SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 21:47

Festival de neve e gelo

Todos os anos por esta altura, dezenas de milhares de turistas visitam a capital do Canadá. São atraídos não pelo frio, mas pelos museus e, também, pela estatuária exposta no 27° concurso internacional de escultura no gelo. Aproveitam para patinar no Canal Rideau e, em geral, para saírem de casa e respirar ar fresco. Este festival que se chama Winterlude (em inglês) e Bal de neige (em francês) vai na 36ª edição.

Os ecologistas garantem que o planeta está o aquecer. Talvez seja verdade. Contudo, o que sabemos ao certo é que neste inverno a água solidificou mais cedo. Em dezembro, já se podia patinar.

A utilização do canal como rinque data de 1971. Trata-se da maior pista do mundo, com cerca de um milhão de patinadores a usá-la. São 7,8 km entre o Lago Dow’s, junto à Universidade Carleton, e as comportas no Château Laurier. Um recorde reconhecido pelo Guinness. No percurso, encontra-se uma variedade de pessoas, de todas as cores e idades. Até pode acontecer ver-se algum campeão olímpico a treinar. Diga-se de passagem que atletas locais fazem parte da representação canadiana a ganhar medalhas em Sochi.

Tudo isto tem os seus custos e a Câmara de Ottawa é exemplar. Como em qualquer outro lugar, os munícipes pagam impostos. Temos porém de reconhecer que o dinheiro que sai do bolso dos contribuintes é bem utilizado. É bastante raro a autarquia assinar contratos ou empréstimos estapafúrdios e, em quase todos os eventos comunitários, nunca faltam voluntários para fortalecer a organização. Por exemplo, 700 homens e mulheres, jovens e idosos, colaboram na organização do Winterlude. Não estamos a exagerar, pois são mesmo mais de setecentos os que dão o máximo do seu esforço para atingir objectivos colectivos.

A corrupção não domina e a administração municipal é transparente. Aqui, seria impensável a eleição de ineptos “à la portuguesa”. E, se por má sorte isso acontece, a lei neutraliza os poderes de um ou outro bobo, como na recente telenovela do presidente da Câmara de Toronto. Uma excepção que confirma a regra.

Se por vezes o canal tem de ser fechado não é por algum autarca abusar do poder, no estilo do quero posso e mando luso, mas por causa das condições atmosféricas. Não é nada fácil lidar com constantes subidas e descidas da temperatura. Há equipas de funcionários que têm por obrigação manter a superfície em perfeito estado. Para tal, passam a noite a regar o gelo para que fique tudo lisinho e não surjam gretas no pavimento. Têm veículos e outros equipamentos apropriados para efectuar o trabalho como deve de ser.

As temperaturas ideais para um perfeito dia de patinagem situam-se entre os cinco e os dez graus negativos. Sublime é quando, durante a noite, o mercúrio anda pelos quinze ou vinte abaixo de zero. Então, as condições tornam-se fantásticas.

Nos últimos cinco anos, a média de utilização deste espaço lúdico tem rondado os cinquenta dias. Em 2007, foi reconhecido como bem cultural e património da Unesco. Foi a cereja para completar o bolo.

Numa tarde de fim-de-semana, de preferência com sol e sem vento, as multidões transpiram felicidade. De facto, é saudável viver num país onde as instituições públicas existem para beneficiar os cidadãos e não para os depenar.

++++

P.S. – Avisamos os antigos alunos dos Professores Silva Paiva e Oliveira que é no dia 22, que se realiza o “Encontro do abraço” deste ano. Começa na Praça 5 de Outubro, pelas 12h00, e continua no Restaurante “Solar da Ilda”, situado nas traseiras da Escola Manuel Figueiredo.

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados