SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 13:12

Do Reino da Galiza ao Condado de Barcelona

Já aqui foi dito que a Espanha é como uma federação de estados, as comunidades autónomas, das quais algumas podiam ser países, porque têm língua própria, território, história e cultura. Recentemente, numa viagem ocasional, pude conhecer “in loco“ o Principado das Astúrias, Principau d’Asturies, nomeadamente as cidades de Oviedo e Gijón. Este Principado, que já foi reino, e teve Pelágio como primeiro monarca no século VIII, foi o território, juntamente com a Cantábria, onde se travaram as mais ferozes lutas entre cristãos e os invasores árabes, escolhido por Alexandre Herculano no seu romance histórico “Eurico o Presbítero” para pôr em destaque estes combates em que a personagem central é Eurico, presbítero e guerreiro. Trata-se de um pequeno território, com um milhão de habitantes, em que a língua asturiana tem pouca representatividade, alcantilado nas serras e virado para o mar, dividindo os Picos da Europa com a Cantábria e Castela Leão. Também deu para conhecer no antigo reino da Galiza, considerado como nação, o cabo Finisterra, em galego Fisterra, o território que nesta Comunidade Autónoma está situado a noroeste da Península Ibérica, acima do nosso Minho. Aqui fala-se galego e falou-se na Idade Média o galaico-português, como em Portugal, o suporte linguístico da nossa lírica trovadoresca. Do lado oposto, no mapa da península, tenho que referir-me à Catalunha, Catalunya, situada a nordeste, a fazer fronteira com França. É outra comunidade autónoma de Espanha, considerada nacionalidade histórica, onde se fala Catalão, e que agora quer ser independente, tendo a designada Generalitat marcado um referendo para outubro. A sua história remonta ao século XII quando se deu a união dinástica entre o reino de Aragão e o condado de Barcelona. É um território com sete milhões de cidadãos e segundo se sabe muitos não querem a independência. Não se vê que vantagens poderão advir daqui para os catalães, quando a União Europeia diz que têm de pedir a sua entrada, após a separação. Enfim, Espanha grande, mas com graves questões de soberania nacional para resolver, se o referendo for de clara votação para a Catalunha se tornar um país independente.

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