SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 13:46

Mais um Super Bowl

Há doze meses menos um dia, sete milhões e meio de canadianos seguiram pela televisão a final do campeonato da NFL, o famoso Super Bowl da liga americana de futebol profissional. Com efeito, tratou-se do programa televisivo com a maior audiência. Porquê?

Também nos cativou. Além de se tratar de um grande desafio, é interessante admirar a inovação dos anúncios comerciais e o espectáculo em si. Desta vez, fizeram parte da transmissão concertos de artistas célebres—Bruno Mars e os Red Hot Chili Peppers. Em 2013, a vedeta foi Beyoncé.

No domingo, digladiaram-se os Broncos de Denver e os Seahawks de Seattle. Os adeptos da equipa do Colorado ficaram um pouco frustrados pois os Broncos perderam ingloriamente por 43 a 8.

Como era de esperar, o valor dos bilhetes continuaram a andar pela estratosfera e as taxas de audiência não desiludiram o mundo dos negócios. Ultrapassaram os números de 2013, tendo as receitas da publicidade alcançado máximos nunca antes atingidos. Imagine-se! Quatro milhões de dólares por cada trinta segundos. Nem nas olimpíadas.

A tónica parece resvalar par o consumo e o marketing. Durante o jogo do ano passado, os americanos consumiram cerca de um milhão de asas de frango e beberam um volume inconcebível de cerveja e refrigerantes. Cinquenta milhões de latas. Ontem, de novo, repetiram-se estas estatísticas.

Mais que a final do campeonato americano, o Super Bowl transformou-se numa atracção a nível internacional. Só nos EUA, foi visto por 112 milhões de telespectadores. E até o canal SportTV fez a transmissão para Portugal. Audiências enormes que gerem centenas de milhões de dólares.

A tabela da publicidade subiu 50%, mas vale o preço. Vejamos: Bob Dylan num carro da Chrysler, U2 a propagandear o Bank of America, James Franco a vender a Ford, Bruce Willis a Honda, David Beckham com a H&M, Arnold Schwarzenegger faz o mesmo para a cerveja Bud Light. E ninguém se vai esquecer do adorável reclame à Budweiser, com o cachorrinho e o cavalo. Pode se revisto no YouTube. Originalidade criativa no seu melhor!

Revenhamos ao relvado. Os Broncos tinham um ataque estupendo e ganharam em 1997 e 98, porém os Seahawks conseguiram humilhá-los ao desenvolver uma defesa impenetrável. Os entendidos dizem que se trata da melhor equipa de que há memória. Quanto aos “quarterbacks”, estávamos perante dois estilos e talentos diferentes. O veterano Peyton Manning dos Broncos, com passes que também ficaram na história, foi uma decepção total. E do lado dos Seahawks, apesar de este ser apenas o seu segundo ano na NFL, esperava-se mais do jovem Russell Wilson por ser um atleta produtivo.

Tínhamos pensado que a qualidade dos dois clubes se equilibrava. Ambos são dominantes na metade oeste dos Estados Unidos e contam com milhões de apoiantes. O que estranhou aos observadores deste fenómeno foi o facto de aceitarem que o jogo se realizasse na zona metropolitana de Nova Iorque, portanto na costa leste. Em East Rutherford, na vizinha New Jersey. Num estádio ao ar livre e em zona de clima frio, mas tudo saiu bem.

Seja devido ao desporto em si mesmo, seja pelos “shows” antes do jogo e no intervalo (os Red Hot Chili Peppers puseram toda aquela multidão a dançar!), é impossível ficar-se indiferente ao Super Bowl. Para não mencionar o impacto económico e de marketing do evento.

A seguir ao almoço, fomos patinar no canal gelado e voltámos a tempo de ligar o televisor e ouvir o hino na voz da soprano Renée Fleming (grande dama da ópera) logo no início da 48ª edição do Super Bowl e, bem assim, Queen Latifah a cantar “America the Beautiful”.

Há pelo menos uma assinante torrejana do Massachusetts que gostará de saber que, sempre que escutamos esta canção, a associamos com ela e o marido. A autora, Katherine Lee Bates, nasceu em Falmouth e a sua casa-museu ainda lá está, no Village Green. A curta distância da residência da Família Butler.

Algumas estrofes: “O beautiful for spacious skies, // For amber waves of grain, // For purple mountain majesties // Above the fruited plain!” (“Que bonita pelos céus amplos, // Pelas ondas de cereais cor de âmbar, // Pela majestosidade das montanhas cor de violeta // Acima da planície fecunda!”).

Não há nada como um acontecimento desta envergadura, mesmo visto pela televisão. Em Fevereiro, é óptimo para a saúde mental.

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