SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 11:17

Costa Rica: Campeã do Ecoturismo

Na semana passada, partilhámos com os leitores a nosso afecto pela Costa Rica. Uma nação que investiu na educação e possui um ambiente natural dos mais diversificados do planeta. É um modelo a seguir nos campos da democracia e do turismo ecológico. Será por certo um dos raros países “climaticamente neutros”. Por isso, julgamos oportuno louvar os políticos costarriquenhos.

Já aqui tínhamos mencionado que tem uma taxa de literacia superior à de Portugal, em consequência da atenção dada ao sistema educacional. Pela Constituição de 1869, tornou-se um dos primeiros países do mundo a tornar a educação obrigatória e gratuita. Na Lusalândia, só muito mais tarde (1911) é que se criou o ensino elementar obrigatório e gratuito.

Lembremos Óscar Arias Sánchez, o presidente que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1987. Após quase uma década de conflitos armados na Nicarágua e El Salvador, conseguiu negociar um acordo que propunha acabar com as hostilidades e levar a democracia aos países arrasados pela guerra. Os presidentes centro-americanos assinaram a 7 de agosto de 1987. O plano de Arias sucedeu onde outras tentativas tinham falhado.

Sim, é verdade. Na América Central, assolada pela violência e pela pobreza, há um país incrível, onde a ecologia e a educação constituem prioridades. Num futuro apontamento, escreveremos sobre os contrastes verificados ao atravessar a fronteira norte. A Nicarágua continua com um índice de desenvolvimento baixíssimo, apesar da “revolução sandinista” apoiada pelos seus velhos amigos cubanos e venezuelanos.

Os parques nacionais cobrem um quarto do território, as áreas arborizadas representam mais de metade do território. Existem 2.000 espécies distintas de árvores, 9.000 tipos de plantas com flores, incluindo mais de 1.200 géneros de orquídeas. A paisagem natural diversificada atrai pessoas de todas as latitudes para admirarem a beleza surpreendente da Costa Rica.

Nos últimos anos, o número de visitantes aumentou cerca de 20% por ano, totalizando hoje perto de dois milhões. Tornaram-se uma das principais fontes de receita, superando o conjunto da exportação de bananas, ananases e de café.

As principais zonas ecológicas também sustentam uma espantosa variedade de animais, insectos e pássaros, o que pode ser atribuído à localização entre a América do Norte e a América do Sul. A maioria das espécies de anfíbios são rãs e sapos, muitos dos quais brilhantemente coloridos. Contudo, o réptil mais comum é a iguana que pode crescer até 1,6 m de comprimento. Crocodilos e caimões habitam as várzeas húmidas de ambas as costas. Mesmo em praias bastante frequentadas, abundam as placas com avisos para não se nadar nem alimentar os crocodilos que por ventura apareçam.

À excepção de dezenas de iguanas, nenhum outro sáurio atravessou o nosso caminho. Tampouco vimos jaguares ou tapires.

Contam-se por centenas as espécies de aves identificadas no país. O quetzal de plumagem resplandecente —um pássaro sagrado para os maias e os aztecas que viveram outrora na América Central— e a arara vermelha são considerados “jóias raras”. Ambos são fáceis de encontrar em zonas protegidas. Outro pássaro bem colorido é o tucano, com seis espécies diferentes.

Os costarriquenhos tratam a natureza e as pessoas com respeito. São amigáveis e mantêm um senso de dignidade que se pode traduzir pela expressão “quedar bien”. Reflecte o desejo de deixar uma boa impressão e de preservar o decoro.

No regresso, olhámos pela janela do avião para gravar na retina a imagem da vastidão do Oceano Pacífico, num mundo em vias de homogeneização. Vivemos uns dias magníficos. Para trás, ficaram o sol, o mar, a praia e uma natureza inesquecível.

Como podemos esquecer o som rouco dos macacos bugios ou o fugir das iguanas? Em conversa com outro passageiro na fila de embarque, ele resumiu tudo numa frase: valeu a pena visitar a Costa Rica.

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