao que queremos comprar, é devolvido à prateleira.

 

E como estamos no verão, regalamo-nos com legumes grelhados ao de leve na chapa do churrasco: rodelas de cebola, dentes de alho, pimentos, tomate, fatias de beringela, courgettes amarelas, etc. Um regime equilibrado com base em produtos naturais. Talvez acompanhado de um copito e, para fechar, uma salada de frutas locais com umas colheradas de mel.

 

Um louvor para as abelhas. Sem elas, não teríamos a doçura do mel nem a polinização das plantas que nos mantêm vivos.

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