SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 14:32

2012 – Ano de todos os perigos

Caros Leitores depois de todas as ameaças, chegamos ao que todos temíamos, um tempo de sacrifícios e aperto financeiro que nos irá empobrecer, tudo em nome de um saneamento das contas públicas imposto por quem nos está a financiar.

Iremos neste ano fatídico ser levados ao limite, obrigados a contar os euros e a definir prioridades de consumo que não nos podem impedir de manter o essencial, isto é, o nível de vida possível, sabendo o custo das opções que tomamos e o valor daquilo que gastamos.

Tudo vai ser mais caro, desde o simples café, até às compras de estatuto, aquelas que só alguns podem efectuar, passando pela mesada aos filhos, custos com a saúde e educação e manutenção dos lobbys que o estilo de vida actual quase nos impunha como obrigação.

Há no entanto algumas vantagens que iremos descobrir e que ficarão durante algum tempo presentes, obrigando-nos a perceber que tudo tem um preço e que o dinheiro não cai do céu. Seremos agora confrontados com o princípio de que não podemos gastar aquilo que não temos, garantindo no seio da família a inexistência de défices e a valorização da poupança, tendo em conta os momentos de incerteza que se vão prolongar pelos próximos anos.

Há nesta altura um contexto de contenção que mudará até a forma como estamos na vida profissional, já que quem nos paga o vencimento só o poderá fazer se a produtividade de cada um de nós, somada, levar à produção de valor, permitindo à empresa adquirir capacidade de vender a preços competitivos e dotar-se de capital de investimento que leve à manutenção e expansão, impedindo o desemprego e garantindo o posto de trabalho.

A postura profissional terá que ser apurada e, da parte empresarial, a obrigação do reconhecimento do valor individual de cada um de nós, que será depois tida em conta, diminuindo por essa via a célebre cunha, que a médio prazo enfraquece qualquer estrutura profissional.

A política não deverá ater-se à gestão corrente, antes terá que criar um ambiente de esperança no futuro e, sobretudo, estimular quem tem iniciativa, capacidade inovadora e conhecimento, de forma a tentar parar a sangria de massa crítica, de gente com sólidos conhecimentos e capacidade criativa. Assim talvez a emigração de cérebros não ocorra de forma tão sistemática e empobrecedora.

Este ano terá que ser o ano da definição do modelo económico e social que pretendemos para o futuro. Um modelo que proteja os idosos e quem tem menos recursos e valorize a iniciativa individual, a criação de parceiros que possam ombrear com o estado, quer na saúde quer na educação. Claro que estes dois sectores só poderão ser competitivos se ocorrer uma diminuição da carga fiscal sobre quem quiser pertencer ao lado privado desta realidade.

Torna-se claro que temos que sanear e reformar sectores sistematicamente endividados, mal geridos, porque comandados por escolhas políticas, e que dão cobertura a classes favorecidas – estou a lembrar-me de certos grupos profissionais que fazem greves no natal e passagem de ano – disfarçadas de defensores da causa pública e de sistemas políticos que já mostraram à saciedade que estão desfasados da realidade e, sobretudo, que por debaixo de preocupações de igualdade, defendem, de forma egoísta e hipócrita, os seus próprios e exclusivos interesses particulares.

Daí que as privatizações se imponham como uma necessidade, por um lado, por injectar capital, que permite a funcionalidade e o emprego, e por outro lado, por sustentar uma visão produtiva e de viabilidade económica, tão essencial como o ar que se respira. Até porque o estado pode sempre compensar quem funciona bem e não quem se limita a usar privilégios.

Qual é o grande perigo? Tem a ver com a garantia nas pensões e nas ajudas a quem menos tem. Isto vai passar por uma reformulação das pensões, sobretudo criando um tecto máximo que o estado poderá garantir. O que está aqui em causa? Ou mudamos ou empobreceremos todos de forma brutal, com a saída do euro.

Finalmente uma preocupação que nos envolve a todos. A segurança. O governo e sobretudo a administração interna e a justiça tem que dizer a todos que o crime não compensa, têm que mostrar que roubar não compensa o castigo. Há modelos de combate à criminalidade que mostraram eficácia. Avaliem e utilizem-nos, adaptados à nossa realidade. Não se pode castigar quem rouba um pão e deixar impune quem rouba e mata pessoas na sua própria casa.

Portanto Caros Leitores estejam atentos, usem os vossos direitos de cidadania, conversem, manifestem-se, mas sobretudo pensem no país e naquilo que o futuro pode, ou não, ser, influenciado pela Vossa acção e influência.

Devo dizer que, por motivos profissionais, termino hoje aqui a minha colaboração com O Almonda. Aos Responsáveis do jornal os meus agradecimentos pela possibilidade que me deram de exprimir e tornar pública a minha opinião. Quero desejar-lhes, com muito estima, felicidades para a continuação deste projecto. A quem teve a amabilidade de me escutar, um fraterno agradecimento. De todos, despeço-me com um até sempre.

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