SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 07:52

Será que somos normais?

 

No dia 10 de Agosto, Jorge Carreira Maia fez esta pergunta no blog  “A Ver o Mundo”. E logo escreveu: “Muitas vezes tenho a estranha sensação de que nós, portugueses, sofremos de uma qualquer anormalidade. Dito de outra maneira, não somos bons da cabeça”.

 

Ninguém poderá responder com exactidão se somos ou não um povo equilibrado do ponto de vista psicológico. Como diz o provérbio espanhol, “de poeta y loco todos tenemos un poco” e é a própria Organização Mundial da Saúde que afirma: “as perturbações mentais e comportamentais ocorrem comummente e afectam mais de 25% da população em determinada fase da sua vida”.

 

Se assim é à escala planetária, vejamos qual a situação no país. “O II Volume do Plano Nacional de Saúde para 2004-2010, estima que a prevalência de perturbações psiquiátricas na população portuguesa ronde os 30%, sendo cerca de 12% a de perturbações psiquiátricas graves, embora não existam dados de morbilidade psiquiátrica […]. A confirmar-se, significa que mais de três milhões de portugueses sofrem de perturbações psiquiátricas” (M.L.V. de Campos, Tese de doutoramento, Universidade do Porto, 2008).

 

Em Portugal, sempre existiu um demonstrado interesse pela questão. A dado momento, até houve quem fizesse “escola” neste campo de investigação. Por exemplo, Egas Moniz, o nosso meio-Nobel de Medicina (1949), inventou uma técnica cirúrgica – a leucotomia pré-frontal ou lobotomia – que, embora esteja hoje desacreditada, foi utilizada em numerosos países. Em princípio, pensava-se que curava as psicoses depressivas e a esquizofrenia. Porém os resultados cedo apontaram no sentido inverso.

 

Se, por um lado, a ansiedade e as pulsões desapareciam, por outro, isso acontecia ao preço de um completo desinteresse pelo mundo e pelas pessoas. Fazendo uma extrapolação grosseira, diríamos, com uma enorme dose de ironia, que uma fracção significante da população mostra sinais de ter sido vítima de uma presumida “lobotomização” colectiva.

 

Estamos todos de acordo que um dos graves desarranjos da “psyché” é a esquizofrenia, uma doença bastante presente numa variedade de maleitas que partilham a “desintegração” ou o desmembramento da personalidade. Entre outras: os síndromes ilusório-alucinatórios; as psicopatologias delirantes; os delírios de perseguição e de influência; os delírios de grandeza e de transformação cósmica; e as melancolias paranóicas.

 

Num elevado número de portugueses – talvez de forma mais concentrada nos governantes e políticos –, o fundo delirante vai tornando mais evidente um humor de tipo depressivo, acompanhado de fadiga e de sentimentos de culpabilidade.

 

Há também quem acrescente que “a excitação e tensão correspondem então a uma espécie de esquizofrenia e a inibição afecta o que costumamos designar anestesia afectiva”. Num quadro maníaco ou de uma verdadeira depressão.

 

Quer queiram quer não, conclui-se que aumenta o mal-estar colectivo perante o estado a que chegou a vida em Portugal. Uns dizem uma coisa outros dizem outra, mas que nada anda bem lá isso é verdade. É igualmente verídico que cada vez há mais problemas psicológicos. Em ano de eleições ainda é pior. Recomenda-se não acreditar nas balelas da RTP, do “Diário de Notícias” e doutros veículos da agitprop governamental.

 

Qualquer indivíduo tem direito a formular livremente as suas opiniões e a adquirir modelos de comportamento e de cultura, numa aprendizagem contínua, cujas potencialidades residem no cérebro. Neste aspecto, somos totalmente anormais.

 

Pois sejam bem-vindos à República do Absurdistão.

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