SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 13:10

Nos Antípodas – Sydney (onde vivem torrejanos)

 

Sydney é uma cidade vibrante e cosmopolita. Terá em breve cerca de cinco milhões de habitantes, que se orgulham de viver num meio ambiente de grande beleza. Com amplas vistas do mar. É, sem dúvida, a cidade mais bonita do planeta. Ou, pelo menos, uma das mais atraentes.

 

Foi redescoberta pelos telespectadores que seguiram os Jogos Olímpicos do ano 2000. Actualmente, pode comparar-se com Melbourne, Hong Kong, São Francisco ou Cape Town.

 

O porto, que mais parece um imenso e bem-proporcionado fiorde, é imponente: 25 km sem poluição, com milhares de barcos à vela, o arco férreo da Harbour Bridge e a Opera House, um autêntico ex-libris com deslumbrantes telhados angulares. No Circular Quay, impressiona o vai-e-vem constante de ferries cheios de gente a correr para o emprego nos arranha-céus das ruas adjacentes.

 

Nas baías e enseadas, encontram-se dezenas de praias fabulosas. Algumas, Bondi e Manly, tornaram-se referências mundiais, sobretudo entre os amadores de surfing. Mesmo à porta: Bronte, Shelly, Maroubra, Tamarama, Coogee e por aí fora. Mais a norte: Collaroy, Avalon e Palm Beach.

 

Há respeito pelos cidadãos. A Austrália é um país de regras claras. Quem não obedece é multado e as coimas não são pequenas. Num bom número de praias, não é permitido jogar à bola, lançar frisbees ou fazer voar papagaios de papel. Até é proibido fumar. Não vimos banheiros a alugar toldos, nem vendedores de gelados. Por isso está tudo limpo. E todos colaboram. Incluindo as municipalidades.

 

A este propósito, citamos um aviso da Câmara Municipal de Gosford afixado numa pequena mata entre Ettalong e Umina Beach. Em causa estava a danificação de uma árvore: “Este acto de vandalismo constitui um crime. A Câmara está a investigar com o fim de descobrir os responsáveis deste atentatado ao património comunitário e agradece a participação dos munícipes na identificação dos culpados…É favor contactar a vereação”. Imagine-se o mesmo em Portugal, onde é tão frequente serem os próprios autarcas que cometem ilegalidades de bradar aos céus. Sem qualquer punição.

 

Na companhia do meiaviense Fernando Matos Branco, fomos almoçar no Nielsen Park e visitámos Shark Beach (Praia dos Tubarões). Apesar dos banhistas estarem protegidos por uma rede metálica antiesqualo, só o nome chega para muitos estrangeiros se limitarem a molhar os pés. Há quem, como nós, prefira ficar-se pela admiração dos iates, caiaques, hidroaviões e navios que passam ao largo.

 

Se, por um lado, a parte velha tem um ar decididamente britânico, encontram-se avenidas e ruas no CBD (Central Business District) que mais se assemelham às de Manhattan do que às de Londres.

 

Aqui estão sediadas as multinacionais do comércio, a alta finança e os hotéis para ricalhaços. Embora seja elevado o número de turistas neste “fim do mundo”, a percentagem de portugueses em férias é insignificante. No entanto, dezenas de milhares de compatriotas emigraram para estas paragens e, diga-se em abono da verdade, com bastante sucesso. Conseguiram os resultados pretendidos.

 

Um deles é o João Luís Lopes, primo do autor destas linhas, em cuja moradia passámos um agradável fim de semana. Torrejano dos quatro costados, lê “O Almonda” da primeira à última página e não perde as transmissões do campeonato nacional de futebol. Com ele e com a esposa, andámos por uma sucessão de bairros e deambulámos pela Baixa, sobretudo por um parque denominado The Domain, onde visitámos a Art Gallery of New South Wales.

 

Neste museu, enchemos os olhos com cores dos quadros de pintores australianos. De interesse para qualquer antropólogo, é a colecção de arte aborígene. Também caminhámos pelo Royal Botanic Gardens, com magníficos espécimens da flora austral, e, no Palm Grove, tivemos o prazer de ver uma colónia de “fruit bats” (ou “flying foxes”). Estes morcegos são do tamanho de um coelho bravo e, durante o dia, dormem pendurados em árvores de vasto porte. De cabeça para baixo, como é seu hábito.

 

Foi com o João Luís e a Lucy que nos deslocámos até Petersham, o “Little Portugal” de Sydney, onde se concentram os restaurantes portugueses mais frequentados pelos australianos. Por exemplo o “Gloria’s Café” e o “Silva’s”. Outra ligação com Torres Novas: os melhores pastéis de Belém vendem-se numa pastelaria que foi, até data recente, propriedade de conterrâneos associados ao Café Planalto.

 

Durante quase todo o tempo, fomos alojados no apartamento do Fernando e, apesar de estar situado a setenta e tal quilómetros de Sydney, deslocávamo-nos com facilidade de Ettalong e Umina até à capital do Estado. A estação ferroviária que serve a região chama-se Woy Woy. O nome é simpático. Como é, em geral, o conjunto da toponímia autóctone: Wooloomooloo, Wollongong, Parramatta, Turramurra, Warringah, Woollahra, Kirribilli, etc.

 

Ouvimos repetidas vezes, e podemos confirmar, que existe uma outra Austrália para além da agitação de Sydney. Para quem desejar libertar-se da lufa-lufa desta megalópole, depressa se chega ao bucolismo das Montanhas Azuis (Blue Mountains) e aos vinhedos do Vale do Rio Hunter (Hunter Valley).

 

Será esse o tema de um próximo apontamento.

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