SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 20:07

As velhas artes e a “Arte Nova” de Klimt

Estamos no meio de uma vaga de calor e, por ser preciso manter a cabeça fria, lamentamos não poder satisfazer de imediato o pedido de um leitor. Sugeria ele que rabiscássemos umas linhas sobre a crise grega.

Com efeito, as últimas semanas têm sido marcadas pela acumulação de tretas na cena europeia. Há quem diga que sai e depois fica. Vai-não-vai, mas a eurozona continua inteira. Ninguém sabe por quanto tempo. Enfim, “adolescentes” a meterem milhões de adultos em camisas-de-onze-varas.

Há quem defenda na Grécia, e também em Portugal, o não pagamento das dívidas soberanas. Helenismos da mesma escola. Depois, há os politicastros cata-vento para quem a democracia é um meio para encher os bolsos. Esquecem-se que tão ladrão é o que vai à horta, como o que fica à porta. Gente de uma vulgaridade que faz arrepiar quem já caiu da burra abaixo e percebe que isto faz tudo parte do socialismo do bife. Com ou sem batatas fritas.

O Maquiavel, que conhecia bem o valor das trafulhices, teria muito a aprender com estes artistas. Para esta gentinha de honestidade duvidosa, intrujões e faltos de palavra, o melhor será dar-lhes papinhos de anjos e bochechinhas de vento norte, como dizem os nossos compatriotas ilhéus.

Embora este tema talvez fosse de interesse, estamos em vias de nos convencer que é melhor não elaborar demasiado. A comunicação social portuguesa entrou em frenesim para esconder as inépcias de uns camaleões que, na eventualidade de serem eleitos, só confirmarão que o país fica premiado com “artistas” de grandes habilidades.

Passemos pois à “arte nova” que foi uma ruptura com a tradição académica, um movimento que defendeu a imitação poética de configurações naturais. A estilização da forma tornou-a deste modo decorativa e simbólica.

Na sua versão austríaca, sobressai Gustav Klimt que nasceu numa família humilde, porém rica em vocações artísticas. Ele e os irmãos obtiveram bolsas para estudar pintura. Ainda jovem, Klimt reagiu contra o apego às tradições burguesas, acabando por fundar mais tarde a Secession, uma “escola” inovadora.

O imperador Franz Joseph, de início, simpatizou com a nova arte de Klimt. Encomendou-lhe obras de vulto, sobressaindo o grande mural da avenida Ring. No entanto, a algumas pinturas eróticas chocaram a burocracia reinante e os seus trabalhos acabaram por ser retirados de muitos locais. Com a excepção do painel “Filosofia”, criado para a Universidade de Viena, e que foi premiado, em 1900, na Expo Mundial de Paris.

Os seus quadros mostram paisagens (roseiras, pêra, campos floridos) para cuja pintura utilizou o pontilhismo também empregado pelos neo-impressionistas. Esta técnica consiste na justaposição de manchas de cores aplicadas directamente sobre a tela, sem serem previamente misturadas na palete. Cria uma sensação de terceira dimensão.

Há muito que Gustav Klimt nos intrigava. Sabíamos que tanto ele como os outros membros do Jugendstil tinham reinventado o papel dos artistas no seio do conservadorismo austríaco dos finais do século XIX.

De visita a Viena, aproveitámos par ir ver a Die Wiener Secession e apreciar o célebre Beethoven Frieze. Ficámos com uma melhor noção do estilo sincero, sensual e cintilante de Klimt.

A partir da inscrição que embeleza o topo da fachada do museu (“Para cada época a sua arte, para a arte a liberdade”), seria possível construir um jogo de palavras em torno das artes e dos artistas. Sem dúvida, há as que são produzidas por artistas de génio e as que os “artistas” da política actual inventam para controlar tudo e todos.

E, nestes tempos de canícula e de mormaço, recomendamos que aproveitem para ir dar banho ao cão.

P.S. – Um grande “mea culpa” pela troca de nomes efectuada no apontamento da semana passada. Onde se lê “A ‘puck/rondelle’ … foi para Lisboa com o Francisco Marques Gomes, mais conhecido por Chico da Casa Nery”, devia-se ler “A ‘puck/rondelle’ … foi para Mafra com o João Vieira Frazão”.

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados