SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 15:19

Queriam um Portugal como a Albânia

Uns leitores não se importam, outros não quererão saber. Quanto a nós, gostamos de ir verificar “in loco” o fim de tantas patranhas que nos tentaram meter na cabeça. Embora não faltem panegíricos sobre Cuba ou a Venezuela, não há nada como ir ver com os próprios olhos. Com esse objetivo, fomos duas semanas para os Balcãs. Queríamos rever amigos na Sérvia, revisitar a Macedónia, passar por Montenegro e observar o processo de transformação da Albânia que foi a ditadura mais implacável e isolada da Europa do Leste, a última a libertar-se de um passado de atrocidades e caos.

Será que os portugueses se esqueceram do tenebroso Enver Hoxha? Com mais um 25 de Abril à porta, resolvemos examinar como passarões da fauna lusitana defendiam sem corar esse ditador. O homem não era melhor do que o Estaline, seu aliado, ou Mussolini, contra quem se bateu. Um maoista em versão balcânica. Não olvidámos que um dos líderes do MRPP se metamorfoseou em chefe do PSD, chegou a primeiro-ministro e, mais tarde, foi presidente da Comissão Europeia e “chairman” da Goldman Sachs. Há muitos políticos como ele, cujo passado não é relembrado e até parece que os eleitores gostam desta gente.

Noutra ocasião, referimo-nos ao que vimos no Camboja onde os Khmeres Vermelhos e o camarada Pol Pot exterminaram quase dois milhões de compatriotas, cerca de um quarto da população. Desta vez, decidimos fazer uma visita de estudo à Albânia para ver o legado de Hoxha, o dirigente incontestado de um regime que rejeitou as reformas de Khrushchev para se aliar à China de Mao Zedong e que governou combinando a brutidade estalinista à paranóia maoista. Sublinhe-se que foi uma figura das mais admiradas por alguns executantes da Revolução dos Cravos.

Portugal teve a sorte de esta facção da extrema-esquerda não ter implantado um regime semelhante. Os órfãos de Hoxha são estruturalmente antidemocráticos. Agora no poder, até deixaram de fazer cócegas à casta das “famiglie” dominantes. Comensalidade no governo “oblige”!

Quiçá devido ao sangue capitalista que flui nas veias deste antigo “paraíso” maoista, não encontrámos interlocutores que não expressassem a desilusão com o estatismo e o coletivismo. Os albaneses com talento emigraram e os intelectuais foram também tratar da vida em Paris ou Roma. Tem-se a sensação de estar num país medieval, com o futuro bloqueado e sem qualquer escapatória. Do que se safaram os portugueses!

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados