SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 00:39

Alemães ontem e hoje, vândalos e unificação

Ontem, a Embaixada da Alemanha comemorou com sucesso o 25º aniversário da integração da DDR na República Federal. Até o tempo cooperou. Sol radiante, temperatura acima de zero e nenhum vento do norte.

Hoje, acordámos com um manto branco a cobrir tudo e que preservou os rastos de esquilos que tinham passado pelo jardim. Foi a primeira neve da estação. Transformou a cidade, conformando-a com a natureza. É a imagem que os estrangeiros têm do Canadá.

As celebrações realizaram-se em numerosas cidade por esse mundo fora. Uma ocasião para festejar um país que recuperou o seu lugar na cena internacional, sem ter esquecido a sua responsabilidade pelas barbaridades dos nazis.

É difícil de entender como um povo com elevado nível de educação, tenha, num sistema democrático, chegado à ignomínia nazi. Como é que se deixaram levar a tal beco sem saída? Como é que se apaixonaram por um regime que não respeitava a dignidade humana? Como se  submeteram a uma ilusão abominável.

No Museu da História, na capital canadiana, juntaram-se centenas de amigos e admiradores da Alemanha contemporânea. Não faltaram os discursos de ministros e de outros políticos. E, em solidariedade com as vítimas dos atentados de Paris, cantou-se a “Marselhesa”, a que se seguiram os hinos alemão, do Canadá e da UE. Depois, ouviram-se peças de Mozart e de Beethoven com que o Scharoun Ensemble (da Orquestra Filarmónica de Berlim) brindou brilhantemente os convidados.

Um debate actual que divide as gentes do continente tem a ver com os refugiados e imigrantes. Esquecemos que, no início do século V, vândalos, alanos e suevos começaram a atravessar os Pirenéus e que, a partir dessa data, a Península Ibérica principiou a desligar-se da civilização romana que foi sendo substituída pelas toscas culturas germânicas. Não foi de um dia para o outro que os vândalos conquistaram os países do sul, acabando por ocupar vastos territórios, em particular na França, na Península Ibérica e no Norte de África. Em 455, saquearam Roma.

No século XXI, estamos perante uma germanidade diferente. A RFA recebeu milhões de imigrantes e, até ver, está disposta a acolher quase um milhão de refugiados do Médio Oriente. Apesar das reacções pouco cordiais de alguns grupos, é evidente que estes migrantes preferem como destino o país da Frau Merkel. Sabem que aqui as suas famílias terão mais oportunidades.

Por estas e muitíssimas outras razões, aumentou a importância da língua de Goethe e Schiller. Talvez seja de aprendizagem árdua e, como outros idiomas, requer perseverança e prática.

Ainda há poucos meses, durante uma visita do Presidente Joachim Gauck, tivemos a honra de participar numa reunião de informação com Daniela Schadt, a sua companheira. Passou-se quase tudo em alemão, mas quando foi a nossa vez de falar exprimimo-nos em inglês.

Reconhecemos que temos suficiente conhecimento de alemão para criar problemas, mas que, ao mesmo tempo, também sabemos que o nosso domínio dessa língua é insuficiente para sair deles. Com efeito, recordamos algumas gafes efectuadas quando éramos mais jovens. Contrariamente ao que nos dizem, há erros que não desaparecem com a idade. Ora vejamos.

Ao telefonar para um estudante numa residência universitária, tivemos de comunicar à recepcionista o número do quarto. Ramal ou, como se diz na América, “extension”. A conversa foi rápida: Guten Morgen (bom dia). Darf ich mit Alexander sprechen? (posso falar com o Alexander?). Com grande satisfação por nos terem compreendido, logo acrescentámos sem hesitar: Durchfall 223.

Após uns momentos de silêncio, a telefonista deu uma pequena gargalhada. Só mais tarde viemos a saber que o termo para “extension” é “Durchwahl” e não “Durchfall” que significa diarreia.

Mas voltemos às comemorações da reunificação. Além da música e da magnífica comida, à despedida foi presenteada a cada um dos convivas uma caixa com chocolates artesanais, um embrulhinho com um lápis da Faber-Castell, cremes Nivea, livros, receitas de cozinha, etc.

Ninguém fez referência aos escândalos da Volkswagen. Notámos porém que entre os patrocinadores se encontravam a Mercedes-Benz, a BMW, a Lufthansa e a Airbus.

Temos ouvido muitos portugueses a reclamar contra a hegemonia germânica. Os mais desmiolados acreditam no bacalhau a pataco.

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