SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 03:29

Para melhor muda-se sempre

 

Sempre ouvir dizer que para melhor muda-se sempre. À uns anos quando trabalhava em Coimbra, um colega viu-me a actualizar o meu curriculum vitae e perguntou-me se estava a pensar em mudar de emprego e se não estava contente com o meu trabalho. Ao que eu respondi: -Sim estou contente com o meu trabalho, mas se te aparecesse uma boa oportunidade tu não mudavas de emprego? Ele respondeu: -Sim mudava. Ao que eu acrescentei: -Mas se não fores à procura as boas oportunidades não te vão cair do céu.

 

Penso que a sociedade Portuguesa é conformista por natureza, conformamo-nos com a nossa vida, com os nossos empregos, com os nossos políticos e até com os nossos próprios defeitos. É esta nossa natureza que nos impede de sermos inovadores, de nos diferenciarmos dos outros e de criar valor acrescentado ao que produzimos.

 

Quantos de nós temos o mesmo seguro automóvel, anos a fio, apesar de sabermos que todos os anos os seguros descem. Quantos de nós trabalhamos com o mesmo banco, anos a fio, apesar de vermos outros bancos com produtos mais atractivos. Quantos de nós temos a mesma operadora telefónica, anos a fio, apesar de sabermos que as outras operadoras têm as chamadas mais baratas. Quantos de nós, não gostamos que nos apontem os nossos defeitos, ao invés de aproveitar a ocasião para os corrigir. Este nosso conformismo, reflecte-se em todos os segmentos da nossa sociedade.

 

Thomas Edison não teria inventado a lâmpada, se tivesse ficado conformado com a iluminação por velas. Henry Ford não teria inventado o automóvel, se tivesse ficado conformado em viajar numa carroça. Graham Bell não teria inventado o telefone, se tivesse ficado conformado em comunicar com o código Morse.

 

Mas de que forma mudamos a nossa sociedade para sermos menos conformistas? Alguém dúvida que se todos nós mudássemos de seguro automóvel todos os anos, que as seguradoras já tinham criado seguros mais baratos para quem permanecesse fiel à seguradora. Ou se tirássemos todas as nossas poupanças dos bancos e investíssemos noutro lado, que os bancos pagavam juros mais altos.

 

Cabe-nos a nós tornarmo-nos inconformados. Inconformados por estarmos meses à espera de uma consulta médica, inconformados com os nossos empregos mal renumerados, inconformados pela contínua emigração do conhecimento científico, tão necessário para desenvolver o pais.

 

E o que tem tudo isto a ver com tecnologia? Tudo! A tecnologia é apenas uma parte da nossa sociedade, quando formos inconformados com todos os aspectos da sociedade onde vivemos, então certamente as pessoas e as empresas passarão a usar melhor a tecnologia.

 

Nunca me canso de dizer, não somos nós que nos temos que adaptar à tecnologia, é ela que se tem que adaptar a nós. Se os Sistemas Informáticos de uma empresa não lhe trazem vantagens competitivas, então que mude os Sistemas e que mude o fornecedor, porque em todo mundo os Sistemas Informáticos trazem vantagens competitivas, porque é que cá há-de ser diferente?

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