SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 20 Junho 2021, 10:12

Farinha do mesmo saco?

Quando as crises se agravam, quando aflições e temores aumentam, torna-se imperativo que os cidadãos reflictam. Perante a prepotência governamental, cuja continuada má gestão tem resultado numa economia anémica e em finanças calamitosas, os contribuintes deviam perguntar por que motivo os jovens, os investigadores e o dinheiro fogem a sete pés de um país tão belo como o nosso. O povo português vai-se conformando. Nenhum outro teria sobrevivido tanta estupidez acumulada pelos seus líderes.

Tínhamos tomado nota de um artigo de opinião publicado pelo Senhor Armando Rebelo neste semanário (6.5.16,p.11). Fazia alusão aos “Panama Papers”. Tencionávamos retomar este assunto.

Após a independência das então chamadas “províncias ultramarinas”, acabou o colonialismo em África. Porém, sucessivos governos continuam a praticá-lo em Portugal. Colonizam milhões de contribuintes com uma montanha de impostos, taxas e taxinhas que é gasta em benefício da casta politica e da partidocracia anacrónica. Se os africanos se libertaram de quem os explorava, chegou a hora dos contribuintes portugueses também lutarem pela libertação do neocolonialismo que devora o que tanto lhes custou a ganhar.

Para os “colonizadores”, nem tudo vai mal na metrópole do faz-de-conta. Vivem muito bem sem que lhes sejam assacadas responsabilidades. Parece que têm o rei na barriga. Repetidas vezes, os “casos” ficam todos encerrados.

O referido articulista também mencionava a “Pública Autoridade Tributária, onde recentemente algumas das suas chefias foram constituídos arguidos” (sic). Esqueçamos, por agora, o Secretário de Estado que fez duas viagens à custa da Galp para ir ver o futebol em França. Hoje, relembraremos os “Panama Papers”.

Foram bastantes as nações em que a comunicação social divulgou listas completas com nomes de cidadãos que, de modo legal ou ilegal, tinham contas em bancos dessa república centro-americana. No nosso país, depressa se abafou a questão. Foi mais um “caso encerrado”.

Em Portugal, o Zé Povinho atrasa-se no pagamento dos impostos e sabemos como é. Só falta as Finanças assarem no espeto o contribuinte formatado. Isto, depois de lhe cobrarem um montante exorbitante de multas e coimas.

Para com os banqueiros e ex-políticos, já piam mais fininho. Os escritórios de advogados que os defendem, os mesmos que foram pagos para redigir as leis, corroeram todo o processo com vista à imunidade dos criminosos.

Contudo, há quem olhe para além dos sorrisos falsos e dos afectos xaroposos destes governantes. Há quem não acredite em jornalistas mercenários.

Vejamos um exemplo. Com o falecimento de Mário Soares, há muito que se não liam tantos panegíricos nos “media” portugueses. A manipulação e propaganda foram colossais. O homem não era o São Marius que tentaram impingir. Teria sido mais deontológico se os canais de televisão tivessem utilizado mais planos panorâmicos em vez de mostrarem figurões da “casta nobre” do regime. “Esqueceram-se” de noticiar que não houve um mar de povo a participar no cortejo fúnebre.

Com a derrota de 2006, quando se recandidatou à presidência da república e apenas 14% dos eleitores votaram nele, ficou provado que tinha perdido o capital político de outrora. Para cúmulo, a “arraia-miúda” foi descobrindo que este “herói” era hábil na acumulação de outro tipo de capital.

Com efeito, poucos dias depois do enterro, podia-se ler no “Sol” (19.01.2017): “O testamento de Mário Soares não é público, mas, de acordo com a revista Flash, a última declaração pública apresentada em 2005 no Tribunal Constitucional mostra que o antigo Presidente da República auferiu cerca de 482 mil euros em 2004. Em 2005, o antigo chefe de Estado possuía perto de 1,2 milhões de euros. — A este valor acrescenta ainda a biblioteca, dois imóveis na rua Dr. João Soares pertencentes ao Colégio Moderno (PRIVADO, as maiúsculas são nossas), um outro andar na mesma rua de Lisboa, dois outros apartamentos no Campo Grande, uma casa e três terrenos em Nafarros, Sintra, uma moradia junto à praia do Vau, em Portimão, dois terrenos em Monte de Alvor e ainda uma casa na Bezuga, Azeitão”. Com a mesma data, também o “Jornal Económico” e o “Observador” publicaram notícias semelhantes.

Em conclusão, a obsessão dos políticos com o domínio do Estado para distribuir benefícios e mordomias às suas clientelas põe em risco a democracia.

Não será assim por todo o lado? Inclusive em concelhos nossos conhecidos? Antes, a culpa era da Merkel. Agora é o Trump.

É sempre o gato da vizinha que rouba as sardinhas. O nosso é um santinho!

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