SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 18:09

As balizas da comunicação social

Foi Charles Dickens quem escreveu “Quando um sentimento é natural para mim, tenho o hábito de concluir que também é natural para os outros homens”.

Compartilhamos esta sensação, pois estamos persuadidos que algumas das nossas ideias poderão ser repartidas com eventuais leitores. Uma dessas opiniões relaciona-se com o facto de a imprensa regional ainda cumprem uma função de relevo fora das grandes capitais.

De maneira explicita ou subentendida, temos podido testemunhar como um semanário consegue noticiar o que se passa na região de modo a fazer que ele também seja “propriedade” dos habitantes da cidade, do concelho e bem assim das terras limítrofes.

Dá-nos a entender o que se passa na comunidade, o que os comerciantes sentem, o que o centro da urbe está a sofrer. Há quem formule hipóteses para analisar tais ocorrências, uma vez que este devia ser o múnus da imprensa local e regional.

Por outro lado e em certas circunstâncias, temos constatado como determinados políticos conseguem passar “mensagens” , utilizando alguns órgãos da imprensa como se eles fossem apêndices dos respectivos partidos.

E foi neste contexto que associámos o convite da direcção d’ O Almonda para os colaboradores trocarem “algumas impressões”. Visto ser impossível a nossa presença na reunião de 4 de Dezembro, resolvemos recorrer ao celebrado autor da frase “o meio é a mensagem”.

Estivemos a reler uma velha obra de Marshall McLuhan. Trata-se da “Gutenberg Galaxy” (original de 1962, com tradução brasileira publicada na década de setenta). Nela, o eminente teórico das ciências da comunicação descrevia, de forma quase profética, a evolução da comunicação social à escala universal.

Uma passagem bastante citada do referido livro era deveras premonitória: «Se uma nova tecnologia prolonga um ou mais dos nossos sentidos para o exterior de nós mesmos, originando uma esfera social mais vasta, então surgirão novas relações entre os sentidos. E o que parecia lúcido antes, de repente pode tornar-se opaco, e o que tinha sido opaco vai tornar-se translúcido» (1962: 41).

De facto, McLuhan explicou-nos a magia dos novos meios: rádio, cinema, televisão, fotografia, satélites, computadores, internet e, como se diz no Brasil, as “mídias sociais”.

A ele se devem as noções de “galáxia” e “aldeia global”. McLuhan foi pioneiro no estudo do impacto do desenvolvimento tecnológico na comunicação. Defendia que este processo iria restaurar o efeito “tribal” que existia antes do advento da prensa móvel no século XV.

Está hoje provado que o mundo se transformou numa “aldeia global”. Estamos a pensar na instantaneidade da transmissão e recepção de mensagens em qualquer ponto do planeta. Previu, sem dúvida, a internet e a virtualidade da vida contemporânea.

Pode-se dizer que o “modus operandi” varia consoante as pessoas e as conjunturas. Um estratagema comum parece ser a habilidade de estar sempre em cena a projectar imagens positivas. Se por ventura houver quem ouse proclamar que o rei vai nu, então é necessário ter quem feche os olhos e produza contra-informação. Quem exerça a censura para não deteriorar a imagem, mesmo que tal esteja a mil léguas de um comportamento ético. Nem sequer invocamos a deontologia profissional.

Um objectivo-chave do planeado encontro será por certo de melhorar o que já se faz relativamente bem e de preservar a relevância do jornal em Torres Novas e na região. De continuar a revelar aos assinantes da Meia Via e da cidade o que se passa no Pedrógão ou nos Riachos. E vice-versa. De incentivar os jovens a lançarem projectos. De explicar como é importante participarem com artigos sobre o que lhes interessa. Quem sabe se O Almonda não poderia transformar-se em viveiro de jornalistas e cronistas comunitários?

E, por estarmos quase no Dia de Acção de Graças (Thanksgiving) que nos Estados Unidos é sempre na quarta quinta-feira de Novembro (o do Canadá é na primeira segunda-feira de Outubro), vem a propósito uma palavra de agradecimento. É importante reconhecer o papel desempenhado pelos jornais locais e o muito que fazem em benefício das populações em que estão inseridos.

Os colaboradores fazem o que podem. Supomos que ofertam o seu tempo a título não lucrativo e benévolo. Tomamos como ponto de partida que compete à sociedade civil contribuir com textos, críticas, cartas ao director ou fotos, para que o jornal possa agradar a um maior número de torrejanos.

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