SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 20 Junho 2021, 11:36

Jogos de futebol

Tínhamos delineado umas ideias para os parágrafos desta semana, quando aceitámos o convite do Goethe Institut para ir ver o filme “Der ganz große Traum” (Lições de um sonho).

Descreve a história de Konrad Koch, jovem professor de línguas numa escola de Braunschweig que acabou por ser o pioneiro do futebol germânico. A película traça as origens deste desporto no reino do Kaiser Wilhelm. É a história de uma turma que, pouco a pouco, se metamorfoseia numa verdadeira equipa de futebol, que compreende a importância da cooperação e da liderança. Simultaneamente, vão aprendendo com entusiasmo a língua e a cultura inglesas. Tudo muito bem contextualizado no conservantismo característico do império alemão dos fins do Século XIX e na sua transformação a nível local e nacional.

Aconteceu a leste do rio Reno. De igual modo se podia narrar a introdução desta modalidade em Portugal pelos irmãos Pinto Basto.

Também existe em Torres Novas uma historiografia neste domínio, com valiosas contribuições dos nossos amigos João Carlos Lopes, Carlos A. Ribeiro e José Manuel Tuna Caranguejeiro. A propósito de Riachos, temos o trabalho de Manuel Oliveira Lopes.

Desde a aurora dos tempos que a identificação com grupos, clãs ou tribos serve de denominador comum em todas as civilizações. A caça e a recolecção dos primeiros hominídeos teriam sido impossíveis sem a interdependência que os ligava. Na sua essência, o ser humano é social e sabemos como a sobrevivência da espécie assenta neste pilar.

As bancadas de um estádio ou de outro qualquer recinto desportivo são lugares privilegiados para se viver uma experiência colectiva. Damos como exemplo o conjunto de emoções que se manifestam num “derby” entre o FC Porto e o Benfica ou na final da Taça do Mundo.

Num período relativamente curto, cerca de hora e meia, sucedem-se episódios de satisfação, cólera, esperança e, por vezes, desilusão. Gritos, assobiadelas, apupos e aplausos estimulam os espectadores. Quadro que tanto pode ser positivo como prejudicial para o sistema cardiovascular.

Além do mais, o público participa numa causa comum. Pode ser uma vitória ou uma derrota, tudo depende da cor da camisola e da obediência ao tribalismo ancestral. Todas as energias associativas se canalizam no sentido de reivindicar o triunfo.

Partilha-se a glória dos atletas. Pessoas nunca vistas, nem mais gordas nem mais magras, transformam-se em amigos e camaradas. Em suma, companheiros de armas.

Em determinadas situações, esta euforia azeda e alguns indivíduos não controlam as emoções, o que leva a altercações verbais e/ou físicas. É então que as forças da ordem intervêm e surgem confrontações. Isto não ocorre todos os dias, mas infelizmente é fácil encontrar exemplos de casos complicados.

De facto, na maioria, os desafios não são acompanhados de violência e os adeptos continuam a festa nos bares das redondezas. Aproveitam a ocasião para celebrar o sucesso ou compensar a decepção. Passam-se então horas sem fim a discutir cada lance, ao mesmo tempo que se esvaziam uns copos e garrafas.

É o desporto-rei de todos os continentes. Mobiliza centenas de milhões de praticantes e espectadores. Já assim era nos idos da nossa mocidade. No entanto, é irónico constatar que se trata da maior força de entretenimento universal no qual os norte-americanos não predominam. Nos Estados Unidos, o “nosso” futebol não tem importância nenhuma quando comparado com o basebol, o basquetebol, o hóquei e o chamado “NFL football”. Este último sem qualquer relação com o “verdadeiro” futebol, a não ser o nome. Porém, em breve, o cenário vai mudar. Basta pensar na elevadíssima percentagens de crianças e adolescentes de ambos os sexos que praticam este exercício físico.

Este fim-de-semana, esqueça a austeridade e a depressão. Rume até um campo de jogos ou um pavilhão desportivo e vá dar uns berrinhos. Suponha que são endereçados aos políticos. Contudo, contenha-se e, por favor, não chame nomes às mães dos árbitros. Elas não têm nada a ver com as tolices dos filhos.

Vem a propósito mencionar que é sempre com alegria que deparamos com os nomes de Mourinho e de Cristiano Ronaldo na imprensa mundial. Por mérito próprio e por direito adquirido, são plumas garridas que adornam o chapéu da nação. E ainda bem, pois a imagem de Portugal tem andado bastante embaciada.

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