SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 12:59

Voluntários da ecologia

 

As preocupações ecológicas fazem parte dos debates que agitam as sociedades contemporâneas. Mesmo numa perspectiva económica, o mundo convenceu-se da necessidade de integrar esta variável nos cálculos do deve e haver.

 

Um pouco por todo o lado, tornou-se popular caminhar em trilhos acertadamente preparados para esse efeito e é fácil incluir as atracções naturais nos projectos de desenvolvimento rural.

 

Muitas destas actividades têm por alvo os habitantes das grandes urbes que, cansados do stress da vida quotidiana, procuram a paz na comunhão com a natureza. Até em Portugal, algumas câmaras compreenderam que podiam acumular mais-valias ao criarem condições para o lazer saudável dos munícipes e, como acontece em bastantes lugares na Madeira e nos Açores, acrescentaram este chamariz a tantos outros que apelam a uma visita.

 

Tudo isto está relacionado com a qualidade de vida e a única política do ambiente possível é a que saiba fomentar uma harmonia entre a terra e o homem. É nesse equilíbrio que se pode encontrar a chave para abrir a porta do bem-estar colectivo.

 

Nas burocracias estatais e camarárias multiplica-se o número de funcionários pagos para se dedicarem a estas questões. Por vezes falta-lhes preparação académica, conhecimentos ou motivação. O salário está garantido ao fim do mês. Para quê um esforço extra? O tempo não chega para tudo!

 

É então que deve ser mobilizada a sociedade civil. Na melhor das hipóteses para cooperar com o aparelho administrativo. Na pior, para preencher o vazio deixado por ele.

 

Isto prova como a sociedade civil é capaz de organizar grupos de cidadãos que compartilham ideais. Existem hoje grupos de pessoas de diferentes classes e idades que trabalham para educar a população e, como é óbvio, para pressionar os respectivos governos no sentido de serem tomadas as medidas que se impõem para a protecção do meio ambiente.

 

A recente tragédia do Haiti, demonstrou como as emoções condicionam as intervenções individuais. O que se tende a esquecer é que não foi só o sismo que criou a miséria dos haitianos. Como tentámos explicar noutro local, a história do capitalismo e a dependência crónica das sociedades caribenhas também são responsáveis pela desgraça ocorrida. Lá como aqui, o problema é a exploração capitalista e a corrupção governamental que se associam para destruir o que é pertença de todos.

 

Como os membros da sociedade civil bem sabem, existem mil e uma maneiras de contribuir para a salvação do planeta. Por exemplo, ao evitar o uso abusivo e  amiúde desnecessário! dos “popós”, sobretudo de alta cilindrada, em especial quando são pagos com o dinheiro dos contribuintes. Ou, quiçá, sendo mais impertinentes, mais exigentes no consumo ou nas relações com quem tem obrigação de aplicar as leis com equidade.

 

Se os cidadãos desejassem mudar realmente o estado calamitoso a que chegou o meio ambiente, talvez pudessem começar por vigiar se os eleitos fazem o que haviam prometido. Por outras palavras: pedir-lhes contas. Relembrar-lhes as promessas feitas, sobretudo no que toca à protecção do espaço que nos rodeia, do ar que se respira.

 

Fomos reler algumas edições deste semanário e deparámos com bonitos depoimentos sobre a ecologia. No entanto, a realidade continua a ser outra: alterações da classificação de terrenos, ETARs que não funcionam ou nunca foram construídas, esgotos a céu aberto. Na verdade, o saneamento básico nunca foi uma prioridade. As sujeiras continuam. E isto é apenas o topo do icebergue, o que salta à vista: rio, ribeiras e valas não ocupam o centro da atenção.

 

Seria igualmente conveniente não esquecer a poluição sonora. Quem teima em habitar no centro da cidade, sabe o que acontece todas as noites nos fins-de-semana. E tão-pouco se deve fechar os olhos à proliferação de estruturas com mensagens publicitárias e pregação política.

 

Quais as razões que impedem um empenhamento cívico no arranjo e conservação dos espaços verdes considerados públicos? Centenas de municípios na Europa e não só! conseguem reunir grupos de voluntários com esse objectivo. Na América do Norte, há associações que adoptam secções de ruas e de estradas para as manterem livres de lixo, cortarem a vegetação daninha e plantar flores, arbustos e árvores.

 

O futuro necessita de menos propaganda e mais preocupação com o que é essencial. Responsabilidade e rigor, com maior abertura e proximidade a quem busca uma vida serena num ambiente sem poluição.

 

O voluntariado é uma maneira de retribuir à comunidade o que ela faz ou fez por nós. Este tipo de actividade, por não ser imposto por ninguém, é bastante gratificante.

 

Segundo lemos neste semanário, “o dia 20 de Março vai ser o dia “L” de “Limpar Portugal”, um projecto alicerçado em grupos de voluntários. Têm por alvo a limpeza das florestas e lixeiras do país”. Ora bem, o leitor tem aqui uma excelente oportunidade para participar. Faça um favor a si próprio e ao colectivo, pois trata-se de uma iniciativa interessante e útil. Um passo na boa direcção.

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