SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 21:16

Inverno com o FMI à porta

 

Levantámo-nos cedo e, ao olhar pela janela, reparámos que a relva do jardim tinha desaparecido por baixo da alvura que a protegerá até à primavera. Os flocos de neve não cessavam de cair e alguns pegavam-se aos vidros. Pareciam moscas brancas, fazendo lembrar enxames a tombarem do céu. Foi a chegada do inverno.

 

Demos em seguida uma olhadela pela imprensa e constatámos que, por fim, os responsáveis pelo cataclismo português os mesmos que andaram ano após ano a dizer que ia tudo bem foram forçados a reconhecer que o país se encontra, sem rei nem roque, a atravessar um período assaz conturbado. Grande novidade! Ainda em 2008, o actual “génio” chamado Teixeira dos Santos andava a apregoar que as finanças nacionais estavam em ordem.

 

Presentemente, é mais difícil cair no conto do vigário governamental. Se os vulgares malabarismos para consumo indígena deixaram de convencer o pagode, imagine-se o descrédito no estrangeiro. O FMI, a União Europeia ou a Alemanha estão-se nas tintas se o timoneiro-mor e os seus bulímicos fãs lançaram na pobreza milhões de portugueses. O que os preocupa é a probabilidade de não reembolso dos empréstimos. Por isso, cobram juros semelhantes aos dos africanos de alto risco. Uma questão de cálculo estatístico, pois sabemos como os calotes do Estado, das empresas públicas e dos municípios ultrapassaram os rendimentos.

 

De facto, nem aqui nem lá, se acredita na seriedade de um partido que finge não compreender a psicologia particular e os tiques nervosos dos seus membros em permanente forrobodó. Na Wall Street, na City ou em Frankfurt, estão conscientes que o  “eng.”, o bando dele e os “habitués” da loja perderam o pé.

 

Quer seja na cena nacional ou local, há quem, para satisfazer a vaidade, ande a ombrear com personagens sobre as quais recaem a maioria das culpas. Até as trata por “tu”. Um verdadeiro Mozart de habilidades políticas.

 

Vem a talhe de foice recordar que o antigo primeiro-ministro que levou a Islândia à falência tem um processo em tribunal. O mesmo aconteceu a Jacques Chirac, o ex-chefe de Estado francês de 1995 a 2007. Terminado o mandato,  foi submetido a julgamento pelas falcatruas cometidas quando serviu, de 1977 a 1995, como presidente da câmara de Paris. Como declarou o juiz,  por “prise illégale d’intérêts” (cf. « Le Monde » e « Le Nouvel Observateur »). Por outras palavras: corrupção, desvio e má administração de dinheiros e rendimentos públicos. Se houvesse justiça em Portugal, devia-se proceder da mesma forma.

 

Em consequência das injustiças e das irresponsabilidades da nossa administração, há bastante gente a viver em desassosssego, revoltada com a confusão generalizada. As nuvens negras não vão desaparecer a curto prazo dos céus lusitanos.

 

É fácil de ver como este governo hipotecou o futuro da próxima geração. Nem sequer é necessário ter em consideração as centenas e centenas de milhões para pedinchar todos os dias. Pense-se também na debandada dos cidadãos mais motivados.

 

Como afiança o professor Álvaro Santos Pereira, “a população portuguesa já entrou em declínio. A nova vaga emigratória, aliada a um saldo natural negativo, está a provocar um decréscimo populacional. Mais de 700 mil portugueses 6,5 por cento da população emigraram entre 1998 e 2008”. O referido investigador calculou “que de 2007 a 2008 cerca de cem mil portugueses terão abandonado o país” (Público” 29.11.2010), sendo uma elevada percentagem deste êxodo jovens com formação superior. Que sangria!

 

Por este caminho, só restarão os funcionários públicos, os “boys” e “girls” com o cartãozinho e, como é óbvio, os profissionais da política e outros coveiros da nação.

 

Não percebemos patavina, mas duvidamos se conseguirão pagar os juros sem mencionar o principal! Depois de terem encorajado a produzir menos (agricultura, pescas, têxteis), aumentado as importações e sugado o último cêntimo dos contribuintes, isto acaba mal. Vai tudo por água abaixo.

 

Recordamos uma frase do poeta César Vallejo: “el hombre es un lóbrego mamífero y se peina” (o homem é um mamífero triste que se penteia).  Pois bem, parafraseando o ilustre peruano, diríamos que na Lusalândia sobrevivem mamíferos com uma produtividade terceiro-mundista que julgam poder consumir como os alemães. Nesta época do ano há mesmo quem acredite no Pai Natal, mas lá para Janeiro as contas do Visa e do MasterCard terão de ser pagas. Os bancos não perdoam. Sobretudo a Marias e Zés despenteados. Talvez o FMI venha para gerir a bagunça. Uma nação que teve um império vai transformar-se numa colónia da Europa, da China ou…do FMI. Acabou o bom tempo e a soberania também se foi.

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