SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Junho 2021, 10:24

Para os distraídos

Na nossa secretária, têm-se acumulado papéis, livros e até cupões caducos desde há muitos anos. Ficam porque estão “activos”. Abundam igualmente recortes de jornais e observações que podem vir a servir de tema para estes textos. Num dos montes, encontrámos uma anotação escrita à pressa: “Os contribuintes estão perto da agonia! Portugal situa-se no pelotão da frente no que toca a impostos, taxas e taxinhas”. Estava agrafada a uma factura da EDP. Relembramos que a eletrici- dade é uma mina de ouro para o governo. É sobrecarregada ao máximo e a prova vem, tintim-por-tintim, na supracitada conta. Ora vejamos como a EDP e a oligarquia nos pilham: 23% de IVA, 7% de tributo para a RTP e RDP, 3% para que os residentes nos Açores e Madeira tenham luz mais barata, 10% para os Municípios pela passagem de cabos e 30% para compensação aos operadores. Como se não chegasse, ainda acrescentam mais um enorme tributo para o investimento nas energias renováveis do Sócrates e 7% de outros custos incluídos na tarifa. Com que fim? Para a Autoridade da Concorrência, para a Entidade Reguladora dos Serviços Elétricos, para os planos de promoção do desempenho ambiental da responsabilidade da ESE e para os planos de promoção e eficiência, também da ERSE. Em conclusão: pouco mais de um terço do total corresponde ao consumo real, o resto – mais de metade! – é carga fiscal ou parafiscal, para satisfazer fantasias e pomposidades dos políticos. Quiçá o Zé Pagante desconheça que, em 2017, Portugal foi o terceiro país da União Europeia com a electricidade mais cara por quilowatt, apenas ultrapassado pela Bélgica e Dainamarca. E, note-se, estas estatísticas referem-se exclusivamente ao montante por kWh, excluindo os custos fixos e as taxas adicionadas ao consumo. A quase totalidade dos clientes depende de uma empresa matreira, cujo maior accionista é uma firma estatal da China, país governado em regime de partido único. Na sua mexericada, Marques Mendes confidenciou que o IVA da electricidade iria baixar. A ver vamos. E se tal não se verificar, devemos ir cantar “Grândola, vila morena” às portas da EDP e de Costa “y sus muchachos”.

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