SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 03:19

Passar férias o mais perto possível

Por certo que serão numerosos os leitores que investem tempo, energia e dinheiro a organizar o mês ou as semanas de descanso a que têm direito. Reconhecem que um período de lazer traz benefícios. Tanto no que toca à saúde física, como mental.

Com efeito, existe uma vasta bibliografia científica que confirma esta hipótese. Tirar férias contribui para um melhor desempenho no trabalho e protege contra a depressão. Alguns investigadores até garantem ser mais elevada a mortalidade de quem não desfruta destes intervalos sem cuidados de maior.

No entanto, e não obstante o bem que faz este repouso, muita gente regressa a casa a dizer que as férias foram OK, porém nada de especial. De facto, uma viagem que no papel aparenta ser extraordinária, pode não ser o que se espera. Qual será a solução para este dilema?

Há quem se preocupe demasiado com questões tácticas e logísticas. Como conseguir bilhetes a preço módico? Como ir de A a B? Que outros locais devem ser incluídos no itinerário?

Se tudo isto assume alguma relevância, talvez seja insignificante no cômputo geral de umas férias bem gozadas. O importante é o estado de espirito do veraneante.

Um dos erros clássicos é esticar ao máximo o que se vai gastar. Damos um exemplo. Numa escapadela pelo país vizinho, não tente percorrer a Andaluzia ou a Catalunha de uma só vez. Fique uns dias a saborear Sevilha ou Granada e alugue um quarto numa aldeia do interior, de preferência com acesso fácil ao litoral para molhar os pés no Mediterrâneo.

Temos um casal amigo que voltou exausto da Europa. Em menos de duas semanas, estiveram em nove países. Andaram a saltarilhar de um lado para o outro e não tiveram, nem a oportunidade nem o tempo, de sentir a atmosfera local, de absorver o quotidiano de gentes e culturas distintas.

É óbvio que, nestes casos, se alcançaria mais fazendo menos. Também devemos ter em mente que optar por destinos dispendiosos, com poucas notas na carteira, não é de aconselhar. Quem queira champanhe e mal se possa dar ao luxo de mandar vir uma cervejita no “bistro” do canto, vai ficar insatisfeito.

De um modo geral, foi o que lemos no “Público” (14.07.2013). O título é revelador: “Ninguém tira as férias aos portugueses, mas os hábitos estão diferentes”.

Já antes nos referimos a Sevilha. Quem a conhece, não se cansa de revisitar esta cidade bonita, romântica e… a pouco mais de uma centena de quilómetros da fronteira.

Associamos a capital andaluza com famosas óperas no estilo de “Carmen” e “Don Giovanni”. E, ainda mais, ao “Barbeiro de Sevilha”. Bizet, Mozart e Rossini fizeram mais por ela do que os secretariados de turismo.

Os amantes da literatura recordam que lá nasceram ou viveram Cervantes, Gustavo Adolfo Bécquer, Vicente Aleixandre (Nobel 1977), Luis Cernuda e António Machado. No Museu das Belas Artes, onde os cidadãos da União Europeia têm ingresso grátis, vamos logo direitinho aos quadros de Murillo, Zurbarán e Juan Valdés Leal.

Bastantes serão as imagens desta cidade gravadas nas retinas de milhões de pessoas. Entre outras, laranjeiras, toureiros e pátios com flores. Mas não só do turismo vivem os habitantes. Este centro económico e financeiro, com cerca de 750.000 almas, constitui a quarta área metropolitana ibérica. Uma urbe dinâmica e de enorme interesse civilizacional.

Como na ópera de Bizet — propomos Leontyne Price acessível no Youtube!— recomendamos que sigam a sugestão da cigana: “Près dès remparts de Seville, chez mon ami Lillas Pastia, j’irai danser la séguidille et boire de la manzanilla” (junto às muralhas de Sevilha, na casa do meu amigo Lillas Pastia, irei dançar a seguidilha e beber xerez fino).

Talvez não seja apropriado para jovens com mais de 65 anos, meterem-se em sevilhanas ou exagerarem no vinho. O que é de sublinhar é poderem viajar de comboio com descontos generosos: 50% em Portugal e 40% em Espanha (“tarjeta dorada”).

Férias são férias.

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