SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 20:52

Afinal a Urgência do HTN fecha ou não fecha ? – Parte II

Caros Leitores, retomando o fio à meada do artigo anterior e respondendo à pergunta do 1ª parágrafo do referido artigo, a urgência do HRSI não tem que obrigatoriamente fechar.

No entanto para que tal aconteça precisamos de um “upgrade” da actual organização administrativa, com uma visão loco-regional e apoio central, à semelhança do que acontece com a Europa, na tentativa de salvar o Euro e os países que, por incúria ou incapacidade, estão nesta altura em falência ou pré-falência.

A começar pelo Conselho de Administração do CHMT. Este deverá ter um perfil menos partidarizado, mais profissional, capaz de gerir com autonomia – sendo também responsabilizado por isso – e recebendo o apoio, quer financeiro, quer político, do ministério e tendo a concordância da maioria das autarquias que se situam na área de influência. Portanto um CA escrutinado, com competências visíveis e pouco revestido de cartões partidários.

É claro que este apoio deve depois ser consubstanciado e fiscalizado pelas referidas autarquias, no sentido de estas assumirem como suas, ou com grande aval das mesmas, as estratégias de gestão e as respectivas mudanças, de forma a acabar de vez com as pedrinhas na engrenagem que têm impedido a reformulação e as adaptações necessárias a uma viabilização do CHMT.

O CA deveria negociar com o governo um plafond financeiro que sustentasse as respostas em cuidados de saúde que o Centro se responsabilizaria em cumprir, assumindo-se desde logo que anualmente se divulgariam os desempenhos, bem como os respectivos custos, que seriam avaliados, quer pela tutela, quer pelos parceiros, nomeadamente as câmaras e outras entidades civis que entendessem participar neste convénio.

Obviamente que o CA teria que, por sua vez, definir com as chefias de serviço, as regras e os modos de cumprir os objectivos parcelares que conduziriam ao cumprimento das responsabilidades macro – assistenciais e financeiras – que o Centro se tinha obrigado perante a tutela e os parceiros.

Neste contexto seria possível às autarquias participar financeiramente no esforço que permitisse, numa perspectiva de cada hospital, manter, terminar ou centralizar serviços, de forma a que, mantendo-se a oferta global, não se deslocalizassem certas valências, como os S. Urgência, que representam uma mais valia em segurança de que as populações não podem abdicar.

Dirão os Leitores. Mas as câmaras estão endividadas? Pois é, cantou-se muito quando o dinheiro descia do céu…No entanto agora chegou a hora das autarquias apoiarem as pessoas, já que o cimento está consolidado e de “falta de obra” já nenhum munícipe se pode queixar. Portanto Sr.s Autarcas, agora que o dinheiro para a fachada se foi, adoptem o lema, de forma literal, “as pessoas primeiro”, se faz favor.

Todos sabemos que, a par com um parque habitacional com boa relação qualidade/preço, existência de emprego, boas escolas, apoios à população infantil e bons acessos, a oferta em cuidados de saúde é um dos factores mais importantes de fixação e atracção da população. Não é por acaso que o núcleo Torres Novas/Entroncamento é, com Santarém, o local no Ribatejo em que há aumento da população. Seguramente que o HRSI, e a forma como, apesar de tudo, corresponde às solicitações, tem uma grande responsabilidade nessa circunstância.

Portanto, terá que haver uma gestão autárquica responsável que olhe para os seus hospitais, os apoie e fiscalize, no sentido de garantir o fundamental, tendo em atenção os jogos de equilíbrio, de forma a juntar o que é menos prevalente, mais diferenciado e muito técnico, garantindo em cada um dos hospitais o que significa maior volume de actividade assistencial.

A juntar a este núcleo é importante aproximar tanto quanto possível os Hospitais e os Centros de Saúde, não numa perspectiva de um dominar o outro, mas de diálogo, tomada de posições conjuntas ou, pelo menos, discutidas, e garantir uma optimização da utilização dos recursos técnicos, quer humanos, quer tecnológicos, diminuindo os custos e garantindo às populações o acesso ao que de melhor existe no SNC. Faz algum sentido que a ARS de Lisboa e Vale do Tejo determine orientações que são, na grande maioria dos casos, pensadas em função e dirigidas aos hospitais e centros de saúde de Lisboa e periferia e totalmente inadequadas à realidade do Médio Tejo?

Há ainda uma outra vertente que deveria ser explorada pelo CHMT. Tem a ver com a contratualização de serviços a entidades privadas, numa base de discussão clara, no âmbito da parceria hospital-autarquias-centros de saúde.

Os serviços privados de saúde são, na maioria dos casos, geridos de forma eficaz e com competência. Estas condições, sob o controlo dos serviços públicos, podem ser mais valias importantes na qualidade de serviços a prestar às populações. Claro está que não estou a pensar nos “arranjinhos” e outras negociatas, com exemplos de todos conhecidos, desde há longos anos permitidas pelos diversos governos.

E, caros Leitores, “como o profeta”, para terminar, vos digo. Se aquilo que foi escrito não se passar, garanto-vos que, infelizmente, agora, ou dentro de pouco tempo, a Urgência do H. de Torres Novas irá fechar.

Cumprimentos a todos

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