SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 01:39

Chomsky e a Confusão Mediática

 

Vive-se em Portugal como se fosse um país rico, com políticos responsáveis e gestores competentes. Como se os portugueses pudessem viajar na primeira classe do TGV com um bilhete de segunda. Ou mesmo de terceira, como na antiga CP.

 

Leitores haverá que leram, no semanário “Sol”, um artigo de José António Saraiva do qual respigamos o seguinte: “Os salários vão baixar (lenta ou abruptamente) entre 10 e 30%, os horários de trabalho vão aumentar (com a abolição total das horas extraordinárias), o 13.º e 14.º meses vão ficar em causa, a idade da reforma também vai ser ampliada (para perto dos 70 anos), o rendimento mínimo garantido vai regredir, o subsídio de desemprego também vai  diminuir, a acumulação de reformas vai ser limitadíssima.” Esperemos que a totalidade da profecia não se concretize, embora saibamos que terão de ser tomados alguns destes “remédios”. Com ou sem FMI e União Europeia à mistura.

 

Parece que o “Sol” foi processado por figurões que não gostam de que se fale deles. “Malharam-lhe”, como tinham avisado. Neste aspecto, cumpriram o prometido. A citação do primeiro parágrafo ilustra de forma eloquente o que os media controlados pelo partido não divulgam ao Zé Povinho que votou enganado.

 

Se pela Lusalândia continuam a confundir-nos, a imprensa mundial há meses que vem analisando, sem rodeios, a situação caótica das finanças nacionais. Guardámos para recordação o “Dagens Nyheter” de 19 de Maio, com uma série de artigos sobre a crise portuguesa.  E nem sequer é necessário saber sueco para traduzir um dos títulos “social katastrof”. A mesma a que alude António José Saraiva.

 

Nas últimas semanas, acelerou-se a presença portuguesa na imprensa financeira internacional (“Wall Street Journal”, “Financial Times”) e, com maior abundância, nas revistas e jornais alemães. Pintam Portugal em tons cinzentos, para não dizer negros.

 

As vuvuzelas governamentais e autárquicas querem ensurdecer os ouvidos dos contribuintes repetindo que a crise é universal. Que as dívidas são boas para a economia. Não é bem assim. Os juros têm de ser pagos e, por não existir vontade politica para reduzir as despesas, aumentam os impostos e centenas de taxas. Grande “obra”! Merece mais uma placa em mármore.

 

De novo, esquecem-se que tirando os países do sul da Europa e a Irlanda, são numerosas as economias a funcionar sem pedinchices nem humilhações. Nalguns países, os dados estatísticos mostram aumentos na produção e nos rendimentos. É o que acontece com a Alemanha, a Holanda e as nações escandinavas. Para não indicar a China, Índia, Brasil, Austrália, Nova Zelândia, Singapura ou Coreia do Sul. O mundo é imenso e o eurocentrismo não está na moda.

 

Então como é que se pode explicar a confusão dos eleitores portugueses? Ora bem. Encontraremos alguns elementos da resposta em Noam Chomsky, o linguista da gramática generativa que também ficou famoso por ter denunciado os métodos de manipulação da opinião pública. A sua lista de “Estratégias de manipulação mediática” explica como somos levados à certa sem dar por nada.

Comecemos pela Estratégia da Distracção. Sabemos como o regime pré-25 de Abril utilizava a técnica dos três efes (Futebol, Fátima, Fado) e constata-se que o actual governo segue pelo mesmo caminho. De facto, enquanto se fala de futebol ou do sexo dos anjos, enquanto se discute banalidades, vão para segundo plano as tramóias de que a população é vítima.

Os governantes também são peritos na segunda estratégia: Criar problemas para depois propor soluções. Como nas falências bancárias, nas negociatas da  PT ou nas companhias de construção e obras púbicas. A terceira chama-se Gradação, que se pode verificar na imposição a conta-gotas de medidas inaceitáveis e impopulares. No que toca à quarta, ou seja a do Deferido, basta ouvir os discursos com um mínimo de atenção. Dizem sempre que são forçados a tomar medidas dolorosas, que têm bastante pena, mas que apenas serão aplicadas no futuro.

Uma quinta estratégia faz parte da tradição lusitana: Dirigir-se aos cidadãos como se fossem crianças. Outra bem nossa conhecida é o recurso à Emoção, desencorajando a reflexão. Em tais circunstâncias, entram insidiosamente no inconsciente colectivo para impor medos.

A chegada dos “Novos Facilitismos”, das não-reprovações escolares e das licenciaturas a martelo provam que Chomsky não se enganou na estratégia número sete: manter o público na ignorância e na mediocridade. O ilustre pensador continua. Refere-se à Autoculpabilidade e, por último, menciona a obsessão com a Aquisição de dados pessoais, o que faz que o governo saiba mais sobre cada cidadão do que estes sabem deles mesmos.

 

Em conclusão, sugerimos um estudo sobre este tema. Os leitores compreenderão melhor como estão a ser massacrados com as homilias.

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