SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 16:53

Principado de Liechtenstein, paraíso fiscal e…social

A 14 de Julho, “Dia da Festa Nacional Francesa”, estávamos a arranjar uns parágrafos para hoje quando ocorreu a tragédia de Nice. Comunicámos de imediato com alguns amigos em Paris.

É difícil escrever sobre esta desgraça e sobre os infernos sociais. Os censores politicamente correctos impedem-nos de expor o que pensamos. Operam de modo enganador. Basta ler e ouvir as tolices facciosas de tantos jornalistas a temperarem ou deslavarem as notícias.

Começamos pela mensagem recebida de um amigo que é nosso cicerone sempre que passamos pela “Ville des Lumères”. Um erudito e socialista da velha escola, homem de reconhecida prudência e ponderação. Fala do que sabe e sabe do que fala.

“Sim, outro ataque que vitimou inocentes. A França está em estado de choque. E, de novo, um jovem de origem norte-africana que a França acolheu, alojou, ajudou, a quem foi dada “residência legal”, e que sobrevivia, ele como a sua família, de subsídios de desemprego, do rendimento de inserção e de toda uma série de outros benefícios sociais. Apesar de tudo isto, odiava a França e os franceses. Um rancor que o levou a cometer os assassinatos, executados como se fosse um jogo. Um divertimento. Como é costume, o governo e a comunidade a que pertence, dizem tratar-se de um doente mental. Para perpetrar tais horrores, tem mesmo de ser.” Os leitores interpretarão como quiserem estas linhas que ele nos enviou e nós traduzimos.

Ontem, demos uma olhadela ao relatório de uma comissão de inquérito da Assembleia francesa sobre outro massacre (“Observador” 17.07.2016). Respigámos o seguinte: “Um polícia declarou que os terroristas mutilaram as vítimas antes de se fazerem explodir. Logo que chegou à sala de espectáculos Bataclan, onde três terroristas armados entraram aos tiros a 13 de Novembro de 2015, o polícia teve que vir para a rua vomitar. Conforme contou um chefe de polícia, havia vítimas decapitadas, degoladas e outras sem vísceras. Havia no chão um homem que tinha sido castrado, com os testículos enfiados na boca e havia mulheres apunhaladas na zona genital. Os actos de violência teriam sido praticados no segundo andar e filmados para servirem de propaganda para o Daesh. Terá sido por isso que alguns dos 89 corpos resgatados do local não chegaram a ser mostrados às famílias”.

Quando não estão a ceifar vidas de inocentes, esta “gente” lança sapos e cobras contra quem não é ou não deseja ser da “comunidade” que prega “paz, amor e harmonia universal”. Os defensores do “politicamente correcto” tendem a olvidar que os sectários do terror não são budistas tibetanos. Quem tiver a audácia de assinalar as contradições é apelidado de racista, xenófobo, fascista e outras etiquetas do mesmo estilo.

E por tudo isto ser bastante complexo, mudamos de assunto. Vamos para o Principado do Liechtenstein, uma das raras excepções ao caos em que se transformou a Europa.

Se tivéssemos de reemigrar, gostaríamos de ir viver nesse país de conto de fadas, no meio dos Alpes. Os habitantes são trabalhadores e parecem felizes. Há séculos que não viram soldados estrangeiros no seu território e aboliram o próprio exército.

Na primavera, encontrávamo-nos na região e aproveitámos para descobrir esta nação minúscula (160 km², 36.000 pessoas), mas com uma grande qualidade de vida. Um estado (entre a Suíça e a Áustria) que pode confirmar ou invalidar preconceitos sobre paraísos fiscais e sociais. Faz parte da EEA (European Economic Area), o que lhe dá livre acesso aos mercados europeus. A burocracia é leve e as agências de notação financeira atribuem um “rating” de AAA à sua dívida soberana. Está na liga do Canadá, Alemanha, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Suécia e Suíça.

Não há salário mínimo, porém os salários são dos mais altos do mundo e os impostos situam-se entre os mais baixos. Desemprego, crime e poluição são quase inexistentes. Algumas pessoas nem sequer trancam as portas das casas e é proibido fazer barulho depois das 22h00.

Apesar de um terço da economia se alicerçar nas actividades financeiras, é dos povos mais industrializadas da Europa. Tem meia centena de indústrias não-poluentes que vão do fabrico de próteses dentárias ao de sistemas de aquecimento central, incluindo óptica, produtos farmacêuticos e instrumentos de precisão. Embora não possua recursos naturais o PIB “per capita” é dos mais elevados do planeta.

Com uma história que remonta ao Século XIV, o Liechtenstein é uma terra maravilhosa com castelos medievais (num dos quais vive o príncipe reinante), chalés decorados com gerânios, verdes prados junto ao Reno, e pequenas aldeias encavalitadas nas montanhas. Em Vaduz, a discreta capital com cerca de 5.400 habitantes (a população da freguesia de Riachos), não passa de uma pequena vila ou grande aldeia.

O castelo do soberano fica a cerca de vinte minutos a pé do centro de Vaduz. Não está aberto ao público, mas reconhecemos que vale a subida ingreme pela floresta pois é maravilhosa a vista. Após essa digressão e uma visita às vinhas e caves principescas, os filatelistas podem admirar (e comprar!) belíssimos selos no museu dedicado a essa ocupação de lazer. Pouco mais haverá para fazer. Excepto durante o inverno, para quem praticar esqui.

A família real é da antiga nobreza austríaca. Recebeu o título do Império em 1608 e, por volta de 1700, aumentou o domínio ao adquirir os territórios adjacentes de Vaduz e Schellenberg.

Haverá os que não gostam da monarquia. Quiçá prefiram a República Popular Democrática da Coreia. Na primeira reina o Príncipe Hans-Adam II, cujo pai era Franz Josef II , sobrinho-neto de Franz I .Na Coreia do Norte, tivemos o falecido Kim Il-sung que, após ter sido líder supremo entre 1948 e 1994, foi nomeado “presidente eterno”. Sucedeu-lhe o filho (Kim Jong-il) e quem governa agora é o neto (Kim Jong-un).

Azul e vermelho são as cores das duas bandeiras. A da Coreia do Norte tem uma estrela vermelha e a do Liechtenstein a coroa dourada do principado, no canto esquerdo do rectângulo superior.

Entre estes dois “paraísos”, escolhemos o do Príncipe Hans-Adam II.

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