SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 15:44

Chipre: São Lázaro e o Turismo Russo

Foram os santos Paulo e Barnabé que cristianizaram a ilha. São Lázaro de Betânia foi aqui bispo. Porém, a primeira personagem que nos ensinaram com ligação a Chipre foi o filósofo Zenão. Teria sido no Colégio Andrade Corvo, numa aula do Padre Moutinho, quando ele falou dos “estóicos”. Mal sonhávamos então que, decorridas muitas décadas, usaríamos a sua estátua como orientação geográfica na cidade onde nasceu.

Os embustes e a baixeza de uma maioria dos dirigentes de Portugal, fazem-nos pensar que o estoicismo não entra na ideologia pseudo-esquerdista do presente governo. Com efeito, um dos princípios desta escola defende que “a virtude é o único bem e caminho para a felicidade”.

Tal como Limassol e Pafos, Larnaca (Λάρνακα) é um dos burgos mais bonitos da costa meridional. As praias e a história falam por si. Este último tem outra atracção de peso: a igreja de São Lazaro e as relíquias deste irmão de Marta e Maria. Após a sua ressuscitação por Jesus veio viver para Chipre e foi bispo de Kition, o antigo topónimo.

É hoje a terceira cidade de Chipre (85.000 habitantes) e, não obstante ter uns subúrbios malparecidos, esta velha cidade provinciana conseguiu manter alguns cantos interessantes. Um pouco apagado desde a divisão entre cristãos gregos e muçulmanos turcos, ainda existe um bairro dominado pelo minarete da mesquita.

Nas próximas semanas, partilharemos com os leitores uma resma de apontamentos sobre uma estadia no Médio Oriente. Não diremos tudo o que poderíamos dizer, não vá alguma inquisidora-mor condenar-nos por desobediência aos ditames do “politicamente correcto”.

Ora bem, comecemos pelo São Lázaro e pelo templo bizantino do mesmo nome, com o seu campanário decorado com esplêndidos relevos.

Como é fácil de constatar “in loco”, para além dos britânicos, um número significativo de turistas vem da ex-União Soviética. De um total de três milhões, quiçá metade seja oriunda da Rússia e da Ucrânia.

Para admirar as ornamentações e os ícones da Igreja de São Lázaro entrámos diversas vezes, quando deambulávamos por este bairro. Queríamos aprender sobre os cristãos ortodoxos, a arte bizantina e a importância das relíquias do santo.

Sentados perto do altar, observámos com atenção a multidão de fiéis russos que vinha prostrar-se – sim, prostrar-se! – e em seguida beijar a urna com as relíquias. Rezavam pela saúde de seus entes queridos e, como uma jovem moscovita nos explicou num inglês hesitante, vinham pedir ajuda para passar alguma crise.

Ficámos a cogitar sobre estes actos de devoção e como eles constituem um exemplo de quão importante a Igreja Ortodoxa se tornou de novo. Um factor essencial na identidade destes povos.

Houve dias em que as filas para venerar as relíquias se estendiam por baixo dos arcos da galeria exterior. O que se vê na arca é um ícone de São Lázaro sob um painel de vidro com uma abertura em forma de crescente no meio, através da qual um osso é visível.

Na actualidade, cerca de 70% dos russos declaram-se cristãos ortodoxos, mais que o dobro no momento do colapso soviético de 1991. Mesmo assim, muitos dos que não reintegraram a Igreja, reconhecem ser “parcialmente religiosos”. Talvez seja por esse motivo que o presidente Vladimir Putin alinhou a sua visão para o país com a da Igreja Ortodoxa Russa.

Antes dos bancos e com eles a República de Chipre terem feito falência, milhares de oligarcas e outros cidadãos russos tinham contas abertas neste país. Os depósitos levaram um “corte de cabelo” financeiro. Num esfregar de olhos, os depositantes viram evaporar-se um himalaia de euros e dólares.

Parece que estão de volta. Ortodoxos russos e ortodoxos gregos dão-se bem. A banca e o turismo criam muitos empregos. De facto, só o turismo constitui a fonte de um terço das receitas do estado e um quarto dos empregos.

Como mencionámos antes, no ano passado, Chipre recebeu um número recorde de turistas. O triplo da população residente. Abarrotou os hotéis, restaurantes, bares, lojas de recordações e estabelecimentos de “fast food” que enxameiam na costa do sul.

Continuaremos com o mesmo tema.

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