SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 20 Junho 2021, 12:02

Ruibarbo, quem é ele?

 

Explicamos de imediato que não se trata de alcunha do cara de réu de várias impunidades: a falsificação do registo biográfico na Assembleia da República, a licenciatura farinha-amparo, a equivalência de 26 disciplinas, o dominicalíssimo exame por fax, a violação descarada da lei do tabagismo, ou a assinatura de projectos de casas de que não é autor. Com efeito, o nome desse impostor não é Magalhães, nem Freeport, nem sequer António e muito menos João. Tão-pouco é Ruibarbo.

 

Adivinharam? Ainda bem, porquanto Ruibarbo é apenas um vegetal rizomatoso, da família das poligonáceas, com aplicação medicinal. Em inglês chama-se “rhubarb”.

 

Situa-se entre as frutas e as hortaliças, porém era tradicionalmente utilizado como purgativo e é de lamentar que não tenha sido mais consumido em Portugal. Teria tido efeitos bastante salutares.

 

Há milhares de anos que os chineses se interessam por ele. Marco Polo introduziu o seu cultivo na Europa e tornou-se vulgar em Inglaterra a partir do Século XVIII.

 

Os caules agridoces são usados nas culinárias de diversos países. Durante a guerra, os alemães comiam pão com ruibarbo, os escandinavos ainda apreciam uma sopa em que o misturam com morangos, os ingleses fabricam vinho de ruibarbo, e o torrejano que rabisca estas linhas prepara com ele uns “muffins” que dão um toque de “je ne sais quoi” aos pequenos-almoços de fim de semana. Também se pode cozinhar como verdura para acompanhamento de carne de porco.

 

Os agrónomos dizem que se dá bem em qualquer tipo de terreno, o que deve ser verdade pois sempre o cultivámos num canto do quintal, entre o recipiente do composto e a sebe do vizinho. É altamente nutritivo e saboroso, rico em fibras e vitamina C. Facilita a digestão e estimula o fígado.

 

Deve ter sido em 1964 que provámos pela primeira vez uma “tarte” desta planta ou a popularíssima “rhubarb pie”, como lhe chamam na América do Norte. Foi nessa altura que, ao estudar “Macbeth” na aula de literatura inglesa, deparámos, quase no fim do 5º Acto, com a célebre ordem dada ao médico: “Pull’t off, I say! What rhubarb, cyme, or what purgative drug, would scour those English hence”? (Fora, digo eu! Que ruibarbo, que sene ou droga drástica nos limpará desses ingleses todos”?)

 

Ora bem, passados tantos anos, foi com bons olhos que o vimos recentemente à venda num super-mercado de Cascais. Também está disponível em Lisboa e no Porto.

 

Embora a futura minoria já esteja a pôr as barbas de molho, na próxima eleição os portugueses não perderão a oportunidades de lhe dar uma boa cura de “Rheum rhabarbarum”. A purga vai ser desvastadora. Será melhor ligar já o alarme.

 

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P.S. – Íamos propor uma receita para cozinhar ruibarbo. No entanto pensámos ser mais oportuno aproveitar a época dos figos e sugerir uma nova maneira de os comer…com pimenta. Comece por lavar e enxugar uns seis ou sete figos frescos e, em seguida, pode dividi-los em metades ou quartos longitudinais. À parte, combine uma taça de iogurte natural, meia taça de compota de alperce e meia colher de chá de canela. Cubra os figos com este preparado e, por fim, salpique tudo com pimenta preta. É o leitor quem há-de decidir, mas acredite que é a pimenta que lhe dá a mão de mestre

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