SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 20:23

Adeuzinho Maioria

 

É com certa relutância que redigimos este apontamento. Tem por tema os escrutínios eleitorais que se avizinham. Não é fácil esquecer a advertência do filósofo George Santayana (1863-1952): “aqueles que desconhecem as lições da história estão condenados a repetir os erros do passado”. Ou, como diria Novalis, “Cada lembrança forma o presente”. Os factos históricos podem ser interpretados de diferentes maneiras e não têm origem em moldes idênticos. Dar-lhes demasiada importância pode levar-nos por caminhos errados. No entanto, vem a propósito perguntar o que é que os nossos compatriotas terão aprendido da era salazarista? Das “eleições” desse tempo?

 

A carroça encontra-se de novo entulhada no lamaçal. Por incompetência do carroceiro-mor e dos seus acólicos locais e nacionais. Alguns já se deram conta que vão sofrer de solidão, pois o falar-por-falar é uma actividade semelhante à dum nadador exausto que se agarra à primeira bóia de salvação para evitar o afogamento. Contudo, fica-se com a impressão que “o Magnífico e Meretíssimo e Eminentíssimo e Excelentíssimo e Santíssimo líder, que Deus por desfastio deu a este pobre país” (Carreira Maia,“A Ver o Mundo”, 30.07.09), ou seja o modelo destes “socialistas”, produziu mais czares do que os Romanov que governaram a Rússia durante três séculos.

 

Os cidadãos sérios não se vão aproximar deles. Daqui em diante, apenas os filiados na mesma “loja” e gatos atrás de bofe lhes darão ouvidos. É que cada embusteiro acaba por ser vítima das suas mentiras e transforma-se numa ilha rodeada de interesseiros por todos os lados. E cumpre-nos questionar se a urgente mudança não se vislumbra no horizonte. Os sintomas são o espalhafato generalizado e alguns avejões a abandonarem o navio. De facto, começaram a aparecer sinais de que o bombardeamento com promessas e inverdades falhou como estratégia. Deixou de surtir efeito em vários sectores da população. A nível nacional, a maioria já se foi.

 

Quando a maré baixar é que iremos ver se os adeptos do “ou tudo ou nada” não andavam a tomar banho nuzinhos em pêlo. Perderão o monopólio do poder, sem terem sabido negociar com eleitos que desprezam o beija-mão. Apesar de tudo, seria injusto não reconhecer que, durante o primeiro mandato, tiveram discursos inovadores e válidos, mas devido à péssima gestão e ao exagero de oportunismos a maioria tornou-se gradualmente obsoleta. Um perigo para o país.

 

Os últimos anos da legislatura foram mais do que suficientes para os portugueses comprenderem que com este tipo de “socialismo” continuarão no pântano. Houve reacções impulsivas do governo que saturaram a totalidade da população e quase todos os dias temos tido teatro. O “PS” socratino tornou-se sinónimo de palhaçadas sem graça nenhuma. A economia é um deserto e a justiça uma selva impenetrável. Para os pequenos comerciantes e agricultores, a esperança de um futuro melhor morreu de vez. O operariado mal ganha para comer e a classe média está em vias de extinção. Apenas as grandes empresas de construção e os bancos, de preferência com ex-ministros nos conselhos de administração, fazem bons negócios com o dinheiro dos impostos sugados por um fisco insaciável.

 

Os cidadãos que ainda se preocupam com o estado a que chegou o Estado português, conhecem o cenário. Sabem onde estão os “leões e os cristãos” e facilmente predizem quem é comido por quem e em que ordem. Os portugueses devem olhar para trás e de momento não se trata de verificar se o espelho do retrovisor está sujo – ou um pneu teve um furo – o que está mesmo mal é o motor do carro e o seu projecto político.

 

Faltam poucas semanas para Setembro. Que alívio!

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