SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 19:10

TAP: no lusco-fusco das trafulhices

Os governantes portugueses são mesmo giros. Primeiro, nacionalizaram a TAP para fazer o que lhes dava na gana. Nomearam gestores e funcionários, no mínimo, incompetentes e de maneira nenhuma lhes pediram contas a sério. Cada um tratou, e não mal, da vidinha. Da sua carreira e da respectiva conta bancária. Quando utilizam a greve para se protegerem do “patrão que os explora”, só um coração empedernido não se comove. Estão sempre a lutar pelo bem-estar dos passageiros.

Agora, falam em privatizá-la e continuam a injectar dinheiro dos contribuintes. Acabarão por a ofertar de mão-beijada a qualquer especulador. Custa a compreender, mas uma porção de cidadãos desconhece que não há almoços grátis. Cada tiro, cada melro!

De um mal jamais pode sair um bem. É essa a lição de “Macbeth”. Aplica-se a uma percentagem de funcionários “públicos, semipúblicos, etc.” a lambuzarem-se no erário do Estado. A maioria da população é que paga tudo, com o aumento indecente dos impostos existentes e a invenção de outros para sustentar a mafia institucional.

O tema desta semana enquadra-se na sequência de notícias sobre acidentes com aeronaves da “nossa” companhia. Hoje, vem no “Público” (13.07.2014): “Falha numa turbina obriga avião a regressar a Lisboa”. Também deparámos com o título: “TAP investiga incidente com motor de avião” e o seguinte parágrafo: “A TAP já está a procurar as causas do incidente que sucedeu hoje de manhã, em que um avião teve um problema num dos reactores, provocando a queda de peças na zona de Loures“ (DN 12.07.2014). Da maneira como operam os mídia, muitos portugueses nunca souberam que um motor rebentou num avião em pleno voo sobre a capital. Mais de trinta peças a caírem do céu.

Dias antes, podia ler-se no DN (9.07.2014): “Avião da TAP aterrou de urgência em Paris”. Noticiava o referido matutino: “Um A319 da TAP, com 65 passageiros a bordo, destinado a Amesterdão, foi ontem à noite desviado para o Aeroporto de Paris-Orly, depois de ter sido detectado que a cabine do aparelho estava a “despressurizar lentamente”. Note-se “um A319, com 65 passageiros”. Excelente negócio! Talvez por o único accionista ser o Estado.

Alguns portugueses escreveram em blogues que “passaram a noite numa sala equipada com camas de campanha”. Já outros passageiros tinham tido problemas idênticos, como se constata nos seguintes desabafos a propósito de um voo 709 (Praga-Lisboa) que foi mandado para Budapeste e cujos passageiros, após uma série de peripécias, chegaram a Lisboa com 24 horas de atraso.

Muitas empresas aéreas que eram estatais, deixaram de o ser. Umas abriram falência, outras tiveram de se reinventar. A Sabena e a Swissair desapareceram do mapa. A KLM e a Air France juntaram-se, tal como a British Airways e a Ibéria. Quase todas as grandes companhias europeias criaram filiais “low cost/de baixo custo” (por exemplo a Germanwings da Lufthansa e a Transavia da Air France-KLM). Por mal que se diga das “low cost”, do género Ryanair ou easyJet, a verdade é que captam em média 44% do mercado europeu.

Alguém acrescentará que existem bastantes companhias a viver do erário público. Sim é verdade:  Air Algérie, TAAG, Boliviana de Aviación, Air Burundi, Egyptair, Iran Air, TAM Moçambique, Vietnam Airlines, Air Zimbabwe. No extremo oposto da lista: QANTAS, da qual o governo australiano se libertou em 1992, Austrian Airlines, idem em 2008, Air Canada que não é do Estado desde 1989, Japan Airlines, privatizada em 1987, e passamos adiante.

Com injecções maciças de capital público, os Transportes Aéreos Portugueses ainda não faliram “de jure”, porém, na prática, sabemos que se encontram em maus lençóis. É difícil vendê-los por mais barato que seja o preço. O problema é sistémico e, tal como a nação doente, isto não vai lá, mesmo com baldes de oxigénio e transfusões de dinheiro emprestado.

Aprendemos, há décadas, que era melhor fugir da TAP para não ter dores de cabeça. Para quê aturar funcionários pretensiosos, se existem alternativas, por vezes a melhor preço. Acontece que, no dia 22 de maio, para evitar uma paragem em Madrid, apanhámos a contragosto o TAP1097, de Valência para Lisboa. Um desastre total, com os imprevistos do costume. O voo partiu com cerca de 6 (SEIS) horas de atraso. Os representantes locais não tinham explicações. Repetiam que se tratava de uma avaria. A certa altura, comunicaram-lhes de Lisboa que iam mandar outra aeronave que nos levaria ao destino…após escala em Argel. De toda esta odisseia, o mais triste foi ter-se confirmado a nossa opinião: mediocridade e arrogância. Para a próxima, é de lembrar a sugestão de um colega estrangeiro: “TAP stands for: TTake AAnother PPlane” (TAP significa: apanhe outro avião). Ou, como é conhecida no Brasil: Tamancos Aéreos Portugueses!

Os admiradores da TAP, no estilo dos vendedores de fruta que mostram sempre uma maçã pelo lado com menos vermes, afirmam que é a melhor companhia aérea do mundo, que os pilotos são incomparáveis, que o serviço é à moda da casa. De tudo, só concordamos com a última asserção. Espelha, naturalmente, um país com tantos problemas por explicar. Começa a ser impossível aceitar a incompetência desta gente.

Utopias são apenas isso, utopias. A realidade é bem diferente. É preciso abrir os olhos para testemunhar que isto está tudo ligado, que uma decisão arrasta as outras. Demasiadas ocorrências degradantes e de desconsideração pelos passageiros, verdadeiro fomento de um futuro negro e ainda mais endividado.

As pulgas continuarão ocultas no pêlo do cão. Para se alimentarem do seu sangue.

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