SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 09:06

Mirtilos e cachaça

Os dias do verão de 2015 vão-se escoando como as gotas de água numa torneira velha. Julho é um dos meses de canícula, o outro é Agosto que começa amanhã. Os cardeais do jardim que, ainda há semanas, nos acordavam pelas 4h30 da madrugada, agora deixam-nos dormir até por volta das 5h15. Sempre ao raiar da aurora que cada vez é mais tarde.

Os felizardos com acesso a fazendas que produzem mirtilos, já foram informados que estão prontos para a colheita. Esta fruta, nativa das latitudes setentrionais, é agora cultivada em larga escala na América do Norte.

Aparecem nos supermercados durante todo o ano. Quando não vêm dos Estados Unidos, vêm do Canadá. No inverno, são de origem chilena e neozelandesa. As plantas são arbustos de pequeno porte. Existem variedades da mesma família, i.e. Ericáceas, no norte da Europa e crescem de modo espontâneo na Serra do Gerês e no nordeste transmontano em geral. Como sabemos, estes frutos são de cor azul, apresentando alguns um tom arroxeado. São hoje criados comercialmente em diversas regiões do continente português. Há quem lhes chame arandos.

Para os ameríndios norte-americanos era ao mesmo tempo um alimento e um medicamento. É nutritivo, saudável e popular. Uma rica fonte de vitaminas A e C, ferro, cálcio, fósforo, potássio e fibras. O seu suco serve para curar feridas e, nas últimas décadas, ficou demonstrado que é igualmente eficaz no combate aos radicais livres e ao mau colesterol.

E devido ao facto dos leitores deste semanário não serem caipiras do sertão, mas gastrónomos de primeira água, recomendamos uma sobremesa onde podem usar uma quantidade de mirtilos à vontade de cada um.

Com efeito, trata-se de uma sobremesa simplicíssima e refrescante. Apropriada para fechar uma refeição estival. Nada mais do que uma chávena de queijo mascarpone com um cheirinho de cachaça, acompanhado de uma mão cheia de mirtilos. Para decoração, sugerimos um ramo de hortelã à laia de bandeira.

Para atiçar as papilas gustativas, preparem também uma caipirinha brasuca, em que a lima seja substituída por sumo de mirtilo. As melhores cachaças são elaboradas a partir de cana-de-açúcar biológica, por fermentação e destilação em alambiques artesanais. As mais apreciadas repousam depois em barris de madeira de carvalho, durante um período mais ou menos prolongado de envelhecimento.

Afirmam os entendidos que as grandes marcas vêm dos meios rurais de Pernambuco, Santa Catarina e Minas Gerais. Em Março, deram-nos a provar uma de origem santa-catarinense que se casou bem com sumo de abacaxi.

O verão é uma excelente época para arriscar combinações de novos aromas e sabores. Podem começar pelos mirtilos e pela cachaça.

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