SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 02:36

Filme antigo para rever no Natal

Os parágrafos de hoje são inspirados num apontamento que o nosso amigo Joaquim Canais Rocha publicou na “Lanterna Mágica” do suplemento desportivo.

Citamos: “Com a chegada de Dezembro, os filmes seleccionados para esta época começam a surgir nos ecrãs dos cinemas da capital. Todavia existem filmes que são de todas as épocas e quando chega a quadra natalícia são repostos para os mais pequenos tomarem contacto com outro mundo para eles um pouco desconhecido”. Menciona quatro: “Mary Poppins”, “My Fair Lady”, “Música no Coração” e “E.T. – O Extraterrestre”. Estamos de acordo com a escolha.

E, por também ser nosso hábito recordar algum filme próprio para a época, gostaríamos de juntar à lista outro, bastante mais antigo, que alguns espectadores de diversos países costumam ver. Com efeito, centenas de estações de televisão incluem-no na programação de Natal. Seja no próprio dia, na véspera ou no “Boxing Day” (26 de Dezembro).

Qualquer apreciador da Sétima Arte o conhece. É todavia difícil descrever o prazer que nos dá rever “É uma vida maravilhosa ” (It is a Wonderful Life). Como alguém deve ter adivinhado, é a esse clássico de Frank Capra que nos estamos a referir. É velhinho, i.e. de 1946, porém os papéis de Jimmy Stewart e Donna Reed são eternos. Reflectem a condição humana. Tal como as grandes obras da literatura universal.

Visto que serão numerosos os leitores que viram este filme, evitaremos entrar em detalhes. Não faltam passagens memoráveis!

É um filme com uma mensagem simples. Trata da importância da amizade e do amor. Prova que ninguém é uma ilha, que a existência de cada ser humano está ligada à de outras pessoas de maneiras nem sempre evidentes.

George Baily (interpretado por Jimmy Stewart) representa muitos homens cuja existência não seguiu o rumo projectado. Saía tudo errado ao Sr. Baily e, na noite fatídica, exausto e frustrado com a vida, convence-se de que teria sido melhor se nunca tivesse nascido.

E, neste momento de profundo desespero, episódios da sua vida desenrolam-se como uma película. O que teria acontecido ao vizinho se ele não lhe tivesse oferecido uma palavra de simpatia? Ao cliente do banco com problemas de liquidez?

O espectador percebe o que sucede quando uma peça (George Baily ) é retirada do motor (a comunidade). Não é apenas impressionante, mas faz-nos entrar pelos olhos a dentro como a vida de uma pessoa toca a existência de tantas outras.

George Baily, que descrê da sua utilidade, é na realidade indispensável ao bem-estar de muita gente. É um factor positivo que melhora a existência das pessoas do seu meio. Não por feitos extraordinários, simplesmente por ser um bom amigo, vizinho, marido e pai.

Um cidadão honesto, altruísta, que acredita no lado bom das pessoas e na comunidade.

A vida pode ser complicada e confusa. Repleta de ocorrências, algumas agradáveis e outras pavorosas. A vida não é algo que se possa planear a 100 %. Só uma coisa é certa: “Ela é maravilhosa!”.

Nenhum ser humano é um falhanço total. Há sempre um amigo, um familiar ou um vizinho que depende da nossa ajuda e que, em princípio, nos amparará se for necessário.

P. S. – Embora com algum atraso, aproveitamos para felicitar o Cineclube Torrejano pelo seu 55º aniversário. Nestes escritos, já por diversas vezes reconhecemos o muito que aprendemos nesta associação e a dívida que temos para com ela. Resta-nos fazer votos que os seus dirigentes saibam manter a herança do passado e, ao mesmo tempo, sirvam de farol para o futuro. Que o Cineclube não desista de ser uma herança e um projecto da comunidade torrejana.

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