SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 21 Junho 2021, 23:56

Autarca com A grande: o Sr. Ramos da ex-Freguesia de Lapas

Pegamos no “Público” e lemos o seguinte: “o pântano das autarquias, um pântano que faria corar de vergonha Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Teófilo Braga e todos os grandes pensadores que encontraram nos municípios a fonte primordial das virtudes pátrias, está no caciquismo, no nepotismo, na apropriação do espaço público por uma franja de autarcas que mais parecem régulos do tempo dos Vátuas do que representantes eleitos de um regime democrático” (21.09.2013, p. 13). Ámem!

A nossa reflexão dominical concentrou-se em dois livros de Albert Camus: a “Peste” e “A Queda”. Encontrámos, no segundo, uma frase aplicável ao ciclo de gestão municipal que terminará em breve: “le style comme la popeline, dissimule trop souvent de l’eczéma” (o estilo como a popelina, muitas vezes esconde o eczema).

Fomos reler algumas edições d’O Almonda dos últimos vinte anos e constatámos que a analogia assenta como uma luva. Em retrospectiva, forçoso é dar razão ao Sr. Dr. Carlos Nuno que ao tempo era um assíduo colunista deste semanário. Ele profetizou o estado a que isto ia chegar. Mais tarde, na sua colaboração no “Jornal Torrejano” (7.11.2008), abriu os olhos de numerosos cidadãos para outra questão importante. Com efeito, as premonições realizaram-se. Muitos leitores estão conscientes da situação e cremos que, apesar de tantos “casos”, ninguém discordará se afirmarmos que existem excepções. Bastantes até.

Uma destas excepções, um autarca que não afina pelo mesmo diapasão, é o Sr. Manuel Ramos, antigo Presidente da Junta de Lapas. Não o conhecemos em pessoa, nem partilhamos a sua afiliação partidária. Aliás, quem nos conhece sabe que o nosso nome nunca figurou entre os filiados de qualquer partido político.

Tudo isto para esclarecer que as linhas que se seguem não foram impostas por interesses sectários. Resultam apenas de uma observação à distância, para salientar o empenho cívico de um conterrâneo. De facto, em Maio, já tínhamos notado os seus dotes de líder. Foi por ocasião da homenagem prestada à Senhora D. Jacinta Trincão.

Nunca hesitou na defesa da freguesia. Crê que ela possui uma personalidade própria e não aceita a sua extinção compulsiva para se agregar a São Pedro e Ribeira Branca. Não se conforma com a passividade de quem se afirma bairrista e não age de acordo com o que diz.

Por coincidência, lembrámo-nos que, em meados da década de noventa, tínhamos reflectido sobre a falta de poder das juntas. Procurámos uma pasta com apontamentos sobre questões autárquicas e encontrámos uns rascunhos sobre o tema.

É provável que alguns desses parágrafos tenham sido publicados. De qualquer forma, eis o que gostaríamos de repartir com os leitores.

Falemos pois das freguesias cujos territórios são bem definidos e onde se encontram populações com hábitos e tradições que as distinguem entre si. Daí que, desde sempre, homens bons tenham sido seleccionados como seus representantes. Reúnem civismo e talento para servir. Têm por missão pugnar pelos interesses da comunidade.

Os cidadãos devem manter um bom relacionamento com as respectivas juntas e estas, por seu lado, devem ser merecedoras do respeito dos “fregueses”. O que, em princípio, não deve ser difícil pois basta usar bom senso e critérios democráticos, independentemente da cor política de cada um.

Na mesma linha de pensamento, notámos igualmente como o Sr. Ramos liderou a merecida homenagem ao Sr. Bertino Coelho Martins. Gostámos da proposta e consequente deliberação para que fosse dado o nome deste ilustre lapense a uma rua da povoação.

A Câmara não aceitou a proposta da junta. Tal como o Sr. Ramos, desconhecemos o motivo da rejeição. Com efeito, somos da opinião que este tipo de homenagem se faça em vida, como tivemos oportunidade de sublinhar neste jornal a propósito da atribuição do nome do Sr. Joaquim Rodrigues Bicho a uma rua na Silvã (cf. 3.01.2003, p. 4). Entendemos tratar-se de uma iniciativa de mérito, pois permitiu então, e permitirá agora, que se reconheça o trabalho incansável de quem tanto tem dado à sua terra.

Tais motivos foram válidos para a cidade e critérios idênticos devem aplicar-se às aldeias do concelho. O vice-presidente fez bem quando prometeu uma resolução positiva por parte da Câmara. Se o não fizesse, alguém ficaria mal no retrato.

Um grande louvor para o Sr. Manuel Ramos. Salientamos o seu destemor na protecção do que é das Lapas e, por certo, do concelho. A freguesia agradece.

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