SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 15 Junho 2021, 19:18

Levantai as Cortinas

 

Há quem esteja convencido que tem hoje mais acesso à informação do que tinham os nossos pais ou avós. Talvez. No entanto, isto não significa que estejamos mais esclarecidos. A primeira constatação leva ao erro da segunda. Apesar da informação estar apenas a dois cliques do computador, esta nem sempre é transparente.

 

No governo central e nas autarquias, o acréscimo exponencial das despesas com assessores não melhorou a transparência. Antes pelo contrário. Só serve para criar mais desinformação. Mais jogos de sombras para baralhar o cérebro do Zé Contribuinte.

 

O cidadão comum, em cujas algibeiras estão a meter as mãos, não compreende que mal terá feito para que seja atendido quase por favor na maioria das repartições e serviços camarários. Para que seja tratado tão mal por políticos e funcionários. Falam-lhe por cima da burra, como se tivessem alguma coisa contra quem lhes paga os ordenados, regalias e falcatruas de toda a espécie.

 

Nem de modo sobranceiro respondem a perguntas legítimas. Parecem surdos. Mas, ao abrir qualquer pasquim regional, é fácil diagnosticar a incontinência verbal, essa habilidade dos barãozecos com licenciaturas manhosas, que os leva a defender os gambuzinos. Nunca na história deste país houve tanta opacidade.

 

Com raríssimas excepções, a imprensa nacional e local, as estações de rádio e de televisão, são controladas directa ou indirectamente pelo partido no poder. Um exemplo? Pense-se nas páginas inteiras de desmesurada publicidade  municipal. Assim se compram as conciências de quem tem por obrigação velar pelo equilíbrio das notícias.

 

Nas páginas internet das instituições oficiais deviam ser colocados, sem rodeios, os nomes de quem delas faz parte e como nos países do primeiro mundo os seus emails directos, as funções que ocupam e o nível de remuneração. Seria mais fácil identificar a acumulação de “tachos”, pensões e reformas

 

Em Portugal, as aldrabices são tão numerosas que atingiram os limites do suportável. Quando alguém consegue trazê-las para o domínio público, então todos fingem estar indignados e surpreendidos. Pela surpresa, governantes, autarcas e funcionários simulam que desconheciam o que se passava e que, por conseguinte, nunca tiveram que fazer o que quer que fosse para corrigir a situação. Aparentando indignação, posicionam-se como pessoas justas e tentam demonstrar que a justiça é o ideal que lhes orienta a vida.  Juram em vão pela ética republicana! São aos milhares os participantes nesta comédia.

 

Qualquer tipo de governo é terreno fértil onde depressa germinam as sementes do mal. Sempre foi e será desta maneira. Uma enfermidade incurável, dirão os leitores. Porém, forçoso é reconhecer que a congregação de malfeitores que tem gerido este país ultrapassou o que é usual e aceitável.

 

A história mostra que as tiranias acabam por devorar os tiranos. Tal como aconteceu após o 25 de Abril, também muitos destes “boys” e “girls” afirmarão que nunca apoiaram as injustiças nem o saque generalizado que se tornou a norma destes pseudo-líderes nacionais e locais. Quando não puderem continuar a camuflar a irrefutabilidade das provas, lá virá o teatro habitual da surpresa e da revolta! Há muito tempo que os escroques deviam estar atrás das grades. Presos a sete chaves.

 

Para quem estiver interessado em descobrir os truques dos ilusionistas, é imperioso não olhar para onde eles querem dirigir a vista dos espectadores. Pelo contrário, deve-se concentrar toda a atenção para onde eles não querem que olhemos. Atenção aos lançamentos de primeiras pedras, às inaugurações de obras incompletas, às assinaturas de protocolos e contratos, etc, etc. Fumaça e espelhos para despistar a multidão. Para encher jornais com as fotos do multiplicador de taxas e impostos a aconselhar a embaixada da Cochichina. Por “altruismo” ou para que o pagode pense que faz “obra”?

 

Porém, é crescente o número de contribuintes que desejam ver os orçamentos das obras, os nomes dos responsáveis, os projectos, os erros na contabilidade e assim por diante. Tudo isso deve ser mantido actualizado nos sites oficiais para que, de um momento para outro, um cidadão possa aceder-lhes e consultar o que bem entender.

 

Entretanto os democratas postiços continuarão a cantar e rir. De cortinas fechadas. Preferem a mentira à transparência, mas continuamos a crer que a maioria dos portugueses não é da mesma opinião. Sabem que a escuridão protege os aldrabões.

 

Como se pode ler no “DN” (9 Nov.), até a Igreja Católica começou a insurgir-se contra os “jogos político-partidários pouco transparentes”.

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