SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 19:38

Deixem o Natal em Paz

Não falta neve no Canadá e este ano tem sido um exagero. Por causa dela, quase todos os aeroportos estiveram temporariamente encerrados no sábado. No regresso de uma viagem à Europa, tivemos de esperar um tempo infinito na escala de Toronto para que o avião pudesse descongelar com um “duche de produtos químicos”. É assim a vida neste país. Por um lado, chegaram as temperaturas glaciais; por outro, é garantido que o Natal vai ser de brancura imaculada.

Enquanto há pessoas a caminharem com dificuldade pelo palmo de neve que se acumulou, também há quem aproveite para esquiar, patinar no gelo e andar de trenó. Os mais novos, esses dedicam-se ao “snowboarding” (surf na neve). No domingo à tarde, vimos famílias inteiras num parque a fruir do nevão. Eram numerosas as crianças a deslizarem em trenós de plástico numa pequena elevação. Os gritinhos rechinantes e a alegria revelavam um prazer contagiante. Acrescente-se que os serviços municipais tinham instalado uma miríade de luzinhas em árvores de diversos tamanhos e feitios. Algumas ostentavam decorações tradicionais, outra mais pareciam obras concebidas por artistas pós-modernistas.

Impossível não se ficar maravilhado com este reino de magia. Mais patente nuns lugares do que noutros. Com efeito, tanto aqui como em Portugal, será rara a cidade ou vila que não tenha luzes, animação e até solidariedade.

Nos dias antes do retorno à América do Norte, experimentámos novas versões de doces natalícios à venda numa grande superfície comercial. Concluímos que, como tudo na vida, há os que são bons e os que são menos bons. Fugindo do “panettone” italiano, ficámos pelo bolo-rei português. Embora em evolução para novos formatos, ainda são redondos com uma abertura no meio. Deixaram de ter brindes. Também não descobrimos a fava que obrigava o “feliz” contemplado a comprar o bolo do ano seguinte. O que havia, em abundância, era bolo-rainha, bolo-rei de chocolate, bolo-rei desmanchado e outras variedades em dó menor.

Aceitamos estas modernices, mas achamos que se impõe uma reflexão sobre a sub-reptícia adulteração da linguagem. De alguns anos para cá, tornou-se epidémica.

Em vez do habitual “Merry Christmas”, já não suportamos ouvir e ler “Happy Holiday Season” por toda a parte. A palavra Christmas quase que desapareceu do espaço público. Como se fosse uma obscenidade. Hoje é tudo “holidays”, concertos das “holidays”, luzes das “holidays”, presentes das “holidays”, livros das “holidays”, etc. Na publicidade, é raro os anunciantes mencionarem este vocábulo.

Esta eliminação tem ganho bastante terreno no continente norte-americano e outras geografias não estão imunes. Como noticiou a BBC, o corpo docente do Liceu Alemão de Istambul recebeu instruções para não fazer qualquer referência às tradições natalícias. Nada de canções ou músicas de Natal. Keine Weihnachten! A estação “Deutsche Welle” fala de anulação do Natal neste estabelecimento escolar, que funciona com o dinheiro dos contribuintes germânicos. Em duas palavras, o “Die Welt” (19.12.2016) resumiu em letras garrafais: “Weihnachten gestohlen” (Roubaram o Natal).

Quando colegas judios ou muçulmanos celebram as suas festas, desejamos-lhes Feliz Hanukkah ou Bom Eid. Surpreendido com a “censura” na comunicação social ou no ensino, um amigo não-cristão perguntou-nos o que havia de errado em dizer Feliz Natal. Sem resposta plausível, ficámo-nos pelos maus princípios do “politicamente correto”.

Lembramos a todos, incluindo os que não são religiosos nem frequentadores de igrejas, sinagogas ou mesquitas, que este feriado tem um nome e, por amor de Cristo, é chamado CHRISTMAS/NATAL. É Ele a razão de ser desta quadra festiva.

Outro distintivo da época é o presépio, uma representação do que os cristãos acreditam ter ocorrido numa noite de 24 para 25 de Dezembro. Está de igual modo em vias de extinção nos lugares públicos. Sirva de exemplo as controvérsias (“Libération 9.11.2016) em torno da sua construção nas poucas câmaras municipais francesas que recusam obedecer aos “diktats” do “politicamente correcto”.

Um dos prenúncios de que algo vai correr mal é quando alguém diz: “prefiro nem saber”! E isso está a acontecer. Hoje, fechamos os olhos a tudo. Temos medo de ofender quem nos quer destruir. Um belo dia, quiçá demasiado tarde, descobriremos que “forças desconhecidas” tencionam apagar os nossos traços culturais.

É óbvio que cada período da história apresenta vantagens e inconvenientes. Devemos, porém, valorizar o que nos distingue. Caso contrário, desapareceremos como povo.

Para todos, mesmo para os colaboradores na destruição da nossa civilização, desejamos um Santo NATAL! Merry CHRISTMAS!

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