SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Junho 2021, 21:51

A Corrupção também é Património Nacional

Eis como a Wikipédia define a corrupção: “deriva do latim corruptus que, numa primeira acepção, significa quebrado em pedaços e numa segunda, apodrecido, pútrido. Por conseguinte, o verbo corromper significa tornar pútrido, podre. Numa definição ampla, corrupção política significa o uso ilegal por parte de governantes, funcionários públicos e agentes privados do poder político e financeiro de organismos ou agências governamentais com o objetivo de transferir renda pública ou privada de maneira criminosa para determinados indivíduos ou grupos de indivíduos ligados por quaisquer laços de interesse comum como, por exemplo, negócios, localidade de moradia,ou religião”.

Mais escreve: “No crime de corrupção política, os criminosos – ao invés de assassinatos, roubos e furtos utilizam posições de poder estabelecidas no jogo político normal da sociedade para realizar actos ilegais contra a sociedade como um todo. O uso de um cargo para estes fins é também conhecido como tráfico de influência”.

Vem isto a propósito de um artigo publicado no “Público” (5.Março.2010): “Portugueses muito tolerantes com a corrupção”. Entre outros aspectos, o investigador Luís de Sousa menciona “a ineficiência administrativa que deriva de uma política de recrutamento do tipo familiar, partidário, portanto, recrutamento sem mérito e sem qualidade”. E menciona ainda “a falta de liberdade e qualidade da imprensa e de uma cidadania activa, pode ser outro dos pecados, neste caso…apontando o dedo à imprensa regional muitas vezes controlada e financiada por empresas locais e câmaras municipais”. Ora aí está uma boa pista de reflexão. Não será pois para admirar que uns 65 por cento dos nossos compatriotas quiçá os mesmos que aceitam as mentiras compulsivas e a indigência democrática de autarcas e governantes a tolerem.

Esta exposição foi efectuada na Comissão de Inquérito sobre a Corrupção, no Parlamento de Lisboa. Muitíssimo mais significativos são os dados que tinham sido revelados em Dezembro, pelo Eurobarómetro de Bruxelas: “Corrupção é ‘um grande problema’ para 93 por cento dos inquiridos”. Como noticiou então o “Público” (09.12.2009): “Nove em cada dez portugueses consideram a corrupção um dos maiores problemas do país e a maioria aponta a classe política como aquela em que o fenómeno estará mais enraizado, de acordo com um inquérito divulgado hoje pela Comissão Europeia”.

No Zimbabué e no Bangladesh também é assim. E mesmo a maioria dos eleitores fiéis da “situação”, aqueles que muito se parecem aos antigos devotos do Doutor Salazar, estão a ficar saturados com tantos “casos” em que surgem os nomes do “eng.” Sócrates, do “dr.” Vara e dos seus associados. Quando se chegou ao ponto de irem à barra do tribunal e dizerem ao juíz que contestam a acusação de associação criminosa porque as escutas eram de “conversas privadas”.  Aos nefastos e pérfidos correlegionários que se calam perante semelhantes barbaridades, a quem continua a colaborar nesta folia, é oportuno recordar o que diz o povo: tão ladrão é o que vai à horta como o que fica à porta. Deixou de ser insólito ler e ouvir comentadores referirem-se à necessidade de um tsunami político que limpe de vez este calamitoso desgoverno da nossa Mãe-Pátria.

O leitor que deseje estudar em pormenor este fenómeno encontrará sem dificuldade referências bibliográficas. Não só os estudantes de direito sabem desta matéria; também os de ciências políticas, sociologia, criminologia e economia podem perorar sobre as variadas facetas do tema.

 

Numa tertúlia de amigos a falarem sobre os corruptos há sempre alguém para sublinhar  que eles nunca vão para a prisão. Voltámos à Wikipédia e…voilà!…deparámos com a resposta à seguinte pergunta: Como é que se auto-protegem?

“Actualmente a corrupção faz a sua auto-protecção através da justiça. Ela utiliza-se de meios subreptícios como processos de calúnia, difamação e injúria contra um possível opositor ou divulgador. Não suportando a verdade dos factos, usa todos os meios jurídicos para auto-defesa e protecção, para poder continuar a esbanjar os recursos públicos. Quando os divulgadores não são as vítimas, é a imprensa a outra vítima preferida da corrupção, que teme a divulgação de seus actos violadores da boa administração pública, seja em municípios, organismos públicos, entidades filantrópicas ou governos”.

Assim se compreende como entra em cena o facto de serem “eles” a fazer as leis, a fixar as sanções e a nomear os julgadores. Nunca devemos esquecer as sociedades secretas em que militam, a justiça que infectam e todo um comboio de políticos e funcionários apáticos, incompetentes e presumidos. Comem da mesma gamela.

Quando o rei faz anos, aparecem as gesticulações contraditórias dalgum trapezista nacional. Porém, é fácil concluir que a corrupção é como a pornografia. Há quem diga não existir, mas toda a gente pode identificá-la quando a vê!

A pouco e pouco, Portugal está a transformar-se noutro Zimbabué. Mugabes já por aqui temos em abundância.

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