SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 13 Junho 2021, 06:48

Deputada Inês Medeiros: “Eu é que não pago”

 

Para poder comparar os rendimentos dos governantes portugueses com os de outros países, visitámos o “site” do Tribunal Constitucional para, ao abrigo da Lei Nº 4/83, de 2 de Abril, Artigo 5º (“Qualquer cidadão pode consultar as declarações e decisões previstas na presente lei”), obter algumas informações. Aliás, são dados de fácil acesso nas democracias europeias e doutros continentes.

 

Por não termos conseguido, comunicámos com o Gabinete do Presidente que nos explicou: “os estatutos do Tribunal só permitem a consulta pessoal das declarações em causa”. Também teríamos “de enviar um fax explicando as razões do interesse nas referidas declarações”.

 

Dado que até o “Jornal Torrejano” (7.11.2008) abordou este assunto a propósito de um autarca não ter entregue a declaração de rendimentos referente a 2005, não vemos os motivos para tanto mistério. Enfim, está provado que cada povo tem a “democracia” que merece ou…que aceita!

 

E como estamos em época de liquidação do IRS, ficámos a matutar sobre estas ocorrências. Pagar impostos é uma obrigação. É justo. O que se torna inaceitável é a falta de transparência e o desgoverno dado aos euros que tanto nos custam a ganhar.

 

Íamos falar das câmaras, pois tínhamos conservado umas linhas de Santana Maia Leonardo (“Jornal Torrejano” 8.08.2008): “Desafio, de resto, o leitor a fazer este trabalho. Agarre na conta de gerência de uma câmara e num lápis vermelho; depois, comece a cortar tudo o que acha desperdício e veja o que sobra. É uma autêntica vergonha a forma como os autarcas gastam o nosso dinheiro em festas, subsídios de carácter puramente político-partidário, almoços e jantares, viagens ao estrangeiro, obras absolutamente estapafúrdias, megalómanas e caríssimas; trabalhos a mais que duplicam e triplicam o valor das obras, etc… “

 

No entanto, talvez seja mais curial ficar pela Assembleia da República que, ao fim e ao cabo, é que redistribui os milhões e milhões dos impostos e taxas com que nos esvaziam os bolsos.

No Reino Unido, com parlamento desde 1265, não há gabinetes reservados para os deputados, nem secretários, nem automóveis à conta do Estado. As respectivas residências não lhes são pagas, nem em Londres nem na província, e cada um arca com as suas despesas como qualquer outro cidadão. Excepto, como é óbvio, quando em serviço. Não têm bilhetes à borla, para eles e muitíssimo menos para os familiares ou acompanhantes.

 

Vem isto a propósito duma deputada lusa, artista de pouco talento excepto para parasitar o tesouro nacional. Foi eleita por Lisboa – repetimos “por Lisboa” e não pelo círculo da Europa e vai passar todos os fins-de-semana em Paris, à custa do Zé Povinho. Como toda a gente sabe, trata-se duma actrizeca de papéis secundários que dá pelo nome de Inês Esteves de Medeiros Vitorino de Almeida. É a arrogantíssima filha de um habilidoso com muita “música” na Tretalândia.

 

Segundo se pode ler no “Blasfémias”, e no diário “i” (24.03.2010), “afirma que, quando chegou a Portugal, lhe foi garantido o pagamento das deslocações a Paris, mediante a apresentação dos bilhetes numa agência de viagens. Agora, espera que este impasse “se resolva” e, cansada do assunto, recusa falar mais de um tema que já dura há quatro meses. Quanto aos esclarecimentos, devem ser tomados por quem decide. Neste caso, Jaime Gama. Ora o Conselho de Administração da Assembleia da República não chegou a um acordo sobre se o Parlamento lhe deve reembolsar as viagens e remeteu a questão para o líder, Jaime Gama. Este, por sua vez, voltou a devolver o caso ao Conselho de Administração. Enquanto uma decisão não for tomada, Inês de Medeiros continua a ir à capital francesa – que é a sua casa, onde estão os filhos – todos os fins-de-semana».

 

Se o partido em cuja lista foi eleita lhe assegurou o pagamento das deslocações semanais à “Ville des Lumières”, então deve ser ele a reembolsá-la. Jamais um país a caminho da bancarrota. Para cúmulo, gosta de dizer que pouco se incomoda com as mentiras do primeiro-ministro no Parlamento. Compreende-se agora a sua inclusão na equipa de José Sócrates. O “eng.” escolhe bem.

 

O problema é que são demasiado numerosos os clones de Inês Medeiros a explorarem a nação e raríssimos os contribuintes a acreditarem que os deputados valem o dinheiro que lhes é sugado.

 

Ora vejamos. Segundo se pode verificar no “Diário da República” (nº 28 1ª Série – 10.02.2010), Resolução da Assembleia da República nº 11/2010: 1 Vencimento dos deputados: 12 milhões 349 mil €; 2 – Ajudas de custo dos deputados: 2 milhões 724 mil €; 3 – Transportes de deputados: 3 milhões 869 mil €; 4 Deslocações e estadas: 2 milhões 363 mil €; 5 – Assistência técnica (?): 2 milhões 948 mil €; 6 – Outros trabalhos especializados (?): 3 milhões 593 mil €; 7 – Restaurante, refeitório, cafetaria: 961 mil €; 8 Subvenções aos Grupos Parlamentares: 970 mil €; 9 Equipamento de informática: 2 milhões 110 mil €; 10 – Outros investimentos (?): 2 milhões 420 mil €; 11 Edifícios: 2 milhões 686 mil €; 12 – Transfers (?) diversos (?):13 milhões 506 mil €; 13 – Subvenção aos partidos: 16 milhões 977 mil €; 14 – Subvenções campanhas eleitorais: 73 milhões 798 mil €. Em resumo, orçamento para o ano de 2010: 191 405 356,61 €.

 

Como se conclui destes dados que alguém fez circular na internet, “cada deputado, em vencimentos e encargos directos e indirectos, custa ao país uns 700.000 euros por ano. Ou seja cerca de 60.000 € ao mês”.

 

Portugal está falido? Porquê? Já em Dezembro de 2008, o “Financial Times” tinha designado Teixeira dos Santos como o “pior ministro das finanças da Zona Euro”. Quem quiser, que tire as conclusões que muito bem entender.

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